
Meta dispara em Wall Street com plano de cloud, mas enfrenta crise interna e pressão financeira
Ações sobem mais de 10% após notícia de entrada no mercado de computação em nuvem, enquanto demissões, vigilância de funcionários e fuga de talentos abalam a empresa.
As ações da Meta saltaram mais de 10% nas bolsas norte-americanas depois de a agência Bloomberg noticiar que o grupo liderado por Mark Zuckerberg prepara o lançamento de um serviço de computação em nuvem para clientes externos. O movimento, que acrescentou dezenas de mil milhões de dólares ao valor de mercado da empresa, provocou quedas de 14% a 17% nas cotadas dos fornecedores de infraestrutura de IA CoreWeave e Nebius, refletindo o potencial disruptivo da entrada de um gigante com capacidade instalada massiva. A Meta investe entre 125 e 145 mil milhões de dólares este ano em centros de dados e chips próprios, e a possibilidade de rentabilizar o excesso de capacidade de cálculo — à semelhança do que a SpaceX já faz com os seus data centers — foi bem recebida por investidores que questionam o retorno dos avultados gastos em inteligência artificial.
A euforia bolsista contrasta com o clima interno descrito pela imprensa francesa como uma “cultura do medo”. A Meta eliminou cerca de 8.000 postos de trabalho na primavera, quase 10% do efetivo, e transferiu 6.500 funcionários para equipas de IA, onde alguns executam tarefas consideradas alienantes para treinar modelos. Um programa que captava cliques, teclas e navegação dos empregados norte-americanos para alimentar agentes de IA foi suspenso a 22 de junho, após uma petição subscrita por mais de 1.600 trabalhadores e uma fuga de dados que expôs conversas privadas. O diretor de tecnologia, Andrew Bosworth, admitiu publicamente a necessidade de “reavivar o melhor da cultura empresarial”.
A saída do francês Yann LeCun, prémio Turing e um dos pais da IA moderna, que liderava a investigação do grupo desde 2013, ilustra a tensão na cúpula científica. LeCun partiu no final de 2025 para fundar a sua própria empresa em Paris, depois de a Meta ter investido 14 mil milhões de dólares na start-up Scale AI e colocado o seu jovem líder, Alexandr Wang, de 29 anos, à frente de um laboratório para alcançar a “superinteligência”. Em entrevista ao Financial Times, LeCun criticou a aposta nos grandes modelos de linguagem como um “beco sem saída” e a falta de experiência de investigação de Wang.
O esforço financeiro da Meta insere-se numa corrida mais ampla: a Goldman Sachs estima que as hyperscalers gastarão 5,3 biliões de dólares em infraestrutura de IA até 2030, e a Barclays prevê emissões de dívida superiores a 200 mil milhões de dólares este ano. Torsten Slok, economista-chefe da Apollo, alerta para um efeito de crowding out sobre as obrigações do Tesouro norte-americano, mas Todd Czachor, da Columbia Threadneedle, e Brij Khurana, da Wellington Management, não veem ainda evidência desse fenómeno nos spreads das obrigações corporativas. Khurana nota, porém, que os efeitos se manifestam no mercado acionista: o índice KBW Bank subiu 13,7% este ano, impulsionado pelas comissões de subscrição da dívida das tecnológicas, enquanto o índice das sete magníficas está estável. A Meta não anunciou uma data para o lançamento do serviço cloud, mas os investidores aguardam novidades na próxima apresentação de resultados trimestrais.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Meta enters cloud computing and the market cheers: shares soar, rivals stumble. It is proof that American innovation always wins, and that the cloud is the new battlefield where only giants survive.
Meta announces its entry into cloud computing. Markets react with a stock rise and a drop in competitors. The move has been long expected and could reshape the industry, but regulatory and technological uncertainties remain.
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