
Trump anuncia ataque iminente a complexo nuclear subterrâneo no Irão
Presidente dos EUA confirma que forças americanas atingirão 'muito em breve' a Montanha Pickaxe, enquanto Israel alega que Teerão transferiu milhares de centrifugadoras para o local fortificado.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na terça-feira que as forças norte-americanas irão bombardear «muito em breve» a área da Montanha Pickaxe, um complexo subterrâneo fortificado situado a cerca de dois quilómetros da instalação de enriquecimento de urânio de Natanz, no centro do Irão. A declaração, proferida durante um encontro com o presidente libanês, Joseph Aoun, na Casa Branca, surge num momento de escalada militar contínua entre Washington e Teerão, com trocas de ataques aéreos e com mísseis que já duram há dez dias consecutivos. Trump acrescentou que os Estados Unidos «não têm qualquer interesse» em retomar negociações enquanto o Irão não estiver disposto a um diálogo «significativo», e estimou que, se os combates cessassem de imediato, o Irão precisaria de «20 a 25 anos» para reconstruir as infraestruturas danificadas.
Segundo informações divulgadas pelo jornal The Wall Street Journal com base em fontes israelitas e norte-americanas, os serviços de informação de Israel acreditam que o Irão transferiu, no outono passado, milhares de centrifugadoras de enriquecimento de urânio para túneis escavados sob a Montanha Pickaxe, após a guerra de doze dias de junho de 2025, durante a qual os EUA e Israel atingiram as três principais instalações nucleares iranianas. O complexo, cuja construção terá começado em 2020, nunca foi alvo de ataques aéreos e, de acordo com o Institute for Science and International Security (ISIS), de Washington, poderá estar a uma profundidade entre 90 e 137 metros, o que o colocaria fora do alcance das mais potentes bombas antibunker do arsenal americano. O primeiro-ministro israelita, Benjamin Netanyahu, tem pressionado a administração Trump a alargar a campanha militar contra o Irão, com o objetivo de travar a reconstrução das capacidades nucleares e militares de Teerão, enquanto a Guarda Revolucionária iraniana prometeu continuar a combater «até ao último dia».
A ameaça de ataque à Montanha Pickaxe insere-se num quadro de confronto regional mais vasto. Na mesma terça-feira, o Comando Central dos EUA confirmou novos bombardeamentos contra centros de comando, lançadores de mísseis e sistemas de defesa aérea no sul do Irão, ao passo que Teerão reivindicou ataques contra instalações militares norte-americanas no Kuwait, no Bahrein e na Jordânia. Os rebeldes houthis do Iémen, apoiados pelo Irão, declararam um bloqueio naval contra a Arábia Saudita, ameaçando o estreito de Bab el-Mandeb, uma via estratégica para o transporte de petróleo. Analistas em Brasília e Lisboa alertam para o potencial impacto na estabilidade dos mercados energéticos globais, uma vez que o estreito de Ormuz, já sob forte tensão, e o Mar Vermelho são rotas cruciais para as exportações de crude do Médio Oriente, com reflexos diretos nos preços dos combustíveis na América Latina e na Europa.
O atual ciclo de hostilidades teve início a 28 de fevereiro de 2026, com uma operação militar conjunta dos EUA e de Israel contra o Irão, seguida de um memorando de cessar-fogo assinado em junho. O acordo colapsou a 8 de julho, quando Washington acusou Teerão de violar os termos relativos ao controlo do estreito de Ormuz e retomou os bombardeamentos. Desde então, o Pentágono contabiliza pelo menos 17 militares norte-americanos mortos e perto de uma centena de feridos, enquanto fontes iranianas reportam mais de 50 vítimas civis. A Agência Internacional de Energia Atómica não se pronunciou sobre as alegações israelitas, e o Irão mantém que o seu programa nuclear tem fins exclusivamente pacíficos. A diplomacia indireta prossegue através de mediadores, mas a perspetiva de um ataque a um dos locais mais protegidos do programa nuclear iraniano mantém a região num impasse de elevada volatilidade.
| Imprensa israelense | −0.70 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa russa e CEI | −0.20 | neutral |
| Imprensa do Golfo árabe | 0.00 | neutral |
Israel soa o alarme: a transferência de centrífugas prova que o Irã está reconstruindo secretamente seu programa nuclear, ameaçando a segurança regional e global.
Ao apresentar a inteligência como evidência irrefutável e citar fontes anônimas, cria-se um senso de urgência que legitima uma resposta militar.
A perspectiva iraniana e o contexto dos ataques e negociações anteriores são omitidos, focando apenas na ameaça.
A Rússia observa que as revelações israelenses servem para justificar uma nova escalada militar, enquanto Teerã age para proteger suas próprias capacidades.
Ao destacar as pressões israelenses sobre Washington, lança-se dúvida sobre a credibilidade da ameaça, sugerindo que ela é amplificada para fins políticos.
A avaliação técnica detalhada das centrífugas e seu potencial uso militar é omitida, focando-se em vez disso nas dinâmicas diplomáticas.
Os estados do Golfo monitoram com cautela os movimentos do Irã, cientes de que um conflito nuclear na região teria consequências diretas para sua segurança.
Ao relatar os fatos sem comentários diretos, mantém-se uma posição neutra que evita alinhamento aberto, ao mesmo tempo que reconhece a gravidade da situação.
A ameaça de Trump de destruir a instalação e as pressões israelenses por novos ataques não são relatadas, mantendo o foco na transferência factual.
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