
Presidente da federação saudita demite-se após eliminação no Mundial e assume 'responsabilidade total'
Yasser Al-Misehal deixa o cargo depois de a Arábia Saudita somar dois pontos no Grupo H, enquanto Cabo Verde, país lusófono, faz história ao avançar para os oitavos de final.
O presidente da Federação Saudita de Futebol, Yasser Al-Misehal, anunciou esta segunda-feira a sua demissão, assumindo 'total responsabilidade' pela eliminação da seleção nacional na fase de grupos do Campeonato do Mundo de 2026. A decisão surge horas depois de a Arábia Saudita empatar a zero com Cabo Verde, resultado que deixou os sauditas no último lugar do Grupo H, com apenas dois pontos, e permitiu à equipa cabo-verdiana, país de língua oficial portuguesa, garantir pela primeira vez na sua história um lugar nos oitavos de final da competição.
A campanha saudita na América do Norte ficou marcada pela incapacidade de vencer. Depois de um empate a uma bola com o Uruguai na jornada inaugural, a equipa sofreu uma derrota pesada por 4-0 frente à Espanha. Na terceira e decisiva ronda, precisava de bater Cabo Verde para alimentar esperanças de qualificação, mas o nulo final selou o destino de ambos: os africanos, segundos classificados do grupo atrás da Espanha, festejaram um feito inédito, enquanto os sauditas repetiram a eliminação precoce que já tinham vivido no Qatar, em 2022. A seleção da Arábia Saudita, que participava pela sétima vez num Mundial, ambicionava repetir a presença nos oitavos de final alcançada em 1994, nos Estados Unidos, mas não foi além de dois empates e uma derrota.
Al-Misehal, de 52 anos, estava à frente da federação desde junho de 2019 e fora reconduzido para um novo mandato de quatro anos até 2027. Num comunicado divulgado na rede social X, agradeceu ao rei e ao príncipe herdeiro pelo apoio 'ilimitado' ao futebol saudita, mas reconheceu que a não qualificação 'não corresponde às nossas ambições'. 'Decidi não continuar até ao final do atual ciclo', escreveu, anunciando a abertura de eleições para um novo conselho de administração. O seu consulado coincidiu com um investimento maciço do reino no desporto: a liga local atraiu estrelas como Cristiano Ronaldo, Karim Benzema e Neymar, e o país assegurou a organização de eventos como a Supertaça de Espanha, a Supertaça de Itália, o Mundial de Clubes de 2023 e, sobretudo, o Campeonato do Mundo de 2034, além da Taça da Ásia e da Taça do Golfo em 2027.
O desfecho do Grupo H não foi o único momento de drama. Noutro jogo, a Argélia e a Áustria empataram 3-3 num final caótico que reavivou o 'escândalo de Gijón' de 1982, quando um resultado combinado eliminou a Argélia. Desta vez, um golo austríaco no sexto minuto de compensação, após um período de aparente inação, garantiu a qualificação de ambas e afastou o Irão. Analistas no Brasil sublinham que, enquanto a polémica se instalava, a demissão de Al-Misehal evidencia a pressão sobre as federações em países que apostam forte no futebol.
A federação saudita iniciará o processo eleitoral para escolher um novo líder, que terá a missão de preparar a seleção para a Taça da Ásia de 2027, em casa, e de continuar o caminho até ao Mundial de 2034. Para Cabo Verde, o feito histórico projeta o país lusófono para os oitavos de final, onde tentará prolongar um percurso já histórico.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O presidente da federação saudita de futebol renunciou assumindo total responsabilidade pela eliminação precoce na Copa do Mundo. Agradeceu à liderança e pediu desculpas aos torcedores, afirmando que o resultado ficou aquém das ambições. A federação abrirá agora candidaturas para um novo conselho.
O chefe do futebol saudita renunciou após a 'catástrofe' da eliminação na fase de grupos da Copa. A equipe somou apenas dois pontos, um resultado descrito como muito aquém das expectativas. A renúncia é apresentada como uma admissão de fracasso.
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