
Irão executa dois jovens envolvidos nos protestos de janeiro e aumenta temor por outras penas de morte
As autoridades judiciais iranianas confirmaram o enforcamento de Erfan Esfandiari e Gol-Mohammad Mohammadi, condenados por atos violentos durante as manifestações de janeiro, num contexto de forte aceleração das execuções no país.
As autoridades do Irão executaram na madrugada de domingo Erfan Esfandiari, de 18 anos, e Gol-Mohammad Mohammadi, de 23, ambos condenados pelo homicídio de quatro agentes da polícia durante os protestos de 18 de janeiro em Isfahan. O porta-voz do poder judicial, através da agência Mizan, descreveu os dois como “elementos armados e violentos” que terão atado os polícias a um poste, agredido com pedras, regado com gasolina e incendiado, filmando depois o ataque para canais de televisão estrangeiros. A mesma fonte sustenta que os arguidos confessaram os crimes, foram julgados com a presença de advogados e que as sentenças foram confirmadas pelo Supremo Tribunal antes da execução.
A narrativa oficial divide-se profundamente da leitura de organizações internacionais de direitos humanos. A Amnistia Internacional e a ONG Iran Human Rights, sediada na Noruega, denunciam que os julgamentos foram sumários, sem acesso efetivo a defesa independente, e que as confissões foram obtidas sob coação. Observadores das Nações Unidas sublinham que Mohammadi era cidadão afegão e que Esfandiari teria sido detido quando ainda menor de idade. O caso insere-se no processo conhecido como “Praça Ali-Khani”, no qual 12 réus receberam penas capitais; dez outros condenados aguardam execução iminente, tendo sido transferidos para celas de isolamento, segundo ativistas locais.
A execução ocorre num momento de endurecimento da repressão judicial iraniana, que desde o início da guerra com os EUA e Israel, em 28 de fevereiro, já levou à aplicação de dezenas de penas de morte. O relator especial da ONU para os direitos humanos no Irão afirma que as execuções estão a ser usadas como “instrumento de intimidação”. Na perspetiva de capitais como Brasília e Lisboa, onde a abolição da pena de morte é princípio constitucional, o recurso acelerado à forca suscita críticas diplomáticas de organizações lusófonas de defesa dos direitos humanos. Já para analistas do Médio Oriente, o regime de Teerão procura dissuadir qualquer ressurgimento dos protestos, que em janeiro começaram contra o custo de vida e evoluíram para um desafio aberto à liderança política.
Em 2025, o Irão executou pelo menos 1.639 pessoas, o número mais elevado desde 1989, segundo as ONG Iran Human Rights e ECPM, colocando o país atrás apenas da China em execuções anuais. O líder do poder judicial, Gholamhossein Mohseni-Ejei, tem ordenado celeridade nos processos de detidos durante a guerra e os protestos. As próximas semanas serão decisivas: espera-se a confirmação de novas penas de morte, enquanto o Conselho dos Direitos Humanos da ONU e a sociedade civil internacional intensificam os apelos ao Irão para que suspenda as execuções e garanta um julgamento justo aos restantes acusados da Praça Ali-Khani.
| Imprensa iraniana e afins | +0.70 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.20 | neutral |
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.60 | critical |
| Imprensa africana subsaariana | −0.20 | neutral |
The Iranian regime reaffirms its sovereignty by executing two 'agents of the enemy' and describes the action as a necessary defense against public order threatened by external forces.
The narrative constructs a duality between 'us' (the legitimate state) and 'them' (foreign agents), justifying the death penalty as a response to extreme and premeditated violence.
Iranian sources omit that the executed were very young (18 and 23) and that human rights groups have warned of further executions, as well as the lack of transparency about their trial.
Arab media record the execution as a fact, balancing the official version with human rights concerns without openly taking sides.
The balance between official and critical sources creates an ambivalent narrative that leaves room for interpretation while signaling implicit alarm.
The Arab coverage omits the broader context of the January protests and the fact that many other detainees face execution.
The Western press denounces the execution as a brutal act of repression, highlighting the young ages of the victims and the lack of procedural safeguards.
The use of personal details (ages, missing dates) and references to human rights group warnings evoke empathy and indignation, delegitimizing the state's rationale.
Atlantic sources omit the official version that the men killed four police officers in a violent armed attack.
African news agencies report the story as an official communication, without adding commentary or context, adopting a stance of detached observer.
The choice to reproduce the judicial statement without filtering or integrating other voices neutralizes potential criticism, presenting facts as objective data.
Sub-Saharan African sources omit the ages of the executed and the warnings from human rights groups.
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