
Lula diz que Neymar é 'primeiro convocado home office do mundo' em evento em BH
Presidente ironizou ausência do camisa 10 na Copa do Mundo, enquanto analistas apontam subtexto político após apoio do jogador a Bolsonaro em 2022.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta sexta-feira (19), em Belo Horizonte, que o atacante Neymar é “o primeiro convocado home office do mundo”. A declaração, feita durante evento no Hospital Luxemburgo, surgiu após uma criança na plateia apontar o camisa 10 como o melhor jogador brasileiro, ao que Lula respondeu que ele “não está nem jogando”. O presidente citou um meme da internet e acrescentou que, no futuro, talvez seja preciso montar uma seleção por inteligência artificial, “com 11 Pelés”. Neymar, que se recupera de uma lesão na panturrilha direita, não participou da estreia contra Marrocos e foi vetado para o jogo desta noite contra o Haiti, permanecendo em Nova Jersey para tratamento.
Na perspetiva de Brasília, o comentário foi apresentado como uma brincadeira descontraída, mas observadores políticos no Brasil notam que o episódio reaviva a tensão latente entre o presidente e o jogador. Neymar declarou apoio a Jair Bolsonaro nas eleições de 2022, período em que a camisa amarela da seleção se tornou símbolo da direita radical. A Confederação Brasileira de Futebol (CBF), sediada no Rio de Janeiro, informou que a permanência do atleta em Nova Jersey visa otimizar a fase final da recuperação, sob supervisão do departamento médico. A comissão técnica de Carlo Ancelotti, segundo a entidade, evita apressar o retorno para não comprometer a participação do jogador em fases posteriores do torneio.
A intersecção entre futebol e política ganha contornos adicionais com o histórico de Lula. Em 2006, ainda no primeiro mandato, o presidente perguntou ao técnico Carlos Alberto Parreira se Ronaldo Fenômeno estava “gordo”, gerando mal-estar e uma resposta áspera do atacante. Agora, a ausência de Neymar nos dois primeiros jogos do Grupo C — empate com Marrocos e o duelo contra o Haiti — coloca pressão sobre o desempenho da equipa, que busca a primeira vitória no Mundial organizado pelos Estados Unidos. Analistas em São Paulo interpretam o comentário presidencial, ainda que em tom de brincadeira, como um sinal do distanciamento entre o governo e uma figura central do futebol brasileiro.
O próximo compromisso da seleção é contra a Escócia, em 24 de junho, em Miami, quando Neymar poderá receber os primeiros minutos em campo, conforme expectativa da comissão técnica. Lula prossegue agenda em Minas Gerais, com a inauguração de um hospital regional em Divinópolis. O simbolismo da camisa canarinho permanece sob escrutínio: a CBF tem procurado despolitizar o uniforme, mas episódios como o desta sexta-feira mostram que a sobreposição entre o esporte e as clivagens políticas brasileiras continua a manifestar-se em pleno Mundial.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A piada de Lula sobre Neymar ser o primeiro convocado em 'home office' não é apenas uma brincadeira leve; ela traz à tona o atrito político entre o presidente de esquerda e o craque que apoiou abertamente Bolsonaro em 2022. Dita durante um evento em hospital, a fala é lida como uma alfinetada velada à ausência do jogador e à sua escolha política.
O presidente brasileiro brincou que Neymar é o primeiro jogador convocado para uma Copa a atuar em trabalho remoto, uma referência à lesão que o mantém afastado. O comentário foi noticiado como um momento descontraído em um evento público, sem qualquer conotação política.
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