
Petróleo sobe após ataques entre EUA e Irão, mas acordo de trégua trava escalada
Preços recuperam parte das perdas da semana passada com novas perturbações no Estreito de Ormuz, enquanto Washington e Teerão concordam em retomar negociações no Catar.
Os preços do petróleo subiram na sessão de segunda-feira, 29 de junho, depois de um fim de semana de ataques recíprocos entre os Estados Unidos e o Irão ter voltado a perturbar a navegação no Estreito de Ormuz. O barril de Brent para entrega em agosto avançou 0,8%, para 72,57 dólares, enquanto o West Texas Intermediate (WTI) norte-americano ganhou 1,3%, para 70,11 dólares. A valorização, contudo, foi contida pelo anúncio, no final do dia de domingo, de que os dois países concordaram em suspender as hostilidades e retomar as conversações técnicas no Catar, esta terça-feira.
A recuperação parcial surge depois de o Brent ter perdido 10,6% na semana anterior, a terceira queda semanal consecutiva, quando o tráfego de petroleiros no estreito atingiu o nível mais elevado desde o início do conflito, em fevereiro. A retoma dos ataques a navios a partir de quinta-feira — incluindo um petroleiro ligado ao Catar — e as posteriores retaliações militares de Washington e Teerão inverteram a tendência, evidenciando a fragilidade do memorando de entendimento provisório assinado a 17 de junho. Analistas de instituições financeiras globais, como o ANZ e o ING, alertam que o mercado poderá estar a subestimar os riscos de oferta, uma vez que os fluxos físicos continuam limitados por congestionamentos de navios, infraestruturas danificadas e paragens de produção.
A perspetiva de uma recuperação rápida do fornecimento a partir do Golfo Pérsico é posta em causa por estrangulamentos logísticos que, segundo estimativas do ANZ, podem adiar o regresso aos níveis pré-conflito até ao final do ano. A retoma das operações de carregamento da Saudi Aramco no terminal de Ras Tanura, na sexta-feira, após quase quatro meses de interrupção, foi um sinal de normalização, mas a queda de um helicóptero da empresa no domingo, que causou 14 mortos, sublinha a volatilidade do ambiente operacional. Em paralelo, os mercados acionistas globais mostraram sinais mistos: as bolsas europeias registaram ligeiras subidas, enquanto os índices asiáticos encerraram sem direção única, pressionados por preocupações com as valorizações no setor da inteligência artificial.
O dólar manteve-se próximo de máximos de um ano, sustentado pela expectativa de que a Reserva Federal dos EUA suba as taxas de juro pelo menos uma vez em 2026, uma inversão face às previsões de cortes anteriores ao conflito. Este fortalecimento da moeda norte-americana penalizou o ouro, que acumula uma desvalorização de 13% no segundo trimestre, a maior queda trimestral desde 2013. O foco vira-se agora para a reunião técnica de terça-feira em Doha, onde as delegações dos EUA e do Irão tentarão resolver o diferendo sobre o Estreito de Ormuz, enquanto os investidores monitorizam os próximos dados do mercado de trabalho norte-americano, que poderão influenciar a trajetória das taxas de juro.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Os Estados Unidos violaram o memorando de paz provisório ao lançar novos ataques, o que elevou os preços do petróleo. A agressão de Washington mina o frágil cessar-fogo e ameaça a estabilidade do transporte de energia pelo Estreito de Ormuz. A reação do mercado reflete o risco criado pelo unilateralismo americano.
Os ataques renovados entre os EUA e o Irã expuseram a fragilidade do acordo de paz provisório, fazendo os preços do petróleo subirem. O memorando assinado em junho previa o levantamento de sanções e o fim do bloqueio naval, mas a última escalada voltou a desacelerar o tráfego de petroleiros por Ormuz. Os mercados permanecem céticos quanto à durabilidade do cessar-fogo, apesar da retomada das conversas técnicas.
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