
Onda de calor leva Irão a iniciar cortes programados e Argélia atinge novo pico de consumo
Com temperaturas acima dos 40 °C, vários países do Médio Oriente e Norte de África registam máximos históricos de procura de eletricidade, forçando medidas de gestão de carga e alertas de estabilidade da rede.
O Irão deu início a apagões programados em várias regiões do país, depois de a procura de eletricidade ter disparado mais de 6.000 megawatts (MW) numa semana, um aumento de cerca de 10% atribuído à vaga de calor que atinge o país. A empresa estatal Tavanir confirmou que as centrais operam já à capacidade máxima e que a continuação dos cortes dependerá da evolução da temperatura e de uma redução de pelo menos 5% no consumo por parte dos clientes. Em paralelo, a Argélia registou, pelo segundo dia consecutivo, um novo máximo histórico de consumo, ao atingir 21.378 MW, valor que supera o pico de 2025 e que coincide com uma onda de calor extremo e humidade elevada em várias províncias.
A pressão sobre os sistemas elétricos resulta de um duplo efeito das temperaturas elevadas: o aumento da utilização de equipamentos de refrigeração, que em países como o Irão representa a principal fatia da carga no verão, e a redução do rendimento das próprias centrais, que perdem eficiência quando o calor dificulta o arrefecimento dos equipamentos. No Uzbequistão, o Ministério da Energia projetou que o consumo diário poderá atingir um recorde de 280 milhões de kWh, com picos de carga entre 13 e 13,3 GW, e determinou o reforço da prontidão das equipas de emergência, a aceleração de reparações programadas e a suspensão temporária de operações de carga e descarga de gás liquefeito nos períodos de maior calor.
Na perspetiva de Teerão, a gestão da rede conta com um plano de aviso prévio de dois dias para os cortes programados, mas as autoridades reconhecem que a margem de manobra é estreita. O diretor de gestão de energia da Tavanir sublinhou que o calor afeta simultaneamente a oferta e a procura, e que a poupança dos consumidores — como regular os termostatos para 25 °C ou evitar o uso simultâneo de grandes eletrodomésticos nas horas de ponta — é o fator determinante para evitar apagões mais prolongados. Já o Líbano, com uma capacidade de produção disponível de apenas 500 MW, muito aquém dos cerca de 1.000 MW necessários para estabilizar a rede, enfrenta um risco diário de apagão geral (blackout). A empresa pública Electricité du Liban atribuiu a redução das horas de fornecimento — atualmente cerca de quatro horas diárias — à subida dos preços dos combustíveis e às limitações operacionais, e disponibilizou dados de consumo por subestação para assegurar transparência na distribuição.
A situação deverá agravar-se nos próximos dias. As previsões meteorológicas apontam para a continuação do calor extremo, com o Irão a antecipar que a procura possa ultrapassar os 75.500 MW e o Uzbequistão a preparar-se para temperaturas de até 47 °C no sul. As medidas de gestão da procura, incluindo a possibilidade de as indústrias iranianas recorrerem a certificados de poupança ou à importação de eletricidade para manter a produção, serão postas à prova. O próximo marco a observar será a evolução dos consumos nos dias de maior calor, em particular na quarta-feira, e a eventual necessidade de alargar os cortes programados para além do inicialmente previsto.
| Imprensa iraniana e afins | 0.00 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | 0.00 | neutral |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | 0.00 | neutral |
O Irã gerencia a crise com responsabilidade compartilhada e transparência técnica.
Ao apresentar os cortes como uma medida preventiva e temporária e pedir a cooperação dos cidadãos, a situação é normalizada e a capacidade do sistema não é questionada.
Omite qualquer crítica ao planejamento energético ou falta de investimento, apresentando os cortes como uma medida temporária gerenciável.
A Rússia prevê um recorde de consumo no Uzbequistão sem alarmismo.
Ao limitar-se a dados numéricos e previsões, evita-se qualquer julgamento ou responsabilidade, parecendo objetivo.
Omite qualquer discussão sobre consequências sociais ou possibilidade de apagões, limitando-se a uma previsão técnica.
A Argélia celebra novos recordes de consumo; o Líbano pede desculpas pelo fornecimento escasso.
A Argélia usa recordes para mostrar a capacidade do sistema; o Líbano culpa fatores externos (preços dos combustíveis) para evitar críticas internas.
A Argélia omite qualquer menção a possíveis interrupções ou estresse na rede; o Líbano omite suas próprias ineficiências operacionais, atribuindo tudo aos preços dos combustíveis.
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