
Menores são condenados e acusados por terrorismo na Rússia e no Reino Unido
Adolescentes enfrentam penas de prisão e processos judiciais por financiamento via redes sociais e planos de ataques a mesquitas, enquanto autoridades alertam para a radicalização juvenil.
Um tribunal russo condenou um adolescente de 17 anos da região de Kuzbass a quatro anos de prisão numa colónia educativa, por financiamento de terrorismo, após o jovem ter utilizado a função de reações pagas do Telegram para enviar dinheiro a um canal associado a uma unidade militar ucraniana, segundo o Comité de Investigação da Rússia. No Reino Unido, um rapaz de 14 anos declarou-se inocente das acusações de preparação de atos terroristas contra duas mesquitas em Sutton, no sul de Londres, num caso que a Polícia Metropolitana classificou como motivado por “ideologia de extrema-direita”. Em Kursk, também na Rússia, um jovem de 15 anos foi detido e acusado de preparação para integrar uma organização terrorista, depois de ter manifestado, em conversas online, vontade de colaborar com o grupo.
De acordo com as autoridades russas, o envio de “estrelas” — a moeda virtual da plataforma — constitui uma transferência financeira direta para grupos designados como terroristas, enquadrando-se no artigo 205.1 do Código Penal. O Comité de Investigação sustenta que o menor de Kuzbass realizou os pagamentos entre novembro e dezembro de 2025, e que a organização beneficiada está proibida no país. Em Londres, a acusação alega que o adolescente identificou alvos, conduziu reconhecimento, selecionou uma arma e reuniu material instrutivo para um ataque planeado para 28 de agosto, além de ter danificado intencionalmente a janela de um carro, num ato descrito como “racialmente agravado”. A comandante Helen Flanagan, da unidade de contraterrorismo da Polícia Metropolitana, afirmou que a acusação é “muito grave” e terá um impacto profundo na comunidade muçulmana local.
Os casos inserem-se num padrão mais amplo de utilização de plataformas digitais para radicalização e financiamento de atividades extremistas. Na Rússia, advogados e meios de comunicação independentes notam que o uso de reações pagas no Telegram tem sido cada vez mais interpretado pelas autoridades como crime de financiamento do terrorismo ou, em situações mais recentes, como traição. O portal NGS42, citando fontes policiais, indicou que o canal visado pertenceria a uma subunidade das Forças Armadas da Ucrânia. No Reino Unido, o caso do menor de 14 anos ocorre dias depois de uma série de incidentes islamofóbicos, incluindo 12 detenções por ameaças a um festival islâmico e uma agressão junto a uma mesquita. O superintendente Nick Blackburn sublinhou que “não devemos subestimar o impacto cumulativo” destes eventos sobre a comunidade muçulmana.
Na perspetiva de analistas em Brasília e Lisboa, o envolvimento de menores em atividades terroristas, tanto no extremismo de direita como no financiamento de grupos armados estrangeiros, reflete uma tendência transnacional que desafia os quadros legais nacionais. O Brasil, que não regista condenações semelhantes de adolescentes por financiamento via redes sociais, acompanha com atenção o endurecimento das penas na Rússia e a resposta judicial britânica, num momento em que as plataformas digitais são apontadas como vetores de recrutamento. O processo do menor londrino prossegue com uma nova audiência no Old Bailey a 21 de agosto, enquanto o tribunal de Kursk decide sobre a prisão preventiva do jovem de 15 anos. O adolescente russo de Kuzbass já cumpre a sentença, mas o seu caso poderá ser objeto de recurso, segundo a imprensa local.
| Imprensa russa e CEI | +0.30 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
| Imprensa europeia continental | −0.50 | critical |
| Imprensa israelense | 0.00 | neutral |
A Rússia aplica a lei contra o financiamento do terrorismo, protegendo a sociedade de ameaças externas.
Apresenta a condenação como um ato policial de rotina, normalizando a severidade da pena.
Omite que o adolescente estava apenas curtindo postagens de uma unidade militar ucraniana, sem planejar violência, e que a organização é considerada terrorista apenas no contexto da guerra.
O Reino Unido processa legalmente o extremismo de direita, tratando o caso com a máxima seriedade.
Enfatiza a ameaça ideológica e a resposta judicial, equilibrando a presunção de inocência.
A Europa continental denuncia a desproporção da sentença russa por um ato menor, questionando a definição de terrorismo.
Usa a falta de detalhes específicos para insinuar um abuso de poder, contrastando a severidade da pena com a banalidade do ato.
Omite que o adolescente apoiava uma unidade militar ucraniana, considerada terrorista na Rússia no contexto da guerra, permitindo apresentar a condenação como desproporcional sem o contexto bélico.
Israel observa com atenção a ameaça do extremismo de direita na Europa, enfatizando a importância da prevenção.
Apresenta o caso como um exemplo de ameaça global, ligando-o a uma narrativa de segurança internacional.
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