
Quatro policiais são detidos por saque em escombros de terremoto na Venezuela
Agentes do CICPC foram filmados por moradores ao se apropriarem de dinheiro em La Guaira; governo promete punição exemplar em meio a críticas sobre a conduta das forças de segurança.
Quatro agentes do Corpo de Investigações Científicas, Penais e Criminalísticas (CICPC) da Venezuela foram detidos e expulsos da corporação após serem acusados de se apropriar de valores encontrados entre os destroços do duplo terremoto que atingiu o estado de La Guaira, segundo comunicado oficial divulgado na terça-feira. Vídeos que circularam nas redes sociais mostram moradores a confrontar os policiais, que portavam maços de dólares retirados dos escombros de edifícios colapsados. Nas imagens, cidadãos rasgam as notas e chamam os agentes de “vergonha”, enquanto exigem que larguem o dinheiro.
O diretor do CICPC, Douglas Rico, afirmou que os funcionários “agiram de maneira indecorosa ao se apropriarem de valores económicos” e que foram imediatamente destituídos e colocados à disposição da justiça. O ministro do Interior, Diosdado Cabello, classificou os atos como “impúdicos, indecentes e imorais” e prometeu “intolerância total” contra quem usar o uniforme para cometer crimes, sobretudo em meio à comoção nacional. O partido opositor Primero Justicia denunciou o “aproveitamento de alguns funcionários do regime” que, em vez de salvar vidas, “buscam enriquecer-se com a tragédia”.
Relatos da imprensa internacional e de equipas de resgate estrangeiras apontam para um quadro mais amplo de saques e obstrução da ajuda humanitária. Voluntários e grupos como os Topos chilenos e mexicanos queixam-se de ter sido repetidamente interrompidos por militares para verificação de documentos, sob suspeita de “espionagem”, e de terem sido pressionados por jornalistas locais a agradecer à presidência. Nas redes sociais, circulam também vídeos não verificados que mostrariam militares a retirar televisores e outros bens de habitações destruídas. O governo, por sua vez, atribui as denúncias a “estratégias de manipulação” e apela a que a população se guie apenas por canais oficiais.
O duplo sismo de 24 de junho, com magnitudes de 7,2 e 7,5, deixou um rasto de destruição no norte do país. O balanço oficial mais recente aponta para 1.943 mortos e 10.571 feridos, mas o coordenador residente da ONU na Venezuela, Gianluca Rampolla del Tindaro, advertiu que o número real de vítimas pode ser superior. As operações de busca por sobreviventes entram na fase final, enquanto as autoridades mantêm a investigação aos quatro agentes detidos e reforçam a presença das forças de segurança para conter a vaga de pilhagens que, segundo testemunhos recolhidos pela AFP, persiste em várias localidades de La Guaira.
| Imprensa latino-americana | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.20 | neutral |
| Imprensa europeia continental | −0.40 | critical |
The betrayed citizenry demands accountability from a state that does not protect but plunders.
The state is personalized as a predatory entity, attributing the actions of a few officers to the entire system to fuel outrage.
It omits that the arrests actually show the justice system at work, and does not compare with similar corruption elsewhere.
An external observer analyzes facts without emotional involvement, seeking universal lessons about policing in disasters.
The problem is universalized: it is not just Venezuelan, but possible anywhere, neutralizing specific criticism of the government.
It does not delve into the Venezuelan political context, nor cite similar cases elsewhere for comparison.
A structural analysis places the episode in a hierarchy of threats to the rule of law in Venezuela.
The incident is embedded in a broader narrative of institutional fragility, making it an example of a systemic crisis.
It does not consider possible mitigating factors like the psychological pressure of the disaster on officers, nor compares with corruption rates elsewhere.
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