
Queiroz evoca dever africano e memória de preparador falecido antes do duelo com a Colômbia
Técnico português de Gana recorda o guarda-redes Des McAleenan, vítima da pandemia, e diz que a pressão dos oitavos-de-final é um privilégio, não um problema.
A conferência de imprensa de Carlos Queiroz na véspera do jogo com a Colômbia transformou-se num momento de alta carga emocional e reivindicação. O treinador português, que orientou a seleção cafetera entre 2019 e 2020, aproveitou o palco do Kansas City Stadium para recordar Des McAleenan, o preparador de guarda-redes que morreu após uma depressão profunda, agravada pelo isolamento de 21 dias num quarto de hotel em Bogotá durante a pandemia. “A federação colombiana tem a oportunidade de reparar o que aconteceu ao Des e à sua família”, afirmou Queiroz, sublinhando que o jogo de sexta-feira deve servir para “celebrar a vida”.
A partida, que define um lugar nos oitavos-de-final do Mundial de 2026, coloca frente a frente duas equipas com percursos distintos na fase de grupos. Gana avançou como um dos melhores terceiros classificados, depois de vencer o Panamá (1-0), empatar com a Inglaterra (0-0) e perder com a Croácia (2-1). A Colômbia, invicta, liderou o Grupo K com sete pontos, fruto de triunfos sobre Uzbequistão e RD Congo e de um empate com Portugal. O capitão ganês Jordan Ayew desvalorizou a derrota frente aos croatas, classificando-a como “um jogo atípico”, e garantiu que a equipa está taticamente preparada para um duelo que, na sua ótica, “começa 50-50”.
Na perspetiva de Lisboa, a experiência de Queiroz em fases a eliminar — esta é a sua quinta presença consecutiva em Mundiais, tendo orientado Portugal, Irão, Egito e agora Gana — é vista como um trunfo decisivo. O técnico, de 73 anos, assumiu o comando dos Black Stars em abril e incutiu uma disciplina defensiva que permitiu sofrer apenas dois golos na primeira fase. “O verdadeiro Mundial começa agora”, disse, ecoando uma confiança partilhada por observadores em Brasília, que acompanham com interesse o desempenho das seleções sul-americanas no torneio organizado por Canadá, México e Estados Unidos.
O contexto africano pesa sobre o encontro. Das nove equipas do continente que chegaram aos dezasseis-avos-de-final, apenas Marrocos garantiu até agora a passagem aos oitavos. Senegal, Costa do Marfim e RD Congo foram eliminados, o que levou Queiroz a falar num “dever” de manter viva a esperança africana. “Está sobre os nossos ombros a responsabilidade de acrescentar mais uma equipa africana à próxima eliminatória”, afirmou. Em Luanda, a imprensa desportiva destaca o simbolismo do momento para as nações lusófonas, que veem no percurso de Gana um espelho das ambições de Angola, Moçambique e Cabo Verde em futuras competições.
O vencedor do duelo, agendado para a madrugada de sábado (01h30 GMT), defrontará nos oitavos-de-final o vencedor do Suíça-Argélia. Para Gana, regressar a essa fase dezasseis anos depois da histórica campanha nos quartos-de-final da África do Sul 2010 é o objetivo imediato. Ayew, que em adolescente assistiu à vitória sobre os Estados Unidos nesse Mundial, prometeu “fazer um espetáculo” e “deixar África e o Gana orgulhosos”.
| Imprensa africana subsaariana | +0.60 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
| Imprensa latino-americana | −0.20 | neutral |
Ghana must honor Africa: it is a moral and sporting duty that cannot be shirked.
It builds a collective African identity opposed to an external 'other' (Colombia, Europe), turning a match into a test of continental dignity.
It omits that Ghana has failed similar calls in the past, and does not discuss Colombia's technical standing as an opponent.
Queiroz tries to motivate Ghana with a duty speech, but the match is decided on the pitch, not by words.
It adopts a detached, analytical tone, treating the appeal as one element among many, reducing its moral weight to mere communication strategy.
It does not report Ghanaian players' reactions or the historical context of Africa-Colombia relations, which could lend depth to the appeal.
Ghana talks about duty, but Colombia plays football, not continental missions.
It dismantles the appeal by reducing it to a weak motivational strategy, contrasting Colombian pragmatism with African rhetoric.
It does not acknowledge the legitimacy of pan-African sentiment nor cite precedents of continental solidarity in football.
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