
Queiroz afirma que Colômbia 'não é perfeita' e cobra dever africano de Gana
Técnico português usa conferência de véspera para elevar a pressão sobre os sul-americanos, recordar tragédia pessoal e enquadrar o duelo dos dezasseis-avos como uma missão continental.
A exigência de uma atuação irrepreensível durante 90 ou 120 minutos dominou a antevisão de Carlos Queiroz para o confronto entre Gana e Colômbia, nos dezasseis-avos de final do Mundial de 2026. Em Kansas City, o treinador português rejeitou a ideia de favoritismo e declarou que “não há equipas perfeitas, a Colômbia não é perfeita”, sublinhando que o jogo de eliminação direta não admite erros. A frase, repercutida com destaque pela imprensa de Bogotá, foi interpretada por analistas colombianos como uma tentativa de transferir o peso da responsabilidade para o conjunto de Néstor Lorenzo, ao mesmo tempo que Queiroz elogiava a organização tática do adversário.
A narrativa ganhou uma dimensão continental quando o selecionador ganês, de 73 anos, classificou como “dever” a missão de juntar mais uma seleção africana aos oitavos de final. Observadores em Acra e Lagos notam que o discurso surge num momento de frustração para o futebol do continente: das nove equipas africanas que superaram a fase de grupos, apenas Marrocos garantira vaga na ronda seguinte até ao momento, enquanto Senegal, Costa do Marfim e RD Congo caíram em jogos em que, segundo a leitura predominante na África Ocidental, faltou ambição nos minutos finais. Queiroz afirmou que “está sobre os nossos ombros melhorar estas estatísticas” e que os jogadores têm no “sangue” a combatividade necessária para inverter a tendência.
A conferência ficou ainda marcada pelo regresso emotivo ao passado do técnico na Colômbia. Queiroz recordou o falecimento do preparador de guarda-redes Des McAleenan, vítima de depressão profunda após um isolamento de 21 dias em Bogotá durante a pandemia, e pediu publicamente à Federação Colombiana de Futebol que “repare o que aconteceu” com a família do irlandês. A imprensa de Bogotá descreveu o momento como um dos mais emotivos da véspera, enquanto o treinador português procurava encerrar o assunto ao afirmar que o jogo de sexta-feira deve servir para “celebrar a vida”.
O capitão Jordan Ayew, por sua vez, evocou a campanha de 2010, quando Gana atingiu os quartos de final na África do Sul, e garantiu que a equipa fará “África orgulhosa e o Gana orgulhoso”. A partida no Kansas City Stadium, com pontapé de saída na madrugada de sábado em Portugal e no Brasil, coloca frente a frente dois estilos distintos e um lugar nos oitavos de final. O vencedor seguirá para a próxima fase, enquanto o derrotado encerrará a participação no torneio organizado por Canadá, México e Estados Unidos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
2 grupos editoriais · 2 idiomas
A declaração de Queiroz de que 'a pressão é um privilégio' é vista como uma jogada psicológica para intimidar a Colômbia. A narrativa minimiza a forma recente da Colômbia e destaca o espírito de luta de Gana, mas com um toque de ceticismo sobre se isso será suficiente.
As palavras de Queiroz são celebradas como uma poderosa ferramenta motivacional, galvanizando Gana a abraçar o desafio. A narrativa retrata Gana como um azarão determinado pronto para lutar, com a experiência do treinador vista como um ativo chave.
Amplie o olhar
Funeral de Khamenei atrai multidões e revela fraturas no Irão pós-guerra
9 idiomas · 47 veículos
De Economy & MarketsBYD se prepara para retomar liderança global em elétricos enquanto crise industrial abala a Europa
3 idiomas · 13 veículos
De TechnologySpaceX nega ter mostrado protótipo de dispositivo de IA a investidores
4 idiomas · 4 veículos