
Trump diz em Ancara que 'testou' aliados da NATO e critica recusa europeia no Irão
Presidente dos EUA manifesta desilusão com a Aliança, ameaça retirar tropas da Europa e elogia Erdogan, enquanto aliados tentam demonstrar compromisso com contratos de defesa.
Na abertura da cimeira da NATO em Ancara, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou estar “muito desiludido” com os aliados europeus e revelou que a ofensiva contra o Irão serviu para “testar” a lealdade dos parceiros. Segundo o relato de várias agências, Trump declarou que Itália, Alemanha, França e Reino Unido “recusaram ajudar” e que, se o encontro não se realizasse na Turquia, “provavelmente não teria participado”. A primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni, foi descrita como “uma boa pessoa” que “cometeu um erro” ao não se envolver no Estreito de Ormuz, o que, na leitura do presidente norte-americano, azedou a relação bilateral.
Na perspetiva de Washington, as declarações enquadram-se numa visão transacional das alianças, em que o investimento militar dos EUA na Europa — “triliões de dólares”, segundo Trump — deve ser correspondido com apoio político e operacional. O presidente ameaçou retirar todas as tropas do continente e reiterou que a Gronelândia “deveria ser controlada pelos Estados Unidos”, reacendendo atritos com a Dinamarca. Em contraste, elogiou o homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, como “líder muito forte”, e admitiu levantar sanções e vender caças F-35 à Turquia, apesar da oposição manifestada por Israel.
Do lado europeu, a recusa em apoiar a operação no Irão é explicada por fontes diplomáticas como resultado de avaliações de risco de escalada regional e da ausência de um mandato internacional alargado. Ainda assim, os aliados procuraram dar sinais de compromisso: no Fórum da Indústria de Defesa que antecedeu a cimeira, foram assinados contratos no valor de mais de 50 mil milhões de dólares, incluindo a substituição da frota AWACS por aviões Global Eye e a produção de mísseis AMRAAM na Europa. O secretário-geral da NATO, Mark Rutte, descreveu o momento como “NATO 3.0”, com uma Europa mais responsável pela própria defesa.
A cimeira decorre num contexto de reconfiguração das relações transatlânticas, com os EUA a reduzirem a sua pegada militar na Europa e a exigirem que os aliados atinjam a meta de 5% do PIB em defesa até 2035. A questão ucraniana também marcou a agenda: o presidente Volodymyr Zelensky pediu a manutenção de um fluxo anual de 80 mil milhões de dólares em ajuda militar, enquanto Trump afirmou, após conversas com Putin e Zelensky, acreditar num acordo de paz “em breve”.
O encontro prossegue com sessões de trabalho e um jantar oferecido por Erdogan. Está prevista a discussão de decisões sobre a venda de F-35 à Turquia e sobre uma eventual redução adicional de tropas norte-americanas na Europa. Diplomatas da Aliança admitem que a retórica de “teste” agravou a desconfiança mútua, mas esperam que os anúncios de investimento militar ajudem a conter uma fratura imediata.
| Imprensa europeia continental | −0.50 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa latino-americana | −0.20 | neutral |
| Imprensa russa e CEI | +0.20 | neutral |
Italy rejects Trump's accusations: Prime Minister Meloni acted in the national interest, not out of disloyalty.
Personalizing the diplomatic conflict onto the personal relationship between Trump and Meloni turns a strategic divergence into a moral judgment on the premier, making the criticism sharper but less analytical.
The context of the Iran war and the reasons for Italy's refusal, such as the lack of a UN mandate or escalation risks, are not explored.
A América Latina observa com cautela as críticas de Trump à OTAN, sem tomar partido na disputa entre Estados Unidos e Europa.
Utiliza-se um tom descritivo e neutro, citando as declarações de Trump sem acrescentar juízos de valor, apresentando o conflito como um fato noticioso e não como uma crise.
Não se menciona a posição dos países latino-americanos em relação ao conflito com o Irã nem as possíveis consequências para a região.
Russia notes the discord in NATO: Trump's criticism confirms the alliance's weakness and its dependence on personal relationships.
Emphasizing Trump's dissatisfaction and his closeness to Erdogan creates the impression that NATO is divided and the US is unhappy with its allies, which benefits the Russian narrative.
It is not mentioned that Trump's criticism is primarily directed at European allies, not at the NATO structure itself, and that the US continues to participate in the alliance.
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