
Taiwan mobiliza tanques Abrams em exercício enquanto China rejeita críticas a patrulhas
Manobras de prontidão em Taoyuan e troca de acusações entre Pequim, Tóquio e aliados ocidentais expõem escalada de pressão no Estreito, com reflexos observados em Brasília e Lisboa.
O Exército de Taiwan deslocou os recém-adquiridos carros de combate M1A2T Abrams para um exercício de prontidão de cinco dias em Taoyuan, erguendo barricadas em estradas próximas ao aeroporto internacional e posicionando blindados em pontos estratégicos. A operação, que incluiu ainda veículos CM-34 e lançadores de mísseis TOW-2B, insere-se no “Exercício de Prontidão de Combate Imediato”, concebido, segundo o Ministério da Defesa taiwanês, para acelerar a transição de rotinas de paz para operações de guerra. Em paralelo, a guarda costeira chinesa manteve patrulhas a leste da ilha, descritas por Pequim como uma “operação especial de fiscalização do tráfego marítimo”, enquanto o Presidente Lai Ching-te afirmava que a China “altera o status quo” e que reforçar a autodefesa “não é provocação”.
A leitura dos acontecimentos diverge consoante a capital. Para Pequim, as patrulhas representam um exercício legítimo de jurisdição, reação ao anúncio de negociações de fronteiras marítimas entre Manila e Tóquio em águas sobrepostas às reivindicações de Taiwan. O porta-voz da diplomacia chinesa rejeitou as críticas de Washington, Londres, Paris e Berlim, que consideraram as operações uma ameaça à estabilidade regional e à liberdade de navegação. Já Tóquio negou as acusações chinesas de “assédio” ao grupo de ataque do porta-aviões Liaoning durante exercícios no Pacífico ocidental, classificando-as como “não factuais” e descrevendo a sua atuação como “vigilância profissional”. Observadores em Lisboa e Brasília notam que a controvérsia se insere num quadro de fricção crescente, com impacto potencial nas cadeias logísticas que ligam a Ásia-Pacífico aos portos da CPLP.
A dimensão cinzenta do confronto foi sublinhada por um exercício de simulação taiwanês que testou a resposta a um bloqueio marítimo parcial imposto pela China, cenário em que Pequim exigiria que navios que escalam portos taiwaneses preenchessem declarações aduaneiras chinesas. O subsecretário do Conselho de Segurança Nacional, Lii Wen, revelou que o simulacro envolveu onze ministérios e previu mecanismos de comunicação com a marinha mercante para desviar embarcações de zonas de risco, bem como a monitorização de reservas energéticas e de bens essenciais. A iniciativa ocorre na mesma semana em que o estaleiro CSBC confirmou que o primeiro submarino de construção nacional, o Narwhal, continua com entrega prevista para o segundo semestre de 2026, e que o Exército anunciou a criação de um batalhão de drones nas ilhas Penghu para reforçar a capacidade de alerta precoce.
Na perspetiva de capitais ocidentais, a cimeira do G7 reiterou a oposição a alterações unilaterais do status quo pela força ou coerção, posição que Lai invocou para defender o princípio da “defesa coletiva e partilha de encargos”. A tensão sino-nipónica agravou-se ainda com a detenção de dois cidadãos japoneses na China, suspeitos de tentar exportar ilegalmente terras raras, num momento em que Tóquio, sob a liderança da primeira-ministra Sanae Takaichi, acelera o abandono da doutrina pacifista e admite uma eventual intervenção militar em caso de ataque chinês a Taiwan. O dossiê permanece em aberto, com a continuação dos exercícios taiwaneses e a perspetiva de novos contactos diplomáticos entre as partes, enquanto a região se prepara para a próxima ronda de testes do submarino Hai Kun e para a temporada de tufões que já obrigou ao encerramento de escolas e serviços em Pingtung e Kaohsiung.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Pequim rejeita firmemente as críticas dos EUA e da Europa às suas patrulhas da guarda costeira perto de Taiwan, considerando-as operações legais e necessárias para proteger os direitos marítimos e a ordem regional. As acusações de interferência estrangeira são consideradas infundadas. A China reafirma sua soberania e a natureza rotineira das patrulhas.
Tóquio rejeita as acusações chinesas de assédio contra o grupo do porta-aviões Liaoning, classificando-as como 'não verdadeiras'. O Ministério da Defesa enfatiza que as forças japonesas monitoraram a área de forma profissional e diligente, como sempre. O Japão reafirma seu compromisso de vigiar as águas e o espaço aéreo ao redor.
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