
Projétil dos EUA atinge área da central nuclear de Bushehr, acusa Irão
O ataque ocorreu após o presidente Trump declarar o fim do cessar-fogo, enquanto Teerão retaliou contra bases americanas no Golfo e o conflito se intensifica.
Um projétil norte-americano atingiu o perímetro da central nuclear de Bushehr, no sudoeste do Irão, na tarde de 9 de julho, segundo o vice-governador da província, Ehsan Jahanian, citado pela agência estatal IRNA. O impacto não causou danos à instalação nem vítimas, mas ocorreu num contexto de nova escalada militar. O Ministério da Saúde iraniano contabilizou 14 mortos e 78 feridos em dois dias de bombardeamentos dos EUA, que na noite anterior tinham atingido cerca de 90 alvos militares, incluindo sistemas de defesa aérea e depósitos de mísseis, de acordo com o Comando Central norte-americano.
A ofensiva foi desencadeada depois de o presidente Donald Trump ter declarado, a 8 de julho, o fim do memorando de cessar-fogo assinado em junho, acusando Teerão de atacar navios comerciais no Estreito de Ormuz. Na perspetiva de Washington, os ataques visam degradar a capacidade iraniana de ameaçar a navegação. O Irão nega as acusações e afirma que os EUA violaram os termos do acordo. Em retaliação, a Guarda Revolucionária iraniana lançou mísseis e drones contra as bases norte-americanas de Arifjan e Ali Al Salem, no Kuwait, e de Juffair e Sheikh Isa, no Bahrein, além de disparar projéteis intercetados pela Jordânia. O Kuwait confirmou a interceção de três mísseis balísticos, um míssil de cruzeiro e dez drones, registando um ferido e danos materiais.
O ataque nas imediações da única central nuclear operacional do Irão, construída com participação da russa Rosatom, reacendeu receios de segurança nuclear. Em abril, a Rosatom evacuara temporariamente o seu pessoal devido a bombardeamentos anteriores. Observadores em Moscovo sublinham o risco de um incidente com consequências transfronteiriças. A escalada provocou uma subida superior a 7% no preço do barril de Brent, que ultrapassou os 79 dólares, e perdas nas principais bolsas europeias e asiáticas. Em São Paulo, o índice B3 recuou quase 1%. Os países do Conselho de Cooperação do Golfo apelaram ao Conselho de Segurança da ONU para condenar os ataques iranianos e garantir a liberdade de navegação no Estreito de Ormuz.
O conflito remonta a 28 de fevereiro de 2026, quando os EUA e Israel iniciaram operações contra a infraestrutura nuclear e militar iraniana, após o impasse nas negociações sobre o programa atómico. Um cessar-fogo provisório fora alcançado em junho, com mediação de Omã, Catar e Paquistão, mas as conversações diretas e indiretas estão agora paralisadas. Na perspetiva de Teerão, a exigência norte-americana de desmantelamento total do enriquecimento de urânio é inaceitável. Fontes em Washington, citadas pelo portal Axios, indicam que a continuação da escalada depende das ações iranianas no Estreito de Ormuz. A cimeira da NATO em Ancara, onde Trump anunciou o fim da trégua, decorre sob o signo de uma crise que, para aliados como Portugal, testa a coesão transatlântica. Não há data prevista para a retoma das negociações.
| Imprensa latino-americana | −0.40 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | −0.50 | critical |
A América Latina denuncia o ataque dos EUA como uma violação do cessar-fogo e uma ameaça à segurança nuclear.
A América Latina utiliza exclusivamente fontes oficiais iranianas e enfatiza a proximidade ao reator para construir uma narrativa de agressão injustificada.
A América Latina omite a presença de trabalhadores russos na usina, um detalhe que poderia relativizar a gravidade do ataque.
A Rússia denuncia o ataque conjunto dos EUA e Israel como uma violação do cessar-fogo e uma ameaça à segurança nuclear, destacando a presença de pessoal russo.
A Rússia utiliza fontes iranianas e enfatiza a presença de pessoal russo para internacionalizar o conflito e apresentar o ataque como uma ameaça direta aos seus interesses.
A Rússia omite que os Estados Unidos não confirmaram o ataque, o que enfraquece a acusação direta.
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