
Sistema biométrico da UE gera filas de horas e leva aeroportos a ameaçar suspensão
Gestores de terminais europeus alertam para colapso operacional no verão e pedem flexibilização do Entry-Exit System, enquanto Bruxelas nega falha sistémica e aponta carência de pessoal.
A plena operacionalidade do novo sistema biométrico de controlo de fronteiras da União Europeia, o Entry-Exit System (EES), está a provocar disrupções graves nos principais aeroportos do espaço Schengen. Desde 10 de abril, quando o mecanismo passou a ser aplicado à totalidade dos viajantes extracomunitários, multiplicam-se os relatos de filas de até seis horas, passageiros que perdem voos e terminais à beira do colapso. O administrador-delegado da Aeroporti di Roma, Marco Troncone, afirmou ao Financial Times que o processo de registo biométrico se revela “incompatível com os picos de afluência” e que a única forma de evitar “um desastre” durante o verão será suspender temporariamente o sistema. Stefan Schulte, presidente da ACI Europe, que representa mais de 600 aeroportos, instou os políticos a “deixarem de fingir que o EES funciona”.
A Comissão Europeia rejeita a ideia de uma falha sistémica. Em comunicado, um porta-voz sustentou que o EES está “plenamente operacional em todos os países” e atribuiu os longos tempos de espera a “fatores pré-existentes, como a carência de pessoal, os limites infraestruturais e a concentração de voos em faixas horárias específicas”. Bruxelas recorda que os Estados-membros dispõem de margem para modular a aplicação dos controlos biométricos perante dificuldades operacionais. Na prática, porém, vários países já agiram unilateralmente: França e Portugal suspenderam o sistema em momentos de pico, e a Grécia isentou cidadãos britânicos até setembro, embora o seu ministério dos Negócios Estrangeiros tenha depois negado a existência de uma isenção formal. A Associação Internacional de Transporte Aéreo (IATA) alerta que as esperas podem atingir seis horas nos aeroportos mais congestionados.
As implicações extravasam as fronteiras europeias. Para os viajantes oriundos do Brasil, de países africanos de língua oficial portuguesa e de outros Estados terceiros, o novo procedimento significa que, à chegada a um aeroporto Schengen, terão de registar dados biométricos — impressões digitais e fotografia facial — em quiosques automáticos que, segundo os gestores aeroportuários, funcionam de forma intermitente. Quando os terminais de autosserviço falham, os passageiros são reencaminhados para os balcões manuais, gerando os estrangulamentos que já levaram ao cancelamento de embarques. O World Travel & Tourism Council estima que os atrasos associados ao EES possam colocar em risco até 41 milhões de chegadas de visitantes e 45,4 mil milhões de dólares em receitas turísticas em toda a UE.
O EES foi concebido para modernizar a vigilância fronteiriça, substituir o carimbo no passaporte e detetar permanências irregulares, registando eletronicamente as entradas e saídas de cidadãos extra-Schengen por um período de três anos. A sua introdução foi faseada a partir de outubro de 2025, mas a transição para a plena capacidade revelou fragilidades técnicas e uma harmonização insuficiente entre os Estados-membros. Em Portugal, os aeroportos de Lisboa, Faro e Porto também registaram constrangimentos, levando as autoridades a suspender pontualmente o sistema, segundo a imprensa local. No Reino Unido, o porto de Dover investiu 40 milhões de libras num novo centro de controlo que continua inoperacional por falta de ativação das autoridades francesas.
O dossier permanece em aberto num momento em que a época estival se aproxima e a pressão sobre as infraestruturas aeroportuárias atinge o seu máximo. A Comissão Europeia insiste que o sistema funciona e que as dificuldades são conjunturais, enquanto os gestores dos aeroportos de Roma e a ACI Europe pedem uma suspensão temporária das verificações biométricas para evitar o caos. Não há, até ao momento, uma decisão formal de Bruxelas sobre um eventual alívio generalizado das regras, mas a perspetiva de ações unilaterais por parte de alguns Estados-membros ganha força, num braço-de-ferro que testará a capacidade de resposta das instituições europeias perante uma crise operacional com impacto direto na mobilidade global.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os operadores aeroportuários denunciam filas de até seis horas e passageiros extraeuropeus a perder voos devido ao novo sistema biométrico EES. Avisam que, sem um alívio nos controlos, o pico do verão pode transformar-se num colapso operacional. A Comissão Europeia atribui os problemas à falta de pessoal, mas os aeroportos continuam céticos.
A nova instalação de controlo fronteiriço de 40 milhões de libras construída em Dover para o sistema EES da UE continua fechada. O responsável do porto diz que ainda não há data para as autoridades francesas ativarem os quiosques. O atraso levanta questões sobre a preparação para a época de viagens de verão.
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