
O carvalho de Robin Hood sucumbe após mil anos: turismo e clima matam ícone de Sherwood
A histórica Major Oak, que segundo a lenda abrigou o fora-da-lei inglês, não resistiu à pressão de milhões de visitantes e a sucessivos verões de seca.
A notícia ecoou como um lamento nas redes sociais e na imprensa internacional: a Major Oak, o carvalho milenar da floresta de Sherwood, em Nottinghamshire, não sobreviveu à primavera de 2025. A Royal Society for the Protection of Birds (RSPB) confirmou que a árvore, com cerca de 1200 anos e famosa por ter servido de refúgio a Robin Hood e ao seu bando de proscritos, não produziu folhas este ano, selando o fim de um dos monumentos naturais mais visitados do Reino Unido.
Na perspetiva dos conservacionistas britânicos, a morte da árvore é o desfecho de uma lenta asfixia. Durante mais de dois séculos, peregrinos e turistas admiraram os seus ramos retorcidos e a copa imponente, compactando o solo à sua volta e estrangulando o sistema radicular. A água das chuvas deixou de infiltrar-se, e as raízes, privadas de oxigénio e nutrientes, definharam. A este fator somaram-se os verões excecionalmente quentes e secos dos últimos anos, que a imprensa europeia associa às alterações climáticas. Além disso, as tentativas de preservação — com correntes metálicas, escoras de madeira e até betão injetado nas cavidades desde 1904 — podem ter interferido com o envelhecimento natural do carvalho, segundo especialistas citados pela imprensa sueca.
A confirmação oficial desfez rumores anteriores de falsas mortes, mas desta vez o golpe é definitivo. “A incapacidade da árvore de produzir folhas este ano é devastadora para todos”, afirmou uma porta-voz da RSPB, citada por jornais britânicos. Apesar do luto, a Major Oak não será removida: permanecerá de pé como madeira morta, um habitat vital para fungos, insetos e aves, e um testemunho silencioso da lenda que a imortalizou. Na perspetiva de Lisboa, onde o sobreiro é árvore nacional protegida, o episódio reforça a urgência de equilibrar a fruição pública com a salvaguarda de espécimes monumentais.
Observadores no Brasil recordam a figueira centenária de São Paulo, também ameaçada pela compactação do solo e pelo crescimento urbano, e sublinham que o caso inglês é um alerta para a gestão de árvores históricas em todo o mundo lusófono. A morte da Major Oak não apaga a lenda de Robin Hood, mas obriga a repensar a relação entre turismo e conservação. O carvalho seco continuará a atrair visitantes, agora como ruína viva, lembrando que até os gigantes mais longevos podem sucumbir ao excesso de amor.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O carvalho milenar de Sherwood, ligado a Robin Hood, morreu depois de não dar folhas nesta primavera. Seca, calor extremo e pressão humana, incluindo tentativas de conservação com correntes e concreto, são apontados como causas. O tronco morto ficará de pé, ainda valioso para o ecossistema, enquanto a lenda sobrevive.
O carvalho de Sherwood foi 'amado até a morte' pelos visitantes, com o solo compactado sufocando-o. Enquanto isso, a lenda de Robin Hood é recontada de forma sombria e violenta – um novo filme transforma o herói popular em anti-herói. O fim da árvore espelha o desvanecimento do mito romântico do fora-da-lei.
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