
Mundial 2026 já soma seis demissões de treinadores ainda na fase de grupos
Hervé Renard abandonou a Tunísia após apenas dois jogos, engrossando uma lista de selecionadores que caíram antes do mata-mata, incluindo Bielsa, Koeman e Steve Clarke.
A saída de Hervé Renard da seleção da Tunísia confirmou, no sábado, a sexta mudança de comando técnico de uma seleção ainda durante a primeira fase do Mundial de 2026. O francês, contratado a meio da prova para substituir Sabri Lamouchi, comunicou a decisão nas redes sociais, após as derrotas diante do Japão (4-0) e dos Países Baixos (3-1) que deixaram os ‘Nêsperos de Cartago’ no último lugar do Grupo F, sem qualquer ponto somado.
A passagem relâmpago de Renard pelo banco tunisino foi sintomática do descalabro da equipa norte-africana. Lamouchi fora demitido logo após a goleada inaugural de 5-1 frente à Suécia, a 14 de junho, e o seu substituto não conseguiu estancar a hemorragia defensiva. A instabilidade lembra a trajetória do próprio treinador, dispensado pela Arábia Saudita dois meses antes do torneio, e ilustra, na perspetiva de analistas do Magrebe, a dificuldade de construir um projeto competitivo em ambiente de permanente pressão por resultados imediatos.
A guilhotina dos resultados também cortou outras cabeças. Steve Clarke deixou a Escócia após um terceiro lugar no Grupo C, insuficiente para o apuramento inédito, confirmado com a derrota por 3-0 ante o Brasil na última jornada. Na Ásia, Hong Myung-bo pediu demissão da Coreia do Sul, que somou três pontos no Grupo A, os mesmos da República Checa, cujo selecionador Miroslav Koubek, de 74 anos, encerrou um ciclo que, ainda assim, devolvera o país a um Mundial vinte anos depois. Já na terça-feira, o neerlandês Ronald Koeman, eliminado pelo Marrocos nos dezasseis-avos, renunciou pela segunda vez ao cargo, alegando a vontade de ficar mais tempo com a família.
Observadores em Brasília e Lisboa assinalaram, em particular, a demissão de Marcelo Bielsa do comando do Uruguai, ocorrida poucas horas depois da saída de Koeman. A equipa celeste, campeã mundial em 1930 e 1950, foi uma das sensações negativas da prova, terminando o Grupo H com apenas dois pontos, fruto de empates frente a Arábia Saudita e Cabo Verde e uma derrota tangencial com a Espanha (1-0). Para os uruguaios, rivais históricos do Brasil, o fracasso representa um rude revés geracional, enquanto em Portugal se recorda o prestígio do técnico argentino, que já teve passagens por clubes da Primeira Liga.
O desfile de saídas precoces deixa um legado de balneários desfeitos e federações obrigadas a reconstruir. À medida que o torneio avança para as fases decisivas, a certeza é que pelo menos seis seleções já regressaram a casa sem treinador, elevando a fasquia da exigência para os próximos ciclos de preparação rumo a 2030.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Gulf press frames Renard's departure with dramatic 'guillotine' metaphor, portraying the World Cup as a coach-eater. It highlights a wave of dismissals, with Renard as the latest victim. His thank-you message is included but the tone implies failure and abrupt termination.
Latin American press presents Renard's exit as a dismissal, not a resignation. It uses words like 'fired' and 'let go', emphasizing his short tenure of two matches. The tone is critical of the Tunisian federation for cutting him loose.
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