
Israel rejeita previsão de Trump e condiciona retirada do Líbano ao desarmamento do Hezbollah
Ministro da Defesa israelita afirma que Telavive não precisa de autorização para manter tropas no sul do Líbano, contrariando declarações do presidente norte-americano.
O ministro da Defesa de Israel, Israel Katz, rejeitou esta quinta-feira a expectativa manifestada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que as forças israelitas se retirariam do sul do Líbano. «Não pedimos autorização a ninguém para entrar no Líbano e não precisamos de autorização para lá ficar», declarou Katz, acrescentando que as tropas permanecerão na chamada zona de segurança até que o Hezbollah seja completamente desarmado. A afirmação surge um dia depois de Trump, à margem da cimeira da NATO em Ancara, ter dito a jornalistas que Israel «vai fazê-lo» e «quer fazê-lo», referindo-se a uma retirada, e que «estão a assinar acordos com o Líbano».
Na perspetiva de Telavive, a presença militar no sul libanês é justificada como um direito e um dever de proteger as comunidades do norte de Israel. Katz sublinhou que a zona de segurança estabelecida está «limpa de residentes e de infraestruturas de terror» e que as operações israelitas continuarão «enquanto for necessário». O primeiro-ministro Benjamin Netanyahu reforçara dias antes, durante uma visita a tropas em território libanês, que Israel não recuará «nem um milímetro» até que a ameaça do Hezbollah seja removida. Netanyahu chegou a afirmar que aldeias cristãs no sul do Líbano teriam solicitado proteção israelita, uma alegação que não foi corroborada por fontes independentes.
A divergência pública entre Washington e Telavive ocorre num momento em que as duas partes, com mediação norte-americana, preparam uma nova ronda negocial em Roma, agendada para 14 e 15 de julho. O quadro de conversações inclui uma proposta, revelada pelo embaixador israelita nos EUA, para que os Estados Unidos avaliem unidades do exército libanês e garantam a ausência de elementos ou apoiantes do Hezbollah. Paralelamente, o presidente libanês, Joseph Aoun, recebeu um convite da Casa Branca para uma visita a Washington a 21 de julho, onde se espera que a soberania e a integridade territorial do Líbano estejam no centro da agenda.
Em Beirute, o Hezbollah rejeitou o acordo-quadro assinado no final de junho, que prevê o desarmamento do grupo e uma retirada faseada israelita a começar por duas zonas-piloto. Fontes próximas do movimento xiita, citadas pela imprensa israelita, descrevem a atual calma no sul como um «teste a Israel», argumentando que, se o Hezbollah não dispara e Israel continua a ocupar território e a conduzir ataques, fica claro quem está a bloquear a implementação do entendimento. Nas últimas horas, o exército israelita realizou várias detonações controladas na localidade de Khiam e bombardeamentos de artilharia nos arredores de Deir Seryan, ações que Beirute classifica como violações do cessar-fogo.
O impasse expõe a fragilidade do acordo mediado por Washington e a distância entre as leituras que cada ator faz do processo. Enquanto a administração Trump sinaliza otimismo com a assinatura de acordos e acredita numa retirada voluntária, o governo israelita insiste que a sua presença não tem prazo e que a desmilitarização do Hezbollah é uma condição prévia inegociável. A próxima ronda de Roma e o encontro Aoun-Trump em Washington são agora os momentos-chave para verificar se a via diplomática consegue reconciliar estas posições ou se a presença militar israelita se consolida como um facto prolongado no terreno.
| Imprensa israelense | +0.30 | aligned |
|---|---|---|
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.50 | critical |
| Imprensa iraniana e afins | −0.60 | critical |
| Imprensa atlântica / anglosfera | 0.00 | neutral |
Israel asserts its sovereign right to remain in Lebanon to protect its citizens, rejecting any external interference.
It presents Hezbollah as an existential and ineradicable threat, thereby justifying the military presence as a necessary and non-negotiable self-defense measure.
Omits the Israeli ambassador's statements to the UN suggesting a long-term withdrawal.
The Israeli government systematically violates Lebanese sovereignty and international agreements, refusing any compromise.
It frames the Israeli presence as a violation of international law and ongoing negotiations, delegitimizing Israel's position through the language of 'violations' and 'infiltrations'.
Does not report Trump's statement that he believes Israel will withdraw.
The Zionist regime shows its true aggressive and provocative nature, rejecting any external authority.
It portrays Israel as an irrational and belligerent actor that defies even its main ally, reinforcing the narrative of a permanent threat to the region.
Does not mention Trump's statements indicating a possible Israeli withdrawal.
Israel sends mixed signals: on one hand Katz's hard line, on the other the ambassador's caution at the UN.
It juxtaposes two divergent official Israeli statements to suggest that the final position is still evolving and that Katz's words may not be definitive.
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