
Israel condiciona retirada do sul do Líbano ao desarmamento total do Hezbollah
Ministro da Defesa israelita afirma que forças permanecerão na 'zona de segurança' e que acordo assinado com mediação dos EUA representa um 'golpe estratégico no eixo iraniano'.
O ministro da Defesa de Israel, Yisrael Katz, declarou este sábado que as tropas israelitas não se retirarão do sul do Líbano — incluindo a área de Chaqif (Beaufort) — enquanto o Hezbollah não for completamente desarmado em todo o território libanês. A posição foi tornada pública um dia depois de representantes de Israel, Líbano e Estados Unidos terem assinado, em Washington, um acordo-quadro que, segundo Katz, 'desenha, pela primeira vez em décadas, uma realidade nova e mais segura na fronteira norte' e reforça a segurança dos cidadãos israelitas a longo prazo.
Na perspetiva de Telavive, o entendimento alcançado com a mediação norte-americana consagra a manutenção de uma 'zona de segurança' no sul do Líbano, despovoada e livre de infraestruturas do Hezbollah, onde as Forças de Defesa de Israel conservarão 'liberdade de ação militar' para neutralizar ameaças contra as suas tropas e as localidades do norte de Israel. O ministro israelita caracterizou o acordo como um 'golpe estratégico no eixo iraniano' e advertiu que, se o Irão tentar atacar Israel ou obstruir a implementação do documento, 'agiremos com grande força'. A mesma fonte governamental sublinhou que o princípio essencial fixado no texto é o de que 'não haverá qualquer reposicionamento ou retirada' israelita sem o desarmamento do Hezbollah e a garantia de segurança para os residentes do norte.
A reação do Hezbollah foi imediata e de rejeição frontal. O secretário-geral do movimento xiita, Naim Qassem, classificou o acordo como 'nulo' e equiparou-o a uma 'rendição' do Estado libanês perante Israel e os Estados Unidos. A liderança iraniana, por seu turno, descreveu o entendimento como parte de uma 'conspiração americano-israelita' destinada a enfraquecer o 'eixo da resistência' e a desarmar o Hezbollah, rejeitando qualquer acordo que não preveja a retirada total de Israel do território libanês. O governo libanês, que assinou o quadro, não se pronunciou publicamente sobre as declarações de Katz até ao momento, mas a divergência entre o executivo de Beirute e a milícia que controla de facto amplas zonas do país expõe a fragilidade do consenso interno.
Para além dos atores diretamente envolvidos, o dossier mobiliza a atenção de capitais com presença na Força Interina das Nações Unidas no Líbano (UNIFIL). Diplomatas em Brasília recordam que o Brasil comanda a Força-Tarefa Marítima da missão e mantém um contingente terrestre, pelo que qualquer alteração do dispositivo de segurança no sul do Líbano é acompanhada com particular atenção por parte do Itamaraty. Em Lisboa, fontes governamentais sublinham que Portugal também participa na UNIFIL e que a estabilidade da fronteira israelo-libanesa é um elemento central para a segurança do Mediterrâneo Oriental, região com a qual a CPLP mantém laços históricos e comunidades significativas.
O acordo-quadro assinado na sexta-feira constitui uma primeira etapa de um processo negocial que, segundo o secretário de Estado norte-americano Marco Rubio, ainda tem 'muito trabalho pela frente'. A implementação do entendimento enfrenta oposição declarada do Hezbollah e do Irão, e o próprio Katz reconheceu que 'o teste estará na execução' e que 'ainda há muitos desafios'. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, e o ministro da Defesa instruíram as forças armadas a prepararem-se para uma permanência prolongada na zona de segurança, o que sinaliza que, na leitura de Telavive, o calendário de desarmamento do Hezbollah permanece em aberto.
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa atlântica / anglosfera | +0.20 | neutral |
Lebanon denounces the agreement as a surrender imposed by Israel and the United States, while religious authorities warn it undermines national sovereignty.
Religious authority is invoked to delegitimize the agreement, presenting it as a violation of national and Islamic principles, and Hezbollah's own perspective is omitted.
Hezbollah's direct position and the details of Israeli security guarantees that motivate the refusal to withdraw are absent.
The Lebanese government reaffirms its sovereignty by removing Iranian symbols, signaling that Lebanon comes first, not foreign interests.
A symbolic event (poster removal) is selected to represent a policy shift, avoiding discussion of Israeli conditions for withdrawal and the disarmament of Hezbollah.
The Israeli demand for Hezbollah's disarmament as a condition for withdrawal is omitted, as is the context of the ongoing occupation.
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