
Salah em dúvida para duelo que pode redefinir a história de Austrália e Egito no Mundial
A incerteza sobre a condição física do astro egípcio domina a véspera do confronto dos 16 avos de final, enquanto os Socceroos tentam quebrar um tabu de nunca terem vencido um jogo eliminatório na Copa.
A grande interrogação que paira sobre o AT&T Stadium, em Arlington, não é tática, mas clínica. Mohamed Salah, capitão e referência ofensiva do Egito, realizou apenas treinos parciais após sentir um problema nos isquiotibiais na partida contra o Irão, e o selecionador Hossam Hassan admitiu não ter a certeza de que o jogador será titular. A dúvida transformou-se no eixo central da preparação para o duelo desta sexta-feira, que coloca frente a frente duas seleções com trajetos de grupo semelhantes — ambas segundos classificados, ambas invictas em dois dos três jogos — mas com ambições históricas muito distintas.
A Austrália chega a este jogo a eliminar como a única representante da Ásia ainda viva no torneio, depois das eliminações precoces de Japão, Coreia do Sul e Arábia Saudita. A equipa de Tony Popovic construiu a qualificação com um futebol de contenção e transições rápidas: venceu a Turquia por 2-0, perdeu com os anfitriões norte-americanos e empatou a zero com o Paraguai, exibindo a segunda defesa mais eficaz da fase de grupos em termos de golos esperados por remate sofrido. A posse de bola média de 34% não disfarça a eficácia nos contragolpes, onde a velocidade de Nestory Irankunda e a disciplina tática de jogadores como Alessandro Circati e Harry Souttar oferecem uma plataforma sólida. Na perspetiva de Sydney, o discurso é de ambição contida: “Se não sofreres golos, não perdes”, resumiu o médio Ajdin Hrustic, ecoando a filosofia pragmática que permitiu aos Socceroos alcançar os oitavos de final em 2006 e 2022, mas nunca vencer um jogo a eliminar.
Do lado egípcio, a campanha já entrou para a história com a primeira vitória de sempre numa fase de grupos, um triunfo por 3-1 sobre a Nova Zelândia que quebrou um jejum de 92 anos. A equipa de Hassan chega invicta, com dois empates a 1-1 frente a Bélgica e Irão, e um ataque que, mesmo sem Salah a 100%, conta com Omar Marmoush e Trezeguet para desequilibrar. A imprensa do Cairo sublinha que a dúvida sobre o astro do Liverpool — atualmente sem clube após o fim do contrato — é também uma questão emocional: Salah participou diretamente em três dos cinco golos da equipa e a sua eventual ausência obrigaria a uma reorganização profunda do plano de jogo. O próprio Hassan, contudo, rejeitou a ideia de que o físico australiano seja um fator determinante, lembrando que “Maradona e Messi não eram altos” e que “não estamos a jogar râguebi, mas futebol”.
O confronto é também um duelo de estilos que observadores na Europa descrevem como um choque entre a paciência defensiva australiana e a imprevisibilidade ofensiva egípcia. A Austrália deverá procurar controlar o ritmo, forçar duelos individuais e explorar as bolas paradas, enquanto o Egito tentará impor a sua qualidade técnica e a capacidade de criar chances a partir de meias-ocasiões. O historial de confrontos diretos é escasso e remonta a um particular de 2010, vencido pelo Egito por 3-0 no Cairo, mas o contexto atual é radicalmente diferente. Para os Socceroos, vencer significaria igualar o seu melhor resultado de sempre e, pela primeira vez, festejar uma vitória num mata-mata; para os Faraós, seria a confirmação de uma geração que começa a traduzir o domínio continental africano em resultados globais.
O vencedor deste duelo em Dallas terá pela frente, nos oitavos de final, o vencedor do confronto entre Argentina e Cabo Verde, marcado para 7 de julho em Atlanta. A perspetiva de um encontro com a campeã mundial em título adensa a responsabilidade de ambas as equipas, que sabem que a oportunidade de fazer história pode não se repetir tão cedo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A partida é enquadrada como um espetáculo centrado no poder de estrela de Mohamed Salah, com encontros de adeptos e horários alargados dos pubs a sublinhar o apelo cultural do evento. A Austrália é retratada como o azarão resiliente que espera estragar a festa egípcia, enquanto a condição física de Salah permanece a interrogação decisiva.
O Egito entra em campo na sequência de uma campanha histórica no Mundial, tendo já quebrado várias barreiras, e agora ambiciona a primeira vitória em eliminatórias. O possível regresso de Mohamed Salah é tratado como um imperativo nacional, com todo o mundo árabe a observar para ver se os Faraós conseguem prolongar o sonho.
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