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Economia e Mercadosterça-feira, 16 de junho de 2026

Banco do Japão eleva juros a 1%, maior nível em 31 anos, em meio a pressões inflacionárias da guerra no Irã

Decisão, tomada por 7 votos a 1 com o governador hospitalizado, alinha o BoJ a outros bancos centrais no combate à inflação energética, enquanto o iene permanece frágil.

O Banco do Japão (BoJ) elevou nesta terça-feira (16) a sua taxa de juro de referência de 0,75% para 1%, o patamar mais alto desde setembro de 1995. A decisão, aprovada por sete votos a um no conselho de política monetária, ocorreu na ausência do governador Kazuo Ueda, internado para tratar uma infeção num quisto hepático. O voto dissidente partiu do membro Toichiro Asada, conhecido por posições mais brandas, que considerou os riscos de queda na produção e no emprego superiores às pressões inflacionárias. O vice-governador Shinichi Uchida, que assumiu a comunicação oficial, sublinhou que o banco continuará a subir os juros em função da evolução da economia e dos preços.

A subida, a primeira desde dezembro, insere-se num processo de normalização monetária iniciado em março de 2024, quando o Japão pôs fim a quase duas décadas de taxas próximas de zero ou negativas. O principal motor da decisão foi a persistente pressão inflacionária decorrente da guerra no Irão, que disparou os preços do petróleo e afetou duramente um país que importa quase todo o gás e crude que consome. Embora a inflação anual subjacente tenha recuado para 1,4% em abril, as projeções de médio e longo prazo continuam a subir, e o banco receia que a inflação de base ultrapasse a meta de 2%. A fraqueza do iene face ao dólar, que não se reverteu significativamente após o anúncio, amplifica o custo das importações energéticas e pressiona as empresas a transferirem os aumentos para os preços finais.

O movimento alinha o BoJ com a tendência global de aperto monetário. Na semana passada, o Banco Central Europeu elevou as suas taxas para um intervalo entre 2,25% e 2,65%, e o Banco da Indonésia também promoveu um ajuste restritivo. A Reserva Federal norte-americana reúne-se esta semana, com expectativas de manutenção ou nova alta. Apesar do recente memorando de paz entre Washington e Teerão, que reabriu o estreito de Ormuz, os mercados petrolíferos continuam voláteis, e o BoJ optou por não aliviar o ritmo de redução das compras de títulos públicos — que só será abrandado a partir de abril de 2027, mantendo até março o corte trimestral de cerca de 200 mil milhões de ienes.

Na perspetiva de Brasília, a decisão japonesa é observada com atenção pelos seus efeitos sobre os fluxos globais de capitais. Taxas mais altas no Japão podem reduzir o apelo do chamado “carry trade”, em que investidores tomavam ienes emprestados a custo quase zero para aplicar em ativos de maior rendimento, como títulos brasileiros. Uma reversão desses fluxos poderia pressionar o real e exigir respostas do Banco Central do Brasil. Em Lisboa, analistas notam que o ciclo sincronizado de aperto monetário nas economias desenvolvidas reforça a determinação do BCE em manter taxas elevadas, o que encarece o crédito às famílias e empresas portuguesas, ainda que a economia da zona euro dê sinais de arrefecimento.

Para as economias lusófonas africanas, o quadro é ambivalente. Angola, grande exportador de petróleo, beneficia dos preços elevados da energia, mas enfrenta pressões inflacionárias internas que exigem políticas monetárias próprias. Moçambique e Cabo Verde, mais dependentes de importações, sofrem com o encarecimento dos combustíveis e dos alimentos, num contexto em que a subida dos juros globais limita o acesso a financiamento externo barato. O BoJ, ao sinalizar novas altas, mantém o mundo em alerta: o fim da era do dinheiro ultra-barato no Japão é um marco com reverberações que vão muito além do arquipélago.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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O banco central japonês elevou os juros para 1% pela primeira vez em 31 anos, contrariando os desejos da primeira-ministra Takaichi e sob pressão dos EUA. A medida visa combater a inflação causada por disrupções energéticas e pela queda do iene, mas expõe divisões políticas e influência externa sobre a política monetária de Tóquio.

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O Japão elevou os juros para 1%, o maior nível em 31 anos, impulsionado pela disparada dos preços do petróleo causada pela guerra dos EUA e Israel contra o Irã e o Líbano. A medida reflete o choque inflacionário global decorrente das disrupções energéticas no Oriente Médio, mesmo com o anúncio de um acordo de paz entre Washington e Teerã.

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terça-feira, 16 de junho de 2026

Banco do Japão eleva juros a 1%, maior nível em 31 anos, em meio a pressões inflacionárias da guerra no Irã

Decisão, tomada por 7 votos a 1 com o governador hospitalizado, alinha o BoJ a outros bancos centrais no combate à inflação energética, enquanto o iene permanece frágil.

O Banco do Japão (BoJ) elevou nesta terça-feira (16) a sua taxa de juro de referência de 0,75% para 1%, o patamar mais alto desde setembro de 1995. A decisão, aprovada por sete votos a um no conselho de política monetária, ocorreu na ausência do governador Kazuo Ueda, internado para tratar uma infeção num quisto hepático. O voto dissidente partiu do membro Toichiro Asada, conhecido por posições mais brandas, que considerou os riscos de queda na produção e no emprego superiores às pressões inflacionárias. O vice-governador Shinichi Uchida, que assumiu a comunicação oficial, sublinhou que o banco continuará a subir os juros em função da evolução da economia e dos preços.

A subida, a primeira desde dezembro, insere-se num processo de normalização monetária iniciado em março de 2024, quando o Japão pôs fim a quase duas décadas de taxas próximas de zero ou negativas. O principal motor da decisão foi a persistente pressão inflacionária decorrente da guerra no Irão, que disparou os preços do petróleo e afetou duramente um país que importa quase todo o gás e crude que consome. Embora a inflação anual subjacente tenha recuado para 1,4% em abril, as projeções de médio e longo prazo continuam a subir, e o banco receia que a inflação de base ultrapasse a meta de 2%. A fraqueza do iene face ao dólar, que não se reverteu significativamente após o anúncio, amplifica o custo das importações energéticas e pressiona as empresas a transferirem os aumentos para os preços finais.

O movimento alinha o BoJ com a tendência global de aperto monetário. Na semana passada, o Banco Central Europeu elevou as suas taxas para um intervalo entre 2,25% e 2,65%, e o Banco da Indonésia também promoveu um ajuste restritivo. A Reserva Federal norte-americana reúne-se esta semana, com expectativas de manutenção ou nova alta. Apesar do recente memorando de paz entre Washington e Teerão, que reabriu o estreito de Ormuz, os mercados petrolíferos continuam voláteis, e o BoJ optou por não aliviar o ritmo de redução das compras de títulos públicos — que só será abrandado a partir de abril de 2027, mantendo até março o corte trimestral de cerca de 200 mil milhões de ienes.

Na perspetiva de Brasília, a decisão japonesa é observada com atenção pelos seus efeitos sobre os fluxos globais de capitais. Taxas mais altas no Japão podem reduzir o apelo do chamado “carry trade”, em que investidores tomavam ienes emprestados a custo quase zero para aplicar em ativos de maior rendimento, como títulos brasileiros. Uma reversão desses fluxos poderia pressionar o real e exigir respostas do Banco Central do Brasil. Em Lisboa, analistas notam que o ciclo sincronizado de aperto monetário nas economias desenvolvidas reforça a determinação do BCE em manter taxas elevadas, o que encarece o crédito às famílias e empresas portuguesas, ainda que a economia da zona euro dê sinais de arrefecimento.

Para as economias lusófonas africanas, o quadro é ambivalente. Angola, grande exportador de petróleo, beneficia dos preços elevados da energia, mas enfrenta pressões inflacionárias internas que exigem políticas monetárias próprias. Moçambique e Cabo Verde, mais dependentes de importações, sofrem com o encarecimento dos combustíveis e dos alimentos, num contexto em que a subida dos juros globais limita o acesso a financiamento externo barato. O BoJ, ao sinalizar novas altas, mantém o mundo em alerta: o fim da era do dinheiro ultra-barato no Japão é um marco com reverberações que vão muito além do arquipélago.

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O banco central japonês elevou os juros para 1% pela primeira vez em 31 anos, contrariando os desejos da primeira-ministra Takaichi e sob pressão dos EUA. A medida visa combater a inflação causada por disrupções energéticas e pela queda do iene, mas expõe divisões políticas e influência externa sobre a política monetária de Tóquio.

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O Japão elevou os juros para 1%, o maior nível em 31 anos, impulsionado pela disparada dos preços do petróleo causada pela guerra dos EUA e Israel contra o Irã e o Líbano. A medida reflete o choque inflacionário global decorrente das disrupções energéticas no Oriente Médio, mesmo com o anúncio de um acordo de paz entre Washington e Teerã.

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