
Irã executa manifestante condenado por atear fogo a edifícios públicos durante protestos de janeiro
Mohammad Amini Dehaghani foi enforcado após confissões que organizações de direitos humanos dizem ter sido obtidas sob tortura, enquanto Teerã acelera execuções no contexto da guerra com os EUA e Israel.
O poder judicial iraniano executou na madrugada de quarta-feira, 15 de julho de 2026, Mohammad Amini Dehaghani, condenado por “moharebeh” (guerra contra Deus) e “corrupção na terra” por ter ateado fogo à sede do governo e à esquadra da polícia de Dehaghan, na província de Isfahan, durante os protestos de 9 de janeiro. A agência Mizan, ligada ao judiciário, informou que a sentença foi confirmada pelo Supremo Tribunal e que o condenado confessou ter lançado cocktails molotov e incitado outros a atacar as forças de segurança. Esta é a terceira execução anunciada em menos de uma semana, depois de dois homens terem sido enforcados por alegada filiação ao Estado Islâmico.
Segundo a versão oficial iraniana, as investigações basearam-se em imagens de videovigilância e nas confissões do próprio Dehaghani, que admitiu ainda ter contactado meios de comunicação da oposição, procurado armas e difundido propaganda contra a República Islâmica. As autoridades de Teerã classificam os protestos de dezembro e janeiro — desencadeados pela derrocada do rial e pela crise económica — como motins apoiados pelos Estados Unidos e por Israel, e afirmam que a violência causou cerca de três mil mortos, atribuindo a responsabilidade a “atos terroristas”. O chefe do poder judicial, Gholamhossein Mohseni Ejei, tem instado os procuradores a acelerar a tramitação dos processos ligados às manifestações e à guerra.
Organizações de direitos humanos sediadas fora do Irã, como a Amnistia Internacional e a Human Rights in Iran (Noruega), contestam a legalidade dos julgamentos. Documentam que as confissões foram obtidas sob tortura física e psicológica, incluindo ameaças de violência sexual contra familiares, e que os réus foram privados de acesso a advogados da sua escolha e a audiências públicas. O Alto Comissário da ONU para os Direitos Humanos, Volker Türk, contabilizou pelo menos 40 execuções no Irã desde o início de 2026, 18 das quais de manifestantes. A relatora especial da ONU para o Irã, Mai Sato, afirmou que Teerã utiliza a pena de morte como “instrumento para criar medo e reprimir a dissidência”. Observadores em Brasília e Lisboa, através dos canais diplomáticos multilaterais, têm manifestado preocupação com a escalada punitiva.
A vaga de execuções intensificou-se após a ofensiva militar dos EUA e de Israel contra o Irã, iniciada em 28 de fevereiro de 2026. O presidente norte-americano, Donald Trump, pediu publicamente às autoridades iranianas que não executassem os manifestantes, mas o ritmo das sentenças capitais manteve-se. Analistas no Médio Oriente interpretam a aceleração como um sinal de consolidação interna face à pressão externa. O dossiê permanece em aberto: organizações de direitos humanos alertam que pelo menos quatro outros manifestantes aguardam a confirmação de penas de morte pelo Supremo Tribunal, enquanto o Conselho de Direitos Humanos da ONU continua a monitorizar a situação e a exigir a suspensão das execuções.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.80 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa iraniana e afins | +0.80 | aligned |
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.60 | critical |
O regime iraniano mata outro manifestante enquanto as condições prisionais são desumanas.
Ao detalhar o sofrimento dos detidos, cria empatia e condena o regime.
Omite as confissões e provas de vídeo que o regime alega ter.
A justiça puniu um criminoso que colaborou com o inimigo.
Ao apresentar a execução como um ato legal e necessário, legitima a repressão.
Omite as condições prisionais desumanas e as críticas internacionais.
O Irã continua executando manifestantes em um clima de guerra.
Ao vincular a execução ao conflito com os EUA, amplia a crítica ao regime.
Não relata os detalhes específicos das provas nem as condições prisionais.
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