
Hong Kong e Vietname detêm editores e livreiros por conteúdos subversivos; Austrália prende oito por tiroteios
Operações policiais em três continentes visaram, em Hong Kong e no Vietname, a circulação de livros considerados sediciosos, enquanto na Austrália oito pessoas foram detidas por incidentes com armas de fogo.
As autoridades de Hong Kong detiveram cinco pessoas e apreenderam livros durante rusgas a duas livrarias independentes, acusando os suspeitos de exibir e vender publicações com intenção sediciosa. Segundo um comunicado da polícia do território, as obras incitavam ao ódio contra o governo, o sistema judicial e as forças de segurança. As lojas visadas — a Have A Nice Stay, fundada por antigos jornalistas, e a Greenfield Book Store — comercializavam títulos sobre democracia, autoritarismo e filosofia. A ação ocorreu um dia depois de a Have A Nice Stay ter anunciado o encerramento em agosto, citando dificuldades financeiras e a indefinição das «linhas vermelhas» sobre o que é considerado problemático ao abrigo da Lei de Segurança Nacional.
Em Hanói, a polícia deteve três diretores da Editora da Associação de Escritores do Vietname, responsáveis pela publicação do livro «Histórias com Thanh», que relata os anos de formação de Ho Chi Minh no estrangeiro. As autoridades vietnamitas acusam os detidos de «produzir, possuir, distribuir ou disseminar informações, documentos ou artigos destinados a opor-se à República Socialista do Vietname», alegando que a obra «distorce a história das revoluções, as políticas e orientações do partido e do Estado». O autor do livro, o antigo executivo de telecomunicações Nguyen Thanh Nam, e um influenciador digital que o promoveu nas redes sociais já tinham sido presos no início de julho sob acusações semelhantes.
Na perspetiva de observadores em Lisboa e em Brasília, as detenções em Hong Kong e no Vietname inserem-se num padrão de reforço do controlo estatal sobre a produção cultural e a memória histórica. A Amnistia Internacional classificou as rusgas em Hong Kong como um sinal da «realidade arrepiante» do território, onde a incerteza sobre as «linhas vermelhas» força livreiros e escritores à autocensura. Em ambos os casos, as molduras legais invocadas — a Lei de Segurança Nacional em Hong Kong e o código penal vietnamita — preveem penas de prisão até sete anos, o que, segundo analistas europeus, consolida um ambiente de intimidação preventiva sobre o setor editorial independente.
Num caso distinto, a polícia do estado australiano de Queensland deteve oito pessoas e apreendeu sete armas de fogo, incluindo três pistolas e quatro espingardas, na sequência de dois tiroteios ocorridos em Mackay no início de julho. Quatro dos detidos foram acusados de posse e descarga de arma de fogo, tráfico ilegal de armas e posse de drogas, devendo comparecer perante o Tribunal de Magistrados de Mackay nos próximos meses. As investigações prosseguem sobre os disparos contra um veículo desocupado e uma residência, que não provocaram feridos. Enquanto em Hong Kong e no Vietname os processos judiciais ainda não têm data marcada, na Austrália as primeiras audiências estão previstas para as próximas semanas.
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