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Irão cai no Mundial entre o VAR, a fronteira e a autocrítica

Um golo anulado nos descontos frente ao Egito e uma cadeia de resultados externos selaram a eliminação do Irão, expondo as condições logísticas desiguais impostas à equipa e a frustração de uma geração que se despede sem vitórias.

O sonho iraniano desmoronou-se primeiro no relvado molhado de Seattle e, horas depois, numa lenta execução matemática à distância. Aos 90+4 minutos do jogo com o Egito, o defesa Shoja Khalilzadeh cabeceou para o que seria o golo da vitória e da histórica passagem aos oitavos de final. O banco explodiu, mas o VAR congelou a celebração: fora de jogo milimétrico, anulado. O empate 1-1 foi o terceiro consecutivo no Grupo G e deixou o Irão a rezar por combinações de resultados que nunca chegaram. Antes, Mehdi Taremi vira um penálti defendido por Mostafa Shobeir e Saeid Ezatolahi acertara com estrondo na trave. A equipa saiu de campo esgotada, com o capitão prostrado no relvado, a olhar para um céu que já não lhe devolvia esperança.

A eliminação consumou-se no dia seguinte, numa sucessão de golpes externos. A primeira via de apuramento fechou quando a Croácia evitou a derrota frente ao Gana. Depois, a República Democrática do Congo venceu o Uzbequistão. O golpe final veio já nos descontos do Áustria-Argélia: um golo argelino reacendeu a chama iraniana, mas o empate austríaco dois minutos depois apagou-a em definitivo. O Irão terminou a fase de grupos sem derrotas, mas também sem vitórias, e foi ultrapassado na corrida aos melhores terceiros classificados. Na imprensa iraniana, o sentimento dominante era de que a equipa tinha bens para mais do que festejar a mera ausência de derrotas.

A campanha decorreu sob condições que observadores na Europa classificaram como uma falha estrutural da FIFA. A delegação iraniana foi obrigada a instalar o seu centro de estágio em Tijuana, no México, e a cruzar a fronteira para os Estados Unidos apenas na véspera dos jogos, enfrentando longos controlos de segurança. Após os encontros, os jogadores eram retirados rapidamente do país, com o fisioterapeuta a prestar tratamento no autocarro ou no avião, segundo relatos internacionais. “Isto não é justo”, desabafou Taremi, acrescentando que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, prometera resolver os problemas, mas “na verdade, a FIFA não fez nada”. A publicação alemã Frankfurter Allgemeine Zeitung considerou que o organismo falhou na sua tarefa central de garantir igualdade de condições, permitindo que a política interferisse diretamente na competição.

Dentro do Irão, as críticas centraram-se também na abordagem técnica. O antigo dirigente Amir Abedini apontou o gesto de Taremi a ajeitar as sobrancelhas antes da cobrança do penálti como sintoma de falta de concentração e questionou a ousadia do selecionador Amir Ghalenoei. “Durante dez minutos finais contra o Egito, quando os jogadores se soltaram, empurrámos o adversário para trás. Porquê só nessa altura? Porque o treinador teve medo e transmitiu medo”, disse, lamentando a entrada de Alireza Jahanbakhsh apenas aos 90 minutos e a ausência de Mehdi Ghaedi. O técnico do Gol Gohar, Mehdi Tatar, também considerou que o Irão “podia e devia ter passado” e que atacou demasiado tarde. A eliminação encerra, muito provavelmente, o ciclo da geração dourada de Taremi e companhia, deixando à federação a tarefa de renovar uma seleção que, apesar de tudo, esteve a centímetros de reescrever a sua história.

Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa iraniana e afinsImprensa atlântica / anglosfera
Imprensa iraniana e afins/ Regime
VitimismoTriunfo

A eliminação do Irã da Copa do Mundo tem gosto de injustiça, decidida por um pênalti perdido e um impedimento. A nação, porém, encontra consolo na histórica classificação do Chadormalu para a Liga dos Campeões asiática, um triunfo que desvia a atenção da decepção. Críticos questionam a coragem do treinador, mas o sucesso doméstico oferece uma narrativa de resiliência.

Imprensa atlântica / anglosfera/ Econômica
PragmatismoDistanciamento

O Chadormalu Ardakan derrotou o Gol Gohar nos pênaltis após um empate sem gols na prorrogação, garantindo a vaga do Irã na AFC Champions League Two. Este resultado puramente esportivo é relatado sem qualquer referência à eliminação da seleção nacional da Copa do Mundo.

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Atualizado 22:551 idioma · 1 veículo
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segunda-feira, 29 de junho de 2026

Irão cai no Mundial entre o VAR, a fronteira e a autocrítica

Um golo anulado nos descontos frente ao Egito e uma cadeia de resultados externos selaram a eliminação do Irão, expondo as condições logísticas desiguais impostas à equipa e a frustração de uma geração que se despede sem vitórias.

O sonho iraniano desmoronou-se primeiro no relvado molhado de Seattle e, horas depois, numa lenta execução matemática à distância. Aos 90+4 minutos do jogo com o Egito, o defesa Shoja Khalilzadeh cabeceou para o que seria o golo da vitória e da histórica passagem aos oitavos de final. O banco explodiu, mas o VAR congelou a celebração: fora de jogo milimétrico, anulado. O empate 1-1 foi o terceiro consecutivo no Grupo G e deixou o Irão a rezar por combinações de resultados que nunca chegaram. Antes, Mehdi Taremi vira um penálti defendido por Mostafa Shobeir e Saeid Ezatolahi acertara com estrondo na trave. A equipa saiu de campo esgotada, com o capitão prostrado no relvado, a olhar para um céu que já não lhe devolvia esperança.

A eliminação consumou-se no dia seguinte, numa sucessão de golpes externos. A primeira via de apuramento fechou quando a Croácia evitou a derrota frente ao Gana. Depois, a República Democrática do Congo venceu o Uzbequistão. O golpe final veio já nos descontos do Áustria-Argélia: um golo argelino reacendeu a chama iraniana, mas o empate austríaco dois minutos depois apagou-a em definitivo. O Irão terminou a fase de grupos sem derrotas, mas também sem vitórias, e foi ultrapassado na corrida aos melhores terceiros classificados. Na imprensa iraniana, o sentimento dominante era de que a equipa tinha bens para mais do que festejar a mera ausência de derrotas.

A campanha decorreu sob condições que observadores na Europa classificaram como uma falha estrutural da FIFA. A delegação iraniana foi obrigada a instalar o seu centro de estágio em Tijuana, no México, e a cruzar a fronteira para os Estados Unidos apenas na véspera dos jogos, enfrentando longos controlos de segurança. Após os encontros, os jogadores eram retirados rapidamente do país, com o fisioterapeuta a prestar tratamento no autocarro ou no avião, segundo relatos internacionais. “Isto não é justo”, desabafou Taremi, acrescentando que o presidente da FIFA, Gianni Infantino, prometera resolver os problemas, mas “na verdade, a FIFA não fez nada”. A publicação alemã Frankfurter Allgemeine Zeitung considerou que o organismo falhou na sua tarefa central de garantir igualdade de condições, permitindo que a política interferisse diretamente na competição.

Dentro do Irão, as críticas centraram-se também na abordagem técnica. O antigo dirigente Amir Abedini apontou o gesto de Taremi a ajeitar as sobrancelhas antes da cobrança do penálti como sintoma de falta de concentração e questionou a ousadia do selecionador Amir Ghalenoei. “Durante dez minutos finais contra o Egito, quando os jogadores se soltaram, empurrámos o adversário para trás. Porquê só nessa altura? Porque o treinador teve medo e transmitiu medo”, disse, lamentando a entrada de Alireza Jahanbakhsh apenas aos 90 minutos e a ausência de Mehdi Ghaedi. O técnico do Gol Gohar, Mehdi Tatar, também considerou que o Irão “podia e devia ter passado” e que atacou demasiado tarde. A eliminação encerra, muito provavelmente, o ciclo da geração dourada de Taremi e companhia, deixando à federação a tarefa de renovar uma seleção que, apesar de tudo, esteve a centímetros de reescrever a sua história.

Divergência das fontes

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28%Média

Quanto as fontes relatam os mesmos fatos de maneira diferente.

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Como a mesma história é contada em outros lugares.

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Imprensa iraniana e afins/ Regime
VitimismoTriunfo

A eliminação do Irã da Copa do Mundo tem gosto de injustiça, decidida por um pênalti perdido e um impedimento. A nação, porém, encontra consolo na histórica classificação do Chadormalu para a Liga dos Campeões asiática, um triunfo que desvia a atenção da decepção. Críticos questionam a coragem do treinador, mas o sucesso doméstico oferece uma narrativa de resiliência.

Imprensa atlântica / anglosfera/ Econômica
PragmatismoDistanciamento

O Chadormalu Ardakan derrotou o Gol Gohar nos pênaltis após um empate sem gols na prorrogação, garantindo a vaga do Irã na AFC Champions League Two. Este resultado puramente esportivo é relatado sem qualquer referência à eliminação da seleção nacional da Copa do Mundo.

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