
ONU alerta que avanço da IA supera regulação e pode causar danos catastróficos
Relatório preliminar de painel científico independente aponta que capacidades da inteligência artificial dobram a cada quatro a sete meses, sem garantias de controlo.
A primeira avaliação científica global e independente sobre inteligência artificial, divulgada esta quarta-feira por um painel de 40 especialistas das Nações Unidas, concluiu que as capacidades dos sistemas de IA estão a ultrapassar a compreensão científica e a capacidade de adaptação dos governos. O documento, que servirá de base ao Diálogo Global sobre Governação da IA em Genebra, nos dias 6 e 7 de julho, alerta que a complexidade das tarefas executáveis por estes sistemas duplica a cada quatro a sete meses, sem que existam atualmente garantias de que a tecnologia não provocará danos catastróficos, seja por ação autónoma ou por utilização maliciosa.
O relatório descreve um dilema crescente para os decisores políticos: a evidência científica necessária para regular eficazmente a IA não consegue acompanhar o ritmo da inovação. Yoshua Bengio, copresidente do painel, sublinhou que há indícios cada vez mais sólidos de comportamentos enganadores por parte destes sistemas. O texto identifica riscos de curto prazo, como a disseminação de desinformação, fraudes, ciberataques e ameaças biológicas, e projeta, a mais longo prazo, uma convergência da IA com a computação quântica e a biotecnologia, com sistemas progressivamente autónomos e capazes de se autoaperfeiçoarem.
A governação permanece fragmentada. O relatório nota que 75% da capacidade de computação dos 500 supercomputadores mais potentes para IA está concentrada nos Estados Unidos, e 15% na China, enquanto a maioria dos países — incluindo economias avançadas — carece de conhecimentos técnicos para avaliar ou participar de forma significativa na regulação dos novos modelos. Observadores em Washington notam que a administração norte-americana procura equilibrar a manutenção da liderança tecnológica com a prevenção de riscos de segurança nacional, como ilustra o recente levantamento parcial de restrições a modelos avançados da empresa Anthropic após uma avaliação de salvaguardas. Para as nações lusófonas, o desafio é duplo: a adoção da IA nos países em desenvolvimento está atrasada e a escassez de infraestruturas digitais e de competências técnicas pode aprofundar desigualdades, ao mesmo tempo que as ferramentas de tradução automática para línguas como o português ainda apresentam erros com potencial impacto em diagnósticos de saúde e decisões clínicas.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, instou os líderes mundiais a agirem sem demora, afirmando que “o mundo não pode governar o que não consegue compreender” e que o custo da espera está a aumentar. O próximo marco factual será o diálogo de governação em Genebra, onde o relatório preliminar será apresentado aos governos, antecedendo uma avaliação mais abrangente prevista para 2027.
| Imprensa indiana e sul-asiática | −0.50 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
India and South Asia demand immediate AI rules, fearing catastrophic consequences if action is not taken now.
The bloc uses a tech CEO's harsh criticism to legitimize urgency, creating a sense of imminent crisis and delegitimizing the industry's ability to self-regulate.
It omits potential benefits of AI and existing regulatory efforts at national and international levels.
Gulf states view the UN report as a call to strengthen global AI governance, with a central role for regional mediators.
The bloc frames the issue as a matter of international coordination, avoiding alarmist tones and emphasizing the need for dialogue among state and non-state actors.
It does not address specific criticisms of the private sector or Western positions, nor the national security implications.
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