
Irão adverte que rotas alternativas em Ormuz «aumentarão as tensões» e atrasam reabertura do estreito
Aviso de Teerão surge após novos ataques entre forças dos EUA e do Irão e navegação por corredor não autorizado, pondo em risco o frágil cessar-fogo mediado pelo Paquistão.
O ministro dos Negócios Estrangeiros iraniano, Abbas Araghchi, advertiu este domingo em Bagdade que qualquer tentativa de impor arranjos de navegação alternativos no Estreito de Ormuz «aumentará as tensões» e atrasará a reabertura da via estratégica. A declaração ocorre numa altura em que os Estados Unidos e o Irão voltaram a trocar ataques militares, com Washington a bombardear alvos iranianos e Teerão a retaliar contra bases norte-americanas no Golfo. As ações sublinham a fragilidade do acordo de cessar-fogo mediado pelo Paquistão, que travou em abril a guerra iniciada em fevereiro após uma ofensiva conjunta dos EUA e de Israel contra o Irão.
Segundo Teerão, a gestão do estreito cabe exclusivamente ao Irão nos termos do memorando de entendimento assinado este mês. A Guarda Revolucionária iraniana alertou que Omã e a Organização Marítima Internacional anunciaram um corredor alternativo junto à costa omanita sem consultar o Irão e advertiu os navios contra a sua utilização. Araghchi apelou ainda à criação de um novo quadro de segurança regional que envolva os Estados do Golfo, o Irão e o Iraque, «sem a presença ou interferência de qualquer país de fora da região». Bagdade propôs a realização de uma cimeira nesses moldes e foi elogiada por Teerão.
Do lado norte-americano, o Comando Central (CENTCOM) justificou os ataques como resposta à «contínua agressão iraniana contra a navegação comercial». O Presidente Donald Trump declarou que o Irão «deixaria de existir» se os EUA fossem «forçados» a retomar a guerra. O Kuwait e o Barém condenaram os ataques iranianos contra as suas bases. Analistas em Londres, citados por agências, consideram que «uma negociação prolongada acompanhada de pressão controlada no estreito pode funcionar a favor do Irão».
O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo e gás natural liquefeito mundiais, foi palco de perturbações desde o início da guerra. O memorando prevê a passagem segura e gratuita de navios comerciais durante 60 dias, mas a disputa sobre quem controla o tráfego e eventuais taxas permanece um ponto de fricção. Para Estados importadores como o Brasil e Portugal, a instabilidade na região representa um risco acrescido para os preços da energia. O Iraque avisou que o fecho do estreito teria consequências graves para as suas exportações petrolíferas.
O dossiê deverá ter os próximos desenvolvimentos com a eventual reunião regional proposta por Bagdade. Entretanto, a 8 de julho, o Iraque acolhe as cerimónias fúnebres do líder supremo iraniano, Ali Khamenei, morto no primeiro dia da guerra, num momento que poderá ampliar a mobilização política em torno de Teerão.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Iran's foreign minister asserted full Iranian control over the Strait of Hormuz for the next 30 days, warning that any outside interference would delay reopening. The statement frames Iran as the sole legitimate manager of the strait, with the deal with the US seen as a victory. Any challenge is portrayed as a threat to regional stability, implying Iran's dominant position.
Russian state media reports Iran's exclusive responsibility for restoring shipping in the Strait of Hormuz, presenting the deal as a matter of fact. The tone is neutral, without criticism or endorsement, aligning with Iran's position. The focus is on the technical details of the 30-day period and the resumption of normal operations.
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