
Irão decreta feriados para funeral de Khamenei; alertas de segurança ecoam tragédias passadas
Governo iraniano anuncia encerramentos em Teerão, Qom e Mashhad para as cerimónias fúnebres do líder supremo, enquanto antigo responsável alerta para riscos de multidões.
O governo do Irão decretou uma série de feriados nacionais e regionais para as cerimónias fúnebres do aiatola Ali Khamenei, marcadas para julho, mais de quatro meses após a sua morte em bombardeamentos israelo-americanos a 28 de fevereiro. De acordo com a porta-voz do executivo, Fatemeh Mohajerani, a província de Teerão estará encerrada nos dias 4 e 5 de julho, e todo o país no dia 6, data da grande procissão na capital. A cidade santa de Qom terá um dia de luto a 7 de julho, e a província de Khorasan Razavi, onde se situa o santuário do imã Reza em Mashhad, estará fechada a 9 de julho, dia do enterro. Uma etapa das cerimónias passará ainda pelo Iraque a 8 de julho, segundo a imprensa estatal.
A decisão do governo, justificada pela necessidade de facilitar a participação de milhões de pessoas, foi acompanhada por um apelo público invulgar do antigo vice-presidente do parlamento, Ali Motahari. Num texto divulgado por vários órgãos de comunicação, Motahari recordou incidentes fatais em funerais anteriores — mais de 70 mortos por pisoteamento durante o funeral de Qassem Soleimani em Kerman, e a rutura do sudário de Khomeini em 1989 — e instou os organizadores a adotarem métodos de despedida controlada, com o corpo em local protegido e o público a passar ordeiramente, como se pratica noutros países. O alerta reflete uma tensão interna entre a mobilização popular pretendida pelo regime e os riscos logísticos de aglomerações maciças.
Observadores em Paris notam que o início das cerimónias nacionais a 4 de julho coincide com o 250.º aniversário da independência dos Estados Unidos, país cujas forças, juntamente com as israelitas, foram responsabilizadas pela morte de Khamenei. A sucessão no cargo de guia supremo recaiu em Mojtaba Khamenei, filho do líder falecido, designado no início de março, mas que, segundo a imprensa francesa, não fez qualquer aparição pública desde então, comunicando-se apenas através de comunicados atribuídos. Analistas em capitais europeias interpretam esta invisibilidade como um sinal de fragilidade na transição do poder, num contexto de guerra e de luto nacional prolongado.
Na preparação logística, o vice-ministro do Interior, Aliakbar Pourjamshidian, anunciou que as procissões em Teerão utilizarão todas as vias principais da cidade, sem um ponto único de concentração, e que em Mashhad a cerimónia se estenderá por toda a cidade, dada a afluência prevista de peregrinos de países vizinhos. O presidente Massoud Pezeshkian, citado pela porta-voz, reiterou que o governo se apoia na mobilização popular e no papel das corporações de ofícios para enfrentar as dificuldades do país. As cerimónias, inicialmente previstas para março e adiadas devido ao conflito, deverão decorrer sob forte escrutínio das medidas de segurança, enquanto Teerão procura projetar unidade nacional num momento de luto e de viragem política.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O Irã prepara uma despedida solene ao Líder mártir, descrita como uma experiência espiritual duradoura para a nação e o mundo islâmico. As autoridades mobilizam milhões de cidadãos, organizando trajetos e serviços para uma cerimônia que será ao mesmo tempo um juramento de fidelidade à revolução e uma demonstração de força contra os inimigos.
As autoridades iranianas declararam três dias de feriado em Teerã para o funeral do Líder Supremo, morto em ataques americano-israelenses. A cidade ficará totalmente fechada durante as cerimônias de despedida e o corpo será posteriormente sepultado em Mashhad.
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