
Irão anuncia mais de 3.200 detidos por 'colaboração com o inimigo' e intensifica execuções
Anúncio do porta-voz judiciário coincide com relatos de aumento de execuções políticas e confisco de bens, enquanto governos europeus reforçam medidas contra radicalização.
O porta-voz do poder judicial iraniano, Asghar Jahangir, revelou que 3.292 pessoas foram detidas nos últimos meses ao abrigo da lei que agrava as penas por colaboração com Estados hostis. Do total, 684 são acusadas de “ações operacionais a favor de Israel”, 657 de cooperação económica, financeira ou tecnológica, 201 de assistência e 1.258 de atividades políticas, de propaganda ou mediáticas. Foram emitidas 1.061 acusações e identificadas “centenas de bens de traidores”, incluindo uma lista de 34 páginas de património móvel e imóvel. O anúncio coincide com a divulgação, por organizações de direitos humanos citadas na imprensa internacional, de que pelo menos 45 pessoas foram executadas por motivos políticos desde o início do ano, num contexto de intensificação das execuções após o período de guerra.
Na perspetiva de Teerão, as detenções e confiscos inserem-se na resposta a “condições de guerra” e a uma suposta instrumentalização dos protestos internos por parte dos Estados Unidos e de Israel. O chefe do poder judicial, Gholamhossein Mohseni Ejei, já havia instado à emissão célere de sentenças de confisco e de morte. Em contrapartida, a Amnistia Internacional alertou que as autoridades iranianas estão a usar o pretexto da guerra para intensificar a repressão da dissidência, com detenções arbitrárias em massa, julgamentos acelerados e execuções com motivação política. O Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos manifestou preocupação com a expansão das detenções, as restrições digitais e o recurso à pena capital em processos políticos e de segurança. O bloqueio da internet durante 88 dias visou, segundo a Amnistia, impedir a organização de protestos e o envio de imagens para o exterior.
A vaga repressiva sucede aos protestos de dezembro e janeiro, desencadeados pelo agravamento da crise económica, pelo colapso do rial e pela subida abrupta dos preços. Só em três províncias foram constituídos mais de 1.800 processos judiciais relacionados com essas manifestações. Paralelamente, o poder judicial informou ter identificado e filtrado, em articulação com outros órgãos do regime, mais de 50 mil páginas com cerca de seis milhões de conteúdos considerados criminosos em plataformas de mensagens estrangeiras. A identificação de bens estende-se a cidadãos no exterior, incluindo jornalistas e gestores de meios de comunicação em língua persa. Londres, Paris e Berlim condenaram a violência contra manifestantes e apelaram ao respeito pelos direitos de reunião e de expressão. Washington chegou a ponderar ataques contra alvos não militares no Irão em reação ao tratamento dado aos protestos.
Em Roma, o subsecretário do Interior, Nicola Molteni, da Liga, defendeu que imigração e fundamentalismo islâmico são “duas faces do mesmo problema” e anunciou uma nova restrição aos reagrupamentos familiares e à tutela de menores estrangeiros não acompanhados, apontando-os como fontes de radicalização e de gangues juvenis. Itália contabiliza 251 expulsões de indivíduos radicalizados e introduziu a detenção de material com finalidade terrorista. O novo pacto europeu sobre migração, já em vigor, prevê mais celeridade nos repatriamentos e a possibilidade de retorno para países terceiros extra-UE. Observadores em Lisboa e Brasília notam que a repressão no Irão e o endurecimento securitário na Europa convergem num cenário global de resposta a ameaças percebidas. O dossier iraniano permanece em aberto, com milhares de detidos em prisão preventiva ou libertados sob fiança, enquanto prosseguem os julgamentos e se aguardam novas sentenças, incluindo execuções, sob vigilância de mecanismos internacionais de direitos humanos.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O judiciário iraniano anuncia com firmeza a prisão de 3.292 pessoas por colaboração com o inimigo, enquadrando a operação como medida de segurança indispensável no pós-guerra. Mais de mil acusações já foram emitidas e os bens dos 'traidores' estão a ser sistematicamente identificados. A ação é apresentada como defesa legítima contra ameaças orquestradas do exterior.
O regime iraniano está a expandir o seu aparelho de segurança, explorando o contexto pós-guerra para prender milhares de pessoas sob vagas acusações de colaboração com o inimigo. Os números do próprio judiciário revelam um aumento de casos de segurança, vigilância online e confisco de bens, pintando um quadro de repressão cada vez mais intensa.
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