
Venezuela assina acordos com Shell, GE Vernova, Repsol e Impsa para reativar setor energético
Interinidade de Delcy Rodríguez marca abertura ao capital estrangeiro, com projetos de gás, eletricidade e petróleo que prometem transformar a infraestrutura do país.
O passo mais emblemático da nova fase foi a licença concedida à britânica Shell, a 11 de junho, para explorar o megacampo de gás natural de Loran, abandonado durante 23 anos. Com sete jazidas — seis delas partilhadas com Trinidad e Tobago —, o projeto insere-se na estratégia de converter a Venezuela em exportador de gás e sinaliza o desmantelamento do modelo de controlo estatal que vigorou sob Nicolás Maduro. A presidente interina, Delcy Rodríguez, empossada após a remoção de Maduro por forças norte-americanas em janeiro, tem surpreendido ao abrir setores estratégicos a investidores que antes criticava, num esforço para reanimar uma economia devastada por apagões e colapso produtivo.
No mesmo movimento, o governo interino firmou com a GE Vernova, gigante energético dos Estados Unidos, um memorando de entendimento para reconstruir a rede elétrica nacional. A meta é disponibilizar 1 gigawatt (GW) de potência nos primeiros 24 meses e mais de 5 GW ao longo de quatro anos, respondendo aos blecautes crónicos que paralisam hospitais, indústrias e o quotidiano da população. A assinatura, transmitida pela televisão estatal, foi descrita por Rodríguez como “um passo histórico” para restaurar um serviço essencial, e consolida a presença de capitais norte-americanos num país que até há poucos meses os via como ameaça.
A ofensiva diplomática estendeu-se à Europa e à América do Sul. A estatal PDVSA e a espanhola Repsol assinaram um memorando para expandir a exploração de crude e gás na costa oriental do Lago de Maracaibo, onde já operam a empresa mista Petroquiriquire. Paralelamente, a argentina Impsa — primeira companhia estatizada sob o Governo de Javier Milei — retomou as obras da Central Hidroelétrica Tocoma, um projeto de 2.200 megawatts que inclui duas turbinas Kaplan de 225 MW cada, fabricadas previamente. A empresa trabalha em coordenação com o Departamento de Estado norte-americano, ilustrando a convergência de interesses entre Washington, Buenos Aires e Caracas.
Na perspetiva de Brasília, a reativação de Loran pode, a médio prazo, abastecer o mercado brasileiro por gasodutos, reduzindo a dependência do gás boliviano. Observadores em Lisboa notam que o envolvimento da Repsol se alinha com a estratégia europeia de diversificação energética, e uma Venezuela estável poderia tornar-se fornecedora alternativa para a Península Ibérica. Em Luanda e Maputo, a abertura venezuelana é acompanhada com atenção: Angola e Moçambique, produtores lusófonos de hidrocarbonetos, veem no regresso de Caracas aos mercados globais tanto um potencial concorrente como um exemplo de que ambientes pós-conflito podem atrair grandes consórcios. O desafio central reside em converter os memorandos em contratos operacionais, num quadro institucional ainda frágil. Se bem-sucedida, esta vaga de acordos poderá redefinir o papel da Venezuela na geopolítica da energia.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A Venezuela assinou um acordo com a GE Vernova para reabilitar sua rede elétrica envelhecida, visando restaurar 1 GW de capacidade em dois anos e mais de 5 GW em quatro anos. O acordo representa um passo pragmático para enfrentar os desafios da infraestrutura energética do país.
A Venezuela está reativando seu setor energético com acordos históricos envolvendo Shell, Repsol e GE Vernova, retomando projetos abandonados por décadas. Essas parcerias representam um passo decisivo rumo à soberania energética, restaurando serviços essenciais e posicionando o país como futuro exportador de gás.
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