
Segurança social iraniana gasta 210 biliões de riais por mês com receitas abaixo de 120 biliões; reformados protestam
O défice estrutural da previdência no Irão agrava-se com o envelhecimento e os efeitos da guerra, enquanto a Indonésia combate custos de saúde com prevenção.
A organização de segurança social do Irão revelou que as suas despesas mensais ultrapassam os 210 biliões de riais, mas a cobrança de contribuições mal chega aos 120 biliões — um défice que já não cobre sequer o pagamento das pensões. No mesmo dia, milhares de reformados protestaram em cidades como Teerão, Ahvaz e Kermanshah contra a degradação do poder de compra e os cortes nos serviços de saúde.
A deterioração financeira decorre do rápido envelhecimento populacional, do impacto económico dos conflitos regionais e da redução da atividade empresarial, que diminuiu a arrecadação. O diretor-geral, Mostafa Salari, advertiu que sem reformas estruturais o governo será forçado a cobrir o rombo, pressionando o orçamento público e gerando mais inflação. Salientou ainda que, se o peso total da organização recaísse sobre o Estado, nenhum executivo conseguiria suportá-lo sem consequências macroeconómicas graves.
Os manifestantes, incluindo em Shush e em províncias de Gilan, entoavam slogans que ligavam a crise económica à "beligerância" e exigiam o cumprimento da lei que obriga a atualizações anuais das pensões alinhadas com o custo de vida. Na perspetiva de Teerão, a organização propôs 12 medidas corretivas que, sem aumentar encargos para trabalhadores e empregadores, poderiam zerar o défice em condições normais. Paralelamente, estão em curso 32 programas de eficiência interna, com destaque para a digitalização e a unificação de sistemas.
Na Indonésia, a seguradora pública de saúde BPJS Kesehatan enfrenta pressão semelhante: o rácio de sinistralidade atingiu 108,27% em 2025, impulsionado por doenças crónicas e catastróficas. Em resposta, Jacarta está a reforçar a monitorização preventiva de hipertensão e diabetes nos cuidados primários, visando uma taxa de contacto de 150 por cada mil inscritos no programa de gestão de doenças crónicas.
As propostas iranianas aguardam aprovação do governo e do parlamento, enquanto a Indonésia aposta na prevenção para conter custos. O desfecho destas reformas será decisivo para a estabilidade fiscal em ambos os países e ecoa desafios que também pressionam os sistemas de segurança social em economias lusófonas envelhecidas, como Portugal e Brasil.
| Imprensa iraniana e afins | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.80 | critical |
The Iranian government presents itself as the ultimate guarantor of the pension system, absorbing concerns with statements of stability and corrective measures.
It ascribes a paternal role to the state that protects citizens from crises, downplaying the deficit through trust in institutions.
It omits the street protests by retirees and the chronic resource shortfall, which emerge in independent reports.
Retirees are victims of an indifferent government, forced to protest for basic denied rights.
It emphasizes personal stories of hardship and protest imagery to generate empathy and moral condemnation, presenting the crisis as a matter of social justice.
It omits government guarantees and reform plans, as well as the macroeconomic context affecting the deficit.
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