
Sondagens nos EUA mostram maioria contra gestão de Trump no Irão, mas acordo preliminar ganha apoio
Apesar de 65% desaprovarem a condução do conflito, 56% dos eleitores apoiam o pacto que reabre o Estreito de Ormuz e retoma negociações nucleares, revelando cansaço com a guerra e divisão partidária.
Duas sondagens divulgadas esta semana traçam um retrato contraditório da opinião pública norte-americana sobre a política de Donald Trump para o Irão. Segundo o centro de pesquisas AP-NORC, 65% dos adultos nos Estados Unidos desaprovam a forma como o presidente gere o dossiê iraniano, um valor que se mantém estável mesmo após o anúncio de um acordo preliminar com Teerão. Em contraste, o instituto Quantus Insights, cujos resultados foram promovidos pelo próprio Trump na rede Truth Social, indica que 56% dos eleitores prováveis apoiam o entendimento que põe fim às hostilidades, reabre a navegação no Estreito de Ormuz e lança um período de 60 dias de conversações sobre o programa nuclear e as sanções.
A clivagem partidária é o traço mais vincado dos dados. Na sondagem AP-NORC, apenas 28% dos republicanos manifestam descontentamento com a atuação de Trump no Irão, enquanto democratas e independentes reprovam a estratégia de forma esmagadora. Contudo, mesmo entre as bases conservadoras há reservas quanto aos termos do pacto: críticos republicanos consideram que o acordo concede alívio económico imediato a Teerão — com a retoma das exportações de petróleo e a suspensão temporária de portagens no estreito — sem arrancar contrapartidas suficientes no plano nuclear. O cansaço com a guerra é transversal: 53% dos inquiridos pela AP-NORC afirmam que a ação militar americana “foi longe demais”, uma descida de apenas seis pontos face a março, o que, na leitura de analistas em Washington, sinaliza uma vontade maioritária de evitar uma escalada.
Para as economias lusófonas importadoras de crude, como Brasil e Portugal, a reabertura do Estreito de Ormuz sem custos adicionais durante dois meses representa um alívio temporário nas pressões sobre os preços dos combustíveis, que tinham subido com o bloqueio naval imposto por Washington. A retoma das negociações nucleares é acompanhada com atenção em capitais africanas de língua portuguesa, signatárias de tratados de não proliferação, que veem no diálogo uma via para conter a capacidade de enriquecimento de urânio do Irão. Ainda assim, o acordo é recebido com ceticismo por setores que temem que a diluição do urânio altamente enriquecido, prevista no memorando, não seja suficiente para travar as ambições atómicas de Teerã a longo prazo.
O índice de aprovação geral de Trump permanece em 37%, inalterado desde maio, e apenas um terço dos americanos aprova a sua gestão da economia ou da relação com Israel — este último um foco de tensão após críticas da Casa Branca aos ataques israelitas no Líbano, que terão perturbado as conversações com o Irão. O acordo preliminar não carece de ratificação legislativa, mas o seu futuro político dependerá da evolução das conversações nucleares nos próximos dois meses e da capacidade da administração em transformar o apoio inicial ao pacto numa perceção mais favorável da sua estratégia global para o Médio Oriente.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Apesar do anúncio de um acordo preliminar com o Irã, uma nova pesquisa AP-NORC mostra que 65% dos americanos desaprovam a gestão do conflito por Trump. Sua aprovação sobre o Irã permanece baixa e inalterada, com profundas divisões partidárias. O acordo não alterou o sentimento público amplamente negativo.
O presidente Trump postou no Truth Social a imagem de uma pesquisa mostrando amplo apoio ao acordo preliminar com o Irã, chamando-o de 'muito popular'. A pesquisa da Quantus Insights indica que 56% dos eleitores aprovam o acordo, com 43% fortemente a favor. Trump descartou as críticas como vindas de 'fake news' e democratas.
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