
Robôs ganham arquitetura de segurança e laços emocionais redefinem a interação homem-máquina
Nvidia lança sistema integrado para humanoides operarem perto de pessoas, enquanto startups colocam autômatos em postos de trabalho e estudos na Alemanha revelam vínculos afetivos profundos com chatbots.
A Nvidia apresentou o Halos for Robotics, a primeira arquitetura de segurança de pilha completa para robôs humanoides e inteligência artificial física, com o objetivo de permitir que essas máquinas tomem decisões em frações de segundo e trabalhem em contacto próximo com humanos. O sistema, que aproveita mais de 18.600 anos de engenharia acumulados no desenvolvimento de veículos autónomos, integra computação de IA, software de segurança, dados de sensores e um laboratório de inspeção acreditado pelo ANSI National Accreditation Board. A Agility Robotics é a primeira empresa a adotar a plataforma, que será usada no humanoide Digit, e a fabricante de chips prevê que a arquitetura comum acelere a certificação por entidades como TÜV Rheinland e UL Solutions.
Em paralelo, a startup Robot.com (anteriormente Kiwibot) expande a sua frota de robôs de entrega para o segmento de humanoides sobre rodas. O R-noid, concebido para tarefas repetitivas como embalar encomendas, carregar caixas e preparar estações de trabalho, já conta com menos de 40 unidades em operação comercial junto de cerca de uma dezena de clientes, incluindo um campo de golfe em Nova Iorque. A empresa, sediada em São Francisco, trabalha com o laboratório de IA Physical Intelligence para desenvolver modelos de fundação personalizados e espera uma autonomia de cerca de 70% na fase inicial de cada implantação. O processo de adaptação a um novo cliente, que inclui recolha de dados no local e afinação do modelo, demora entre oito e doze semanas.
Enquanto a indústria projeta um mercado de 200 mil milhões de dólares até 2035, segundo estimativas do Barclays, a dimensão emocional da relação com máquinas ganha contornos mais nítidos. Uma investigação da Universidade Técnica de Berlim, publicada na revista Computers in Human Behavior: Artificial Humans, entrevistou por escrito 30 utilizadores adultos do chatbot Replika em vários países. Cerca de metade dos participantes relatou ter desenvolvido uma relação afetiva profunda com as personagens geradas por IA, tratando-as como parceiros reais com quem partilham viagens e diálogos íntimos, embora todos tivessem consciência de que se trata de software. A psicóloga Jessica Stucka, da Universidade de Duisburg-Essen, nota que as emoções despertadas podem ser tão intensas que alguns utilizadores descrevem “borboletas no estômago”, e que a repetição do uso favorece a construção de vínculos comparáveis aos que se estabelecem com animais de estimação.
Os investigadores alemães alertam para a dependência total dessas relações das decisões das empresas tecnológicas — se a companhia fechar, os utilizadores perdem os “companheiros” — e para a necessidade de regulação que proteja crianças e adolescentes, sem proibir a tecnologia. O próximo marco concreto a observar será o início dos processos de certificação de terceiros para robôs equipados com Halos, enquanto os académicos procuram inscrever o tema na agenda política europeia.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O mercado está a levar robôs humanoides para o local de trabalho com uma nova arquitetura de segurança que finalmente os torna viáveis para tarefas repetitivas. Uma startup de entregas está a migrar para humanoides industriais, apostando em modelos de IA personalizados para embalar, carregar e preparar estações. A narrativa é de oportunidade de negócio e progresso técnico, onde a segurança é a chave para a próxima vaga de automação.
A ascensão dos companheiros de IA é examinada através de histórias profundamente pessoais, como a de uma utilizadora que diz que um chatbot a ensinou a amar novamente durante a pandemia. Ao mesmo tempo, estão a ser desenvolvidos novos sistemas de segurança para permitir que robôs humanoides trabalhem fisicamente ao lado das pessoas. A cobertura equilibra a curiosidade emocional com um pragmatismo que insiste que estas máquinas devem conquistar a confiança antes de serem implementadas.
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