
OMS testará dois tratamentos contra estirpe rara do ébola no Congo
Ensaio clínico com anticorpo monoclonal e antiviral busca reduzir mortalidade da variante Bundibugyo, sem vacina, enquanto surto ultrapassa mil casos e resposta enfrenta obstáculos.
A Organização Mundial da Saúde anunciou que iniciará na próxima semana, na província de Ituri, leste da República Democrática do Congo, um ensaio clínico para avaliar dois tratamentos contra a estirpe Bundibugyo do vírus ébola — uma variante rara para a qual não existem vacinas nem terapias aprovadas. O estudo, que poderá envolver entre 500 e mil participantes, testará o anticorpo monoclonal MBP134 e o antiviral remdesivir, isoladamente ou em combinação, com o objetivo de reduzir a mortalidade, atualmente em 25% entre os 1.094 casos confirmados no país. A iniciativa é coordenada por um consórcio que integra o Instituto Nacional de Investigação Biomédica da RDC, a organização humanitária Alima, a Universidade de Oxford e a própria OMS, com doses doadas pelos Estados Unidos e pela farmacêutica Gilead.
O surto, declarado oficialmente a 15 de maio, já atravessou fronteiras: o Uganda regista 20 casos e duas mortes, e a França confirmou esta semana o primeiro contágio em território continental — um profissional de saúde da Alima que regressara de Kinshasa com carga viral muito baixa. A estirpe Bundibugyo, identificada pela primeira vez em 2007 no Uganda, distingue-se da variante Zaire, mais comum, e a ausência de uma vacina dificulta a adesão ao rastreio de contactos, que permanece nos 70%, aquém da meta de 95%. A região de Ituri, epicentro do surto, é uma zona mineira com elevada mobilidade de trabalhadores temporários, o que complica a vigilância epidemiológica, enquanto a desconfiança das comunidades locais — marcadas por décadas de conflito armado — e os ataques a profissionais de saúde (sete incidentes registados) agravam a resposta.
A capacidade de testagem no Congo foi ampliada de 30 para mais de 2.000 análises diárias, e o número de camas de tratamento subiu de 10 para mais de 500 em cinco semanas, mas o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus, advertiu que o surto 'continua a superar a resposta'. Persistem défices de financiamento: o plano conjunto da OMS e da agência de saúde da União Africana requer 518 milhões de dólares. Na perspetiva de observadores em Kinshasa, a subnotificação é provável, dado o acesso difícil a zonas remotas e a violência de grupos armados.
O ensaio clínico representa o primeiro esforço estruturado para encontrar uma terapêutica específica contra a estirpe Bundibugyo. Os preparativos estão concluídos e o recrutamento deverá começar nos próximos dias. Se os tratamentos se revelarem seguros e eficazes, a OMS assegura que as comunidades afetadas terão acesso aos mesmos. O próximo marco factual a acompanhar será o arranque do estudo e a divulgação dos primeiros dados de segurança, enquanto as equipas no terreno prosseguem a contenção do surto e a vigilância de eventuais casos importados, como o registado em França.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O surto de ebola no Congo avança rapidamente, colocando em risco os profissionais de saúde. Na próxima semana, a OMS iniciará um ensaio clínico de dois antivirais, um doado pelos Estados Unidos, trazendo uma esperança concreta para conter a epidemia.
Na próxima semana, começarão na República Democrática do Congo os ensaios clínicos de dois tratamentos contra o ebola. Até agora, foram registrados mais de mil casos e 277 mortes, com os profissionais de saúde a trabalhar em condições difíceis.
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