
Joe Root alcança 14 mil corridas mas Inglaterra naufraga na perseguição de 463
Com recorde pessoal e resistência solitária, o capitão interino não evita que a Nova Zelândia fique a cinco wickets de empatar a série no Oval, enquanto Stokes brilha no condado
O sonho inglês de selar a série com uma perseguição recorde de 463 corridas transformou‑se num pesadelo à beira do Tamisa. A Nova Zelândia está a cinco wickets de igualar a série depois de reduzir a anfitriã a 182 por cinco ao cair do pano do quarto dia do segundo teste no Kia Oval. Com 281 corridas ainda por fazer no derradeiro dia, apenas um milagre adiaria a primeira derrota caseira da Inglaterra na era Stokes‑Tuchel. O interino Joe Root, porém, agarrou‑se à noite com um 75 não eliminado que o elevou ao exclusivo clube dos 14 000 runs em testes.
A tarde começou com uma debandada que deixou a Inglaterra a 40 por três. Kyle Jamieson, gigante de 2,03 metros, removeu Emilio Gay e Jacob Bethell na mesma janela, este último sem marcar. Ben Duckett sobreviveu a um ‘umpire’s call’ antes de oferecer um gancho mal‑executado a Will O’Rourke. O público só voltou a acreditar quando Root e Harry Brook lançaram um contra‑ataque de 97 corridas. Brook massacrou o ataque neozelandês com um meio‑século de 33 bolas — o mais rápido da sua carreira —, adornado por dez fronteiras e um seis. Mas Matt Henry, carrasco da primeira entrada, acabou por quebrar a fúria: Brook resvalou uma defesa para a luva do capitão Tom Latham no primeiro deslize.
Root, entretanto, escrevia páginas de história. Com um ligeiro toque para o lado, transformou‑se no segundo batedor a atingir 14 000 runs em testes, atrás apenas do indiano Sachin Tendulkar. No mesmo gesto, tornou‑se o primeiro a somar 2000 corridas frente à Nova Zelândia neste formato. A multidão ergueu‑se, mas o veterano de Yorkshire mal festejou: o placard impunha um realismo amargo. Ainda assim, o contraste com o capitão ausente, Ben Stokes, dava cor ao dia. Enquanto a Inglaterra definhava no Oval, Stokes vibrava 95 corridas pelo Durham em Chester‑le‑Street, a 275 quilómetros de distância. Afastado do encontro devido a uma saída noturna após o triunfo em Lord’s, o todo‑terreno mostrou que o seu taco continua a ditar sentenças — e a sua ausência pesou num ‘top‑six’ demasiado verde.
Do ponto de vista da lusofonia, onde o críquete ainda procura afirmar‑se, a marca de Root sublinha a longevidade exigida à elite, algo que as seleções de Portugal e do Brasil almejam num futuro distante. No imediato, a Nova Zelândia depende apenas da rotina para selar um triunfo que levará a decisão da série para Trent Bridge, dentro de uma semana. O regresso anunciado de Stokes promete reequilibrar forças, mas a fragilidade revelada no Oval deixa a Inglaterra com mais interrogações do que certezas antes do confronto derradeiro.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A mídia indiana destaca a entrada de Joe Root no seleto clube dos 14.000 corridas em Testes, enfatizando que ele é apenas o segundo rebatedor depois de Sachin Tendulkar a conseguir tal feito. Com a Inglaterra cambaleando em uma perseguição intimidante, o foco permanece no marco pessoal de Root e na distância cada vez menor para o recorde de todos os tempos de Tendulkar.
A mídia anglo-americana concentra-se na instável perseguição de recordes da Inglaterra e na distração extracampo da ausência de Ben Stokes devido a uma violação disciplinar. Embora o marco de 14.000 corridas de Joe Root seja reconhecido, a narrativa é ofuscada pelo pessimismo quanto às chances da equipe e pela exclusão auto-infligida do capitão.
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