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Ciência e Saúdequinta-feira, 2 de julho de 2026

OMS declara fim do surto de hantavírus em cruzeiro após quarentena final

Último contacto concluiu isolamento com teste negativo; 13 casos e três mortes foram registados, mas vírus continua a ser ameaça na América do Sul.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou esta quinta-feira o fim do surto de hantavírus associado ao navio de cruzeiro MV Hondius, depois de o último contacto de uma pessoa exposta ter concluído o período de quarentena, testado negativo e regressado a casa. Desde 25 de maio não foram notificados novos casos, o que permitiu encerrar oficialmente um episódio que mobilizou autoridades sanitárias de 33 países e territórios. O balanço final mantém-se em 13 infetados e três mortos, todos passageiros ou tripulantes da embarcação de bandeira neerlandesa que partiu de Ushuaia, Argentina, a 1 de abril.

A resposta internacional foi articulada sob o Regulamento Sanitário Internacional, com mais de 650 contactos identificados e monitorizados. A OMS destacou o papel de Espanha, que facilitou o desembarque e a repatriação segura de passageiros e tripulantes em Tenerife, e agradeceu também a colaboração da Argentina, Cabo Verde, Chile, Países Baixos, África do Sul e Reino Unido. Na perspetiva de Brasília, o episódio reforçou a necessidade de vigilância contínua, uma vez que o hantavírus é endémico em várias regiões da América do Sul, incluindo o Brasil, onde casos esporádicos são registados sobretudo em zonas rurais e de expansão agrícola.

A estirpe envolvida, o vírus Andes, é a única variante de hantavírus conhecida por permitir transmissão limitada entre humanos, o que elevou o nível de alerta durante o surto. Habitualmente, a infeção ocorre por inalação de partículas virais presentes em excrementos, urina ou saliva de roedores. A taxa de letalidade neste evento foi de 23%, inferior aos 38% referidos pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos para casos com sintomas respiratórios. A origem exata do contágio a bordo permanece desconhecida, apesar de investigações na Argentina não terem encontrado roedores portadores do vírus numa segunda província analisada.

Embora o surto esteja encerrado, a OMS mantém a coordenação de um estudo multinacional com a participação de 21 países para compreender a evolução da doença e apoiar o desenvolvimento de diagnósticos, terapêuticas e vacinas. Observadores em Genebra sublinham que o hantavírus continua a ser uma ameaça de saúde pública na América do Sul e noutras zonas endémicas, exigindo vigilância epidemiológica e preparação para eventuais novos focos. O próximo marco factual será a conclusão desse estudo internacional, cujos resultados poderão orientar futuras estratégias de contenção.

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OMS declara fim do surto de hantavírus em cruzeiro após quarentena final

Último contacto concluiu isolamento com teste negativo; 13 casos e três mortes foram registados, mas vírus continua a ser ameaça na América do Sul.

A Organização Mundial da Saúde (OMS) anunciou esta quinta-feira o fim do surto de hantavírus associado ao navio de cruzeiro MV Hondius, depois de o último contacto de uma pessoa exposta ter concluído o período de quarentena, testado negativo e regressado a casa. Desde 25 de maio não foram notificados novos casos, o que permitiu encerrar oficialmente um episódio que mobilizou autoridades sanitárias de 33 países e territórios. O balanço final mantém-se em 13 infetados e três mortos, todos passageiros ou tripulantes da embarcação de bandeira neerlandesa que partiu de Ushuaia, Argentina, a 1 de abril.

A resposta internacional foi articulada sob o Regulamento Sanitário Internacional, com mais de 650 contactos identificados e monitorizados. A OMS destacou o papel de Espanha, que facilitou o desembarque e a repatriação segura de passageiros e tripulantes em Tenerife, e agradeceu também a colaboração da Argentina, Cabo Verde, Chile, Países Baixos, África do Sul e Reino Unido. Na perspetiva de Brasília, o episódio reforçou a necessidade de vigilância contínua, uma vez que o hantavírus é endémico em várias regiões da América do Sul, incluindo o Brasil, onde casos esporádicos são registados sobretudo em zonas rurais e de expansão agrícola.

A estirpe envolvida, o vírus Andes, é a única variante de hantavírus conhecida por permitir transmissão limitada entre humanos, o que elevou o nível de alerta durante o surto. Habitualmente, a infeção ocorre por inalação de partículas virais presentes em excrementos, urina ou saliva de roedores. A taxa de letalidade neste evento foi de 23%, inferior aos 38% referidos pelos Centros de Controlo e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos para casos com sintomas respiratórios. A origem exata do contágio a bordo permanece desconhecida, apesar de investigações na Argentina não terem encontrado roedores portadores do vírus numa segunda província analisada.

Embora o surto esteja encerrado, a OMS mantém a coordenação de um estudo multinacional com a participação de 21 países para compreender a evolução da doença e apoiar o desenvolvimento de diagnósticos, terapêuticas e vacinas. Observadores em Genebra sublinham que o hantavírus continua a ser uma ameaça de saúde pública na América do Sul e noutras zonas endémicas, exigindo vigilância epidemiológica e preparação para eventuais novos focos. O próximo marco factual será a conclusão desse estudo internacional, cujos resultados poderão orientar futuras estratégias de contenção.

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