
Sheikh Hasina anuncia regresso a Bangladesh em 2025 mesmo com sentença de morte
Em entrevista à NDTV, a ex-primeira-ministra, exilada na Índia, afirma que a condenação é política e que a Liga Awami regressará ao poder com o apoio popular.
A ex-primeira-ministra do Bangladesh, Sheikh Hasina, anunciou em entrevista ao canal indiano NDTV que tenciona regressar ao seu país ainda este ano, apesar de ter sido condenada à morte à revelia por crimes contra a humanidade. Hasina, de 78 anos, está exilada na Índia desde agosto de 2024, quando deixou Daca na sequência de um levantamento estudantil que pôs fim a 15 anos de governo. Na entrevista, publicada no domingo, rejeitou a sentença, classificando-a como parte de um processo ilegal, inconstitucional e politicamente motivado.
Hasina afirmou que o seu regresso não é uma ambição pessoal, mas sim um dever ligado à restauração da democracia e dos direitos políticos no Bangladesh. Prometeu superar todos os obstáculos e conspirações, recordando que sobreviveu a várias tentativas de assassínio desde 1975. Sublinhou que a Liga Awami, fundada pelo seu pai, o líder da independência Sheikh Mujibur Rahman, continua a ser uma força política enraizada na população, apesar da proibição decretada pelo governo interino e mantida pela administração atual. O partido celebrou o seu 77.º aniversário a 23 de junho, com detenções de apoiantes em todo o país.
Do ponto de vista de Daca, a leitura é distinta. Desde a queda de Hasina, um governo interino liderado pelo Nobel da Paz Muhammad Yunus assumiu o poder e, em fevereiro de 2025, as eleições deram vitória esmagadora ao Partido Nacionalista do Bangladesh (BNP), chefiado por Tarique Rahman. As novas autoridades consideram Hasina foragida, responsável por atos de repressão durante as manifestações que levaram à sua deposição. O tribunal de Daca condenou-a em novembro passado por incitamento e omissão face a atrocidades. Dhaka exige repetidamente a sua extradição, um pedido que Nova Deli ainda não satisfez, gerando atritos bilaterais.
O contexto regional adensa as tensões. A Índia abriga Hasina, mas também procura reconstruir os laços com Daca após a mudança de regime. Na quinta-feira, o novo alto-comissário indiano, Dinesh Trivedi, anunciou o regresso dos vistos turísticos para cidadãos bangladeshianos, suspensos desde agosto de 2024. Segundo analistas em Nova Deli, este gesto visa aliviar o mal-estar diplomático e responder à crescente influência chinesa, patente na visita de Estado de Tarique Rahman a Pequim. Contudo, observadores em Lisboa e Brasília notam que a declaração de Hasina complica a já delicada relação, podendo reacender sentimentos anti-Índia no Bangladesh e prejudicar a minoria hindu, que a ex-primeira-ministra diz estar sob ataque.
A situação política no Bangladesh continua frágil. Enquanto Hasina insiste num regresso que considera inevitável, o governo de Daca reforçou a presença militar para conter eventuais protestos. O impasse em torno da extradição mantém-se como uma das principais fontes de disputa entre Nova Deli e Daca, sem perspetivas de resolução iminente.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A ex-primeira-ministra Sheikh Hasina, rotulada de foragida pelas atuais autoridades, promete retornar a Bangladesh este ano apesar da sentença de morte à revelia. Seu voto surge em meio a sinais de degelo nas relações bilaterais, com a retomada pela Índia dos vistos de turista para cidadãos de Bangladesh.
Sheikh Hasina retrata seu planejado retorno como uma luta para restaurar a democracia e proteger as minorias sob ataque em Bangladesh. Suas declarações, divulgadas a partir de Dubai, enquadram a sentença de morte e a proibição de seu partido como manobras políticas de um regime ilegítimo.
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