
Irão rejeita controlo dos EUA sobre ativos descongelados e afirma soberania sobre uso dos fundos
Embaixador iraniano na ONU contradiz vice-presidente Vance e sublinha que só Teerão decidirá destino dos cerca de 12 mil milhões de dólares, enquanto prosseguem negociações na Suíça.
O embaixador do Irão junto às Nações Unidas em Genebra, Ali Bahreini, afirmou esta terça-feira que apenas Teerão decidirá como utilizar os ativos que venham a ser descongelados no âmbito do acordo preliminar com os Estados Unidos, rejeitando categoricamente as declarações de Washington de que os fundos ficariam sob controlo norte-americano e catari e seriam destinados à compra de produtos agrícolas dos EUA. A controvérsia surge na sequência da primeira ronda de conversações mediadas pelo Paquistão e pelo Catar no complexo de Bürgenstock, na Suíça, que resultou num memorando de entendimento e na suspensão temporária de sanções por 60 dias.
Segundo o vice-presidente norte-americano JD Vance, qualquer descongelamento de ativos iranianos estaria sujeito a um mecanismo de aprovação por Washington e Doha, e os montantes seriam canalizados para a aquisição de milho, soja e trigo norte-americanos, proposta atribuída a Jared Kushner, conselheiro e genro do Presidente Donald Trump. O próprio Trump reforçou a posição numa rede social, indicando que os fundos ficariam numa conta de garantia sob controlo dos EUA e se destinariam a alimentos e insumos médicos. Bahreini, que integrou a delegação iraniana nas conversações, reconheceu a necessidade de “arranjos técnicos” por parte de Washington e Doha, uma vez que os ativos foram congelados pelos EUA e parte deles está depositada no Catar, mas sublinhou que esse papel se limita ao processo de libertação, sem qualquer influência sobre a utilização posterior. “Certamente o Irão não permite que tenham influência adicional sobre outros processos, relacionados com a compra e importação de mercadorias. Isso é algo que o Irão, e apenas o Irão, decidirá”, declarou.
As negociações visam transformar o acordo interino num entendimento permanente no prazo de 60 dias, abrangendo o alívio de sanções e o programa nuclear iraniano. Bahreini anunciou a criação de grupos de trabalho para discutir a remoção das sanções e as atividades nucleares, enquanto fontes iranianas negaram que esteja prevista a inspeção de instalações nucleares danificadas por ataques militares dos EUA e de Israel, contrariando indicações de Washington. O diplomata iraniano estabeleceu ainda como “linha vermelha” qualquer novo ataque contra o Líbano, apelando a que os EUA usem “toda a sua influência” sobre Israel para manter o cessar-fogo no sul do país, que tem sido largamente respeitado desde domingo, apesar de incidentes isolados.
Na perspetiva de Brasília e de Luanda, o eventual descongelamento de cerca de 12 mil milhões de dólares em receitas petrolíferas e reservas do banco central iraniano, combinado com a suspensão temporária das sanções à exportação de petróleo, poderá ter impacto nos mercados energéticos globais, com reflexos para produtores como o Brasil e Angola. Os próximos passos incluem a continuação das conversações técnicas e a instalação dos grupos de trabalho, enquanto o período de 60 dias de suspensão de sanções serve de teste para um possível alargamento a outros setores, num contexto em que a fragilidade do cessar-fogo no Líbano permanece como fator de risco para o processo diplomático.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O embaixador do Irã na ONU relatou bons progressos nas conversações de paz e negou as alegações dos EUA de que os fundos descongelados seriam usados para comprar commodities americanas. Teerã insiste que decidirá sozinho como usar os 12 bilhões de dólares em ativos congelados.
O vice-presidente dos EUA anunciou novas condições para a liberação dos bilhões iranianos congelados, mas Teerã o contradisse imediatamente. O Irã afirma que determinará sozinho o uso de seus ativos, rejeitando qualquer supervisão americana.
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