
África faz história com nove seleções nos dezasseis-avos do Mundial 2026
O continente africano colocou 90% das suas equipas na fase a eliminar, um recorde absoluto, enquanto a Europa mantém o favoritismo e a Ásia sai frustrada da fase de grupos.
Nove das dez seleções africanas presentes na fase de grupos do Mundial 2026 garantiram um lugar nos dezasseis-avos de final, um feito inédito que reescreve a história do torneio. Apenas a Tunísia ficou pelo caminho, enquanto Cabo Verde, República Democrática do Congo e Argélia emergiram como surpresas, juntando-se a confirmações como Marrocos, Senegal e Costa do Marfim. Os números são eloquentes: África registou uma taxa de apuramento de 90%, superando a América do Sul (83%) e a Europa (81%). Em campo, Cabo Verde travou a Espanha com um empate sem golos e segurou um 2-2 com o Uruguai, a RD Congo venceu o Uzbequistão por 3-1 na sua primeira vitória em Mundiais e a Argélia arrancou um 3-3 dramático com a Áustria nos instantes finais. O guarda-redes cabo-verdiano Vozinha, aos 40 anos, tornou-se um fenómeno global ao ver a sua legião de seguidores no Instagram disparar de 50 mil para mais de 16 milhões após a exibição contra os espanhóis.
O sucesso africano é atribuído, na perspetiva de dirigentes do continente, a anos de investimento em formação de jovens, infraestruturas e na integração precoce de talentos com dupla nacionalidade que atuam nas principais ligas europeias. O presidente da Confederação Africana de Futebol, Patrice Motsepe, felicitou as federações e sublinhou o trabalho de base que permitiu a nove países sonharem com voos mais longos. O antigo internacional francês Thierry Henry, comentador na Fox Sports, destacou a capacidade das seleções africanas de recrutarem jogadores elegíveis ainda em fase de afirmação, o que tem acelerado a competitividade coletiva. Marrocos, que há quatro anos foi a primeira equipa africana a atingir as meias-finais, empatou 1-1 com o Brasil na fase de grupos e alimenta a ambição de repetir uma campanha profunda.
Na Europa, a análise divide-se. Observadores em Lisboa e Madrid reconhecem que o alargamento para 48 seleções trouxe histórias cativantes e uma fase de grupos com mais golos do que qualquer edição desde 1958, mas apontam a escassa pressão sobre as grandes potências como a principal fragilidade do formato. O apuramento das oito melhores terceiras classificadas gerou jogos de risco reduzido e, em alguns casos, atuações próximas de um amigável — a Áustria-Algéria e o Paraguai-Austrália foram citados como exemplos de partidas em que o resultado pareceu conveniente a ambos. Ainda assim, a qualidade geral das estreantes foi validada: apenas seis equipas terminaram sem pontos, e o Curaçau, o país mais pequeno a qualificar-se, conseguiu um ponto frente ao Equador. Nos modelos preditivos de bancos como o Goldman Sachs e o Bank of America, a França surge como principal favorita ao título, seguida de perto pela Argentina e pela Espanha; o Brasil aparece em quarto ou quinto lugar, com probabilidades entre 7% e 9%.
O contraste com a Ásia é gritante. Das nove seleções do continente, só o Japão e a Austrália sobreviveram à fase de grupos, um desempenho que, na leitura de analistas em Tóquio e Riade, expõe a dificuldade de dar sequência ao impulso do Mundial do Catar. A Coreia do Sul, a Arábia Saudita e o Irão, entre outros, não conseguiram traduzir a presença de jogadores em ligas europeias em maturidade tática nos momentos decisivos. Com os dezasseis-avos já em curso, o Canadá eliminou a África do Sul com um golo no último minuto, e o Brasil defronta o Japão esta segunda-feira, num duelo que as projeções do economista Joachim Klement — que acertou os três últimos campeões — indicavam como o ponto de paragem da seleção canarinha. Cabo Verde terá pela frente a Argentina de Lionel Messi, enquanto Marrocos mede forças com os Países Baixos, num confronto que testará se a pujança africana resiste à pressão do mata-mata.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Nove das dez seleções africanas chegaram às oitavas de final, um recorde que reescreve a história do futebol mundial. O continente celebra um momento de orgulho e revanche, vendo nesse feito a prova de que a distância para as potências tradicionais está diminuindo. O desempenho abre perspectivas concretas para uma maior representação em torneios futuros.
Nunca tantas seleções africanas haviam chegado às oitavas de final de uma Copa do Mundo: nove de dez, com apenas a Tunísia eliminada. Ao lado de nomes consolidados como Marrocos e Senegal, surpresas como Cabo Verde enriquecem o quadro de um continente em ascensão. O domínio europeu permanece, mas a África conquista um papel de protagonista inesperada.
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