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Economia e Mercadosquarta-feira, 24 de junho de 2026

Ouro rompe piso de US$ 4.000 e atinge mínima de sete meses sob força do dólar e aposta em juros mais altos

A onça troy recuou 3,4% para US$ 3.968, pressionada pelo dólar no maior nível em 13 meses e pela reavaliação de que o Fed poderá elevar as taxas ainda em 2026; a prata já perdeu mais de metade do valor desde o pico de janeiro.

O preço do ouro no mercado à vista caiu abaixo de US$ 4.000 por onça troy nesta quarta-feira, 24 de junho, pela primeira vez desde novembro de 2025. A cotação recuou 3,4%, para US$ 3.968,41, enquanto os futuros de agosto em Nova Iorque perderam quase 4%, para US$ 3.984,40. A prata acompanhou o movimento e desceu 6%, para US$ 58,28, o menor valor desde dezembro; platina e paládio cederam entre 4% e 5%. O índice DXY do dólar norte-americano avançou a 101,77, o patamar mais elevado em mais de um ano, encarecendo o metal para detentores de outras divisas.

A pressão vendedora decorre de uma mudança rápida nas expectativas para a política monetária dos Estados Unidos. Após a reunião da Reserva Federal de 17 de junho, que manteve a taxa diretora em 3,5%–3,75%, o tom do novo presidente, Kevin Warsh, foi interpretado como hawkish. Operadores passaram a atribuir uma probabilidade superior a 70% a uma subida de 25 pontos base já em setembro, quando uma semana antes essa hipótese rondava os 29%, segundo a ferramenta FedWatch do CME. Nove dos dezoito membros do comité de política monetária sinalizaram pelo menos uma elevação este ano. “Taxas mais altas funcionam como gravidade: puxam para baixo todos os ativos, incluindo os metais preciosos”, resumiu o estratega-chefe do BNP Paribas Fortis, Philippe Gijsels.

O ouro acumula uma desvalorização de cerca de 23% desde o início da intervenção militar dos EUA e de Israel no Irão, no final de fevereiro, contrariando a narrativa de ativo-refúgio. A guerra no Médio Oriente e o bloqueio do Estreito de Ormuz impulsionaram os preços da energia e a inflação, o que, por sua vez, reforçou as perspetivas de aperto monetário. Ao mesmo tempo, os avanços intermitentes nas conversações de paz entre Washington e Teerão — com declarações contraditórias sobre inspeções nucleares e acesso a fundos congelados — introduziram volatilidade adicional. O petróleo Brent recuou mais de 1% após o anúncio de um roteiro para um eventual acordo definitivo.

Para países produtores de ouro em África, como o Gana, onde o metal representa a principal fonte de receitas de exportação e de divisas, a correção prolongada acende alertas. Uma queda sustentada pode comprimir as receitas fiscais, enfraquecer a entrada de moeda estrangeira e dificultar a estabilização cambial, num momento em que o país prossegue a consolidação orçamental e a reestruturação da dívida. No entanto, analistas em Zurique e em Frankfurt notam que as compras dos bancos centrais se mantiveram estáveis em maio, oferecendo um piso informal abaixo dos US$ 3.900. O Goldman Sachs e o Deutsche Bank reviram em baixa as suas projeções para o terceiro e quarto trimestres, mas ainda apontam para uma recuperação gradual.

O próximo marco factual são os dados de despesas de consumo pessoal (PCE) nos EUA, o indicador de inflação preferido da Fed, que serão divulgados na quinta-feira. Um valor acima do esperado pode consolidar as apostas em novas subidas de juros e prolongar a pressão sobre os metais. Paralelamente, os mercados monitorizam os desenvolvimentos nas negociações entre EUA e Irão, cuja trajetória continua a influenciar tanto o dólar como as cotações do petróleo e, indiretamente, o complexo dos metais preciosos.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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O ouro caiu para uma mínima de duas semanas com a valorização do dólar diante das expectativas de novos aumentos das taxas do Fed. O preço à vista recuou 0,5% para 4.087,68 dólares por onça, os futuros 1,1%, enquanto o dólar atingiu a máxima de mais de um ano, encarecendo o metal para compradores estrangeiros. Os operadores já precificam três altas este ano, e os sinais contraditórios sobre as conversas EUA-Irã reforçaram a cautela.

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O ouro despencou com a disparada do dólar americano e a alta dos rendimentos dos Treasuries sufocando seu apelo de porto seguro, num movimento de venda amplificado pelo recuo das ações de tecnologia. O ceticismo crescente em relação às avaliações infladas da inteligência artificial levou os investidores de volta ao dólar, ofuscando o papel tradicional do ouro como refúgio. O metal caiu mais de 1,3% após tocar brevemente uma máxima intradiária, revertendo ganhos anteriores.

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Ouro rompe piso de US$ 4.000 e atinge mínima de sete meses sob força do dólar e aposta em juros mais altos

A onça troy recuou 3,4% para US$ 3.968, pressionada pelo dólar no maior nível em 13 meses e pela reavaliação de que o Fed poderá elevar as taxas ainda em 2026; a prata já perdeu mais de metade do valor desde o pico de janeiro.

O preço do ouro no mercado à vista caiu abaixo de US$ 4.000 por onça troy nesta quarta-feira, 24 de junho, pela primeira vez desde novembro de 2025. A cotação recuou 3,4%, para US$ 3.968,41, enquanto os futuros de agosto em Nova Iorque perderam quase 4%, para US$ 3.984,40. A prata acompanhou o movimento e desceu 6%, para US$ 58,28, o menor valor desde dezembro; platina e paládio cederam entre 4% e 5%. O índice DXY do dólar norte-americano avançou a 101,77, o patamar mais elevado em mais de um ano, encarecendo o metal para detentores de outras divisas.

A pressão vendedora decorre de uma mudança rápida nas expectativas para a política monetária dos Estados Unidos. Após a reunião da Reserva Federal de 17 de junho, que manteve a taxa diretora em 3,5%–3,75%, o tom do novo presidente, Kevin Warsh, foi interpretado como hawkish. Operadores passaram a atribuir uma probabilidade superior a 70% a uma subida de 25 pontos base já em setembro, quando uma semana antes essa hipótese rondava os 29%, segundo a ferramenta FedWatch do CME. Nove dos dezoito membros do comité de política monetária sinalizaram pelo menos uma elevação este ano. “Taxas mais altas funcionam como gravidade: puxam para baixo todos os ativos, incluindo os metais preciosos”, resumiu o estratega-chefe do BNP Paribas Fortis, Philippe Gijsels.

O ouro acumula uma desvalorização de cerca de 23% desde o início da intervenção militar dos EUA e de Israel no Irão, no final de fevereiro, contrariando a narrativa de ativo-refúgio. A guerra no Médio Oriente e o bloqueio do Estreito de Ormuz impulsionaram os preços da energia e a inflação, o que, por sua vez, reforçou as perspetivas de aperto monetário. Ao mesmo tempo, os avanços intermitentes nas conversações de paz entre Washington e Teerão — com declarações contraditórias sobre inspeções nucleares e acesso a fundos congelados — introduziram volatilidade adicional. O petróleo Brent recuou mais de 1% após o anúncio de um roteiro para um eventual acordo definitivo.

Para países produtores de ouro em África, como o Gana, onde o metal representa a principal fonte de receitas de exportação e de divisas, a correção prolongada acende alertas. Uma queda sustentada pode comprimir as receitas fiscais, enfraquecer a entrada de moeda estrangeira e dificultar a estabilização cambial, num momento em que o país prossegue a consolidação orçamental e a reestruturação da dívida. No entanto, analistas em Zurique e em Frankfurt notam que as compras dos bancos centrais se mantiveram estáveis em maio, oferecendo um piso informal abaixo dos US$ 3.900. O Goldman Sachs e o Deutsche Bank reviram em baixa as suas projeções para o terceiro e quarto trimestres, mas ainda apontam para uma recuperação gradual.

O próximo marco factual são os dados de despesas de consumo pessoal (PCE) nos EUA, o indicador de inflação preferido da Fed, que serão divulgados na quinta-feira. Um valor acima do esperado pode consolidar as apostas em novas subidas de juros e prolongar a pressão sobre os metais. Paralelamente, os mercados monitorizam os desenvolvimentos nas negociações entre EUA e Irão, cuja trajetória continua a influenciar tanto o dólar como as cotações do petróleo e, indiretamente, o complexo dos metais preciosos.

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O ouro despencou com a disparada do dólar americano e a alta dos rendimentos dos Treasuries sufocando seu apelo de porto seguro, num movimento de venda amplificado pelo recuo das ações de tecnologia. O ceticismo crescente em relação às avaliações infladas da inteligência artificial levou os investidores de volta ao dólar, ofuscando o papel tradicional do ouro como refúgio. O metal caiu mais de 1,3% após tocar brevemente uma máxima intradiária, revertendo ganhos anteriores.

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