
Trump exige gasolina a US$ 2,50 e ameaça postos com 'grandes problemas'
Presidente dos EUA ordena investigação sobre preços nos postos e pressiona varejistas a repassar queda do petróleo, em meio a tensões eleitorais e ao cessar-fogo com o Irã.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, determinou na segunda-feira (29) que os postos de combustíveis reduzam imediatamente os preços da gasolina, ameaçando com “grandes problemas” caso a ordem não seja cumprida. A declaração, feita na rede Truth Social, ocorre num momento em que o barril de petróleo é negociado a cerca de US$ 68, em trajetória de queda, enquanto o preço médio nacional da gasolina permanece em US$ 3,86 por galão, segundo a Associação Automobilística Americana (AAA). Trump instruiu o Departamento de Justiça a investigar grandes petrolíferas por não repassarem a desvalorização do bruto às bombas, acusando-as de “abuso” e “especulação ilegal”.
A disparidade entre o custo da matéria-prima e o valor ao consumidor reflete os efeitos do conflito entre Estados Unidos, Israel e Irã, que elevou o petróleo a picos superiores a US$ 110 o barril no final de maio. Com o cessar-fogo em vigor desde abril e a perspetiva de negociações diplomáticas, as cotações recuaram para níveis próximos aos anteriores à guerra, mas a transmissão aos preços na bomba tem sido lenta. A Casa Branca vê na redução dos combustíveis um termómetro da sua popularidade, a poucos meses das eleições legislativas de meio de mandato, em novembro, nas quais os republicanos tentam preservar a estreita maioria no Congresso.
A pressão política levou o secretário do Interior, Doug Burgum, a sugerir que os americanos abasteçam em “estados vermelhos” (governados por republicanos), onde, segundo afirmou, o galão custa em média 53 cêntimos de dólar a menos do que nos “estados azuis” (democratas). A declaração, feita à Fox News, expõe a tentativa de transferir a responsabilidade pela carestia para governos estaduais de oposição, enquanto a administração federal procura capitalizar a trégua com Teerã como um trunfo para aliviar o bolso dos eleitores.
Para países lusófonos importadores de petróleo, como Brasil e Portugal, a trajetória descendente do barril pode representar um alívio nas pressões inflacionárias internas, embora a volatilidade geopolítica mantenha os mercados em alerta. Em Angola e Moçambique, produtores africanos de crude, a estabilização dos preços globais é observada com cautela, dado o impacto direto nas receitas fiscais e nos equilíbrios orçamentais.
O próximo marco concreto será a reunião entre delegações de Washington e Teerã prevista para 30 de junho em Doha, no Catar, onde se discutirão os termos da consolidação do cessar-fogo. O desfecho das conversações poderá ditar a velocidade com que os preços dos combustíveis nos EUA — e, por arrasto, nos mercados internacionais — se aproximarão da meta de US$ 2,50 por galão exigida por Trump.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Trump's demand to lower gasoline prices to $2.50 is a populist gesture that ignores market dynamics and the energy transition. Progressive media see this move as a dangerous threat to the economy and the environment, accusing the former president of prioritizing electoral approval over responsibility. The threat of 'big problems' is interpreted as authoritarian blackmail.
Trump's demand is seen as further proof of the chaos and hypocrisy of the American system, which tries to buy consent with unattainable promises. Iranian media highlight how the US, while preaching free markets, directly intervenes on prices when convenient. The threat of 'big problems' is read as a symptom of structural US weakness.
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