
Onda de calor na Europa pressiona redes elétricas, transportes e eleva mortes por afogamento
Temperaturas extremas em vários países causam disrupções em infraestruturas, disparam preços da eletricidade e aumentam o número de vítimas em rios e lagos.
Uma vaga de calor intenso que atinge a Europa desde meados de junho já provocou mais de 90 mortes por afogamento em França, segundo o Ministério do Desporto francês, e dezenas de outras vítimas em países vizinhos. As temperaturas, que em várias regiões ultrapassaram os 40 °C, levaram multidões a procurar rios, lagos e canais, muitas vezes sem supervisão adequada.
Autoridades francesas contabilizam mais de 90 óbitos desde 19 de junho, um número que a ministra da tutela classificou como “preocupante” e diretamente ligado à vaga de calor. Na Polónia, fontes oficiais reportam 56 afogamentos; a Bélgica regista pelo menos dois, a Alemanha cinco e Inglaterra nove, de acordo com balanços provisórios divulgados por entidades de proteção civil. Em paralelo, os sistemas de transporte ferroviário sofreram danos estruturais: na Alemanha, o material selante das juntas das vias derreteu, suspendendo serviços de elétrico e retendo centenas de passageiros; na Bélgica, mais de 100 comboios foram cancelados por dia; em França, cerca de 10% dos serviços suburbanos de Paris foram suprimidos.
No setor energético, a procura de refrigeração e as limitações na oferta — com redução da produção eólica, restrições em centrais nucleares francesas e suíças devido à temperatura da água de arrefecimento e menor disponibilidade de centrais a gás — fizeram disparar os preços da eletricidade. Na Alemanha, os futuros mensais subiram 2,2%, para 103,58 euros por megawatt-hora, e durante a vaga de junho os preços horários atingiram picos de 665,82 euros. Analistas do setor, citados por fontes financeiras, notam que os produtores incorporaram nas ofertas o risco de falhas de arranque e perda de eficiência das unidades geradoras sob calor extremo, o que poderá repetir-se se as temperaturas se mantiverem elevadas.
A exposição económica ao calor extremo é analisada em relatórios de instituições financeiras que projetam perdas significativas para as economias do sul da Europa. De acordo com estimativas de uma seguradora de crédito, a produtividade do trabalho cai cerca de 3% por cada grau acima dos 30 °C, enquanto o consumo energético para climatização sobe 1,2%. Num cenário de repetição das vagas de calor atuais, Itália poderia perder até 147 mil milhões de euros de PIB até 2030, Espanha 120 mil milhões e França 240 mil milhões. Em vários países, empresas de logística e construção civil já adaptaram horários, distribuíram equipamentos de proteção térmica e, em regiões italianas, decretaram a proibição do trabalho ao ar livre nas horas centrais do dia.
Os serviços meteorológicos preveem que o risco de novas vagas de calor se mantenha elevado no Reino Unido, Espanha, Alemanha e França ao longo deste mês, com anomalias de temperatura que podem atingir 8 °C acima do normal. As contagens de vítimas e os balanços de danos permanecem provisórios, enquanto as autoridades monitorizam a evolução das condições atmosféricas e os seus efeitos em cadeia sobre infraestruturas e populações.
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