
Papa Leão XIV celebra acordo provisório entre EUA e Irão e pede fim definitivo da guerra
Pontífice elogia memorando de entendimento mediado pelo Paquistão, com assinatura formal prevista para sexta-feira na Suíça, após meses de tensão com Trump.
O papa Leão XIV manifestou esta terça-feira, 16 de junho, a sua profunda satisfação com o acordo provisório alcançado entre os Estados Unidos e o Irão para pôr fim à guerra regional no Médio Oriente. “Graças a Deus”, declarou o pontífice aos jornalistas reunidos em Castel Gandolfo, nos arredores de Roma, sublinhando que as duas potências deverão formalizar o entendimento na próxima sexta-feira, na localidade suíça de Bürgenstock. A notícia, avançada por agências internacionais e confirmada pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros da Suíça, surge num momento em que o Paquistão é apontado como principal mediador do diálogo, embora os detalhes concretos do memorando permaneçam por divulgar.
O gesto do sumo pontífice adquire um significado particular por ocorrer após meses de um confronto verbal aceso com o presidente norte-americano, Donald Trump. Em abril, Leão XIV classificara como “inaceitável” a ameaça de Trump de aniquilar a civilização iraniana, e, ao longo do conflito que envolveu também Israel, não se cansou de advertir que Cristo “não escuta as orações de quem faz a guerra, mas rejeita-as”. A sua intervenção de agora, ao saudar a via negocial, representa, assim, uma reafirmação da diplomacia como único caminho legítimo, mesmo quando persistem “vários pontos por resolver”, como o próprio papa reconheceu.
Na perspetiva de Brasília, o acordo é observado com cautelosa esperança, uma vez que a estabilização do Médio Oriente tende a reduzir a volatilidade dos preços do petróleo, com impacto direto na economia brasileira e nos custos de energia para a indústria e os consumidores. Observadores em Lisboa notam, por seu turno, o simbolismo da escolha da Suíça como palco da assinatura e o papel discreto mas eficaz do Paquistão, que reforça a ideia de uma arquitectura de paz multipolar, distante das lógicas unilaterais que marcaram a retórica de Washington nos últimos meses. No mundo lusófono africano, onde países como Angola e Moçambique contam com significativas comunidades católicas, a mensagem do papa encontra eco num anseio partilhado por soluções negociadas para conflitos prolongados.
A natureza interina do memorando de entendimento não diminui o seu valor simbólico. O primeiro papa norte-americano da história, que já havia desafiado a administração Trump ao apelar repetidamente ao cessar-fogo, coloca agora o peso da sua autoridade moral ao serviço da consolidação de um processo que, espera, “seja verdadeiramente uma solução para a guerra”. A frase “que a guerra tenha terminado de verdade e possamos seguir em frente”, recolhida pela imprensa argentina e italiana, condensa o desejo de que o fim das hostilidades não seja apenas tático, mas definitivo.
A assinatura de sexta-feira em Bürgenstock será, por isso, acompanhada com expectativa redobrada pela comunidade internacional. Resta saber se os pontos ainda por acertar — omissos em todas as versões do comunicado — permitirão transformar um compromisso temporário numa paz duradoura. Para já, a bênção do Vaticano e a convergência de esforços diplomáticos de Islamabad a Berna oferecem um horizonte que, há poucas semanas, parecia inalcançável.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O Papa saudou o acordo, agradecendo a Deus e enfatizando que o diálogo é sempre melhor do que a guerra. O acordo é apresentado como uma vitória da diplomacia iraniana e um passo em direção a uma paz duradoura.
O Papa agradeceu a Deus pelo acordo provisório, lembrando que suas críticas anteriores à guerra haviam irritado Trump. A reportagem permanece neutra, descrevendo o acordo como um passo diplomático com questões não resolvidas.
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