
Irão e Omã criam grupo de trabalho para gerir navegação no Estreito de Ormuz
Os dois países concordaram em discutir a futura administração da via marítima e os custos dos serviços, no quadro do memorando de entendimento mediado pelo Paquistão.
O Irão e Omã anunciaram esta terça-feira a formação de um grupo de trabalho conjunto para negociar a administração futura da navegação no Estreito de Ormuz, incluindo os serviços marítimos e os custos associados. A decisão, formalizada numa declaração conjunta após conversações em Mascate, decorre do memorando de entendimento assinado na semana passada entre Teerão e Washington, que prevê um período de 60 dias sem taxas de passagem e a reabertura da via marítima, encerrada desde os bombardeamentos norte-americanos e israelitas de fevereiro. O grupo, composto pelos dois ministérios dos Negócios Estrangeiros, deverá ainda consultar outros Estados ribeirinhos e partes relevantes.
Na perspetiva de Teerão, a iniciativa visa regulamentar aquilo que designa como “taxas de serviço marítimo” — distintas de portagens —, exercendo direitos soberanos sobre as suas águas territoriais. O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que as taxas entrarão em vigor após o período de isenção de 60 dias estipulado no memorando. Omã, por seu lado, sublinhou publicamente o compromisso com uma “passagem segura e livre de portagens”, nas palavras do ministro dos Negócios Estrangeiros, Sayyid Badr Albusaidi, e insistiu no respeito pelo direito internacional. A administração norte-americana opõe-se firmemente a qualquer sistema de cobrança: o presidente Donald Trump ameaçou “fazer explodir” Omã se este controlar a via conjuntamente com o Irão, e o secretário do Tesouro, Scott Bessent, advertiu para sanções contra Mascate.
A criação do grupo de trabalho representa um passo na implementação do memorando mediado pelo Paquistão e pelo Qatar, que pôs fim à fase ativa das hostilidades e estabeleceu um ponto de contacto para a passagem comercial segura. O estreito, por onde transita cerca de 20% do petróleo bruto e do gás natural liquefeito mundiais, permaneceu praticamente fechado à navegação comercial desde o início do conflito, com os Estados Unidos a bloquearem portos iranianos. Para observadores em Lisboa, a estabilidade da via é acompanhada com atenção por países de tradição marítima como Portugal, enquanto em Brasília a flutuação dos preços do crude, sensível a qualquer perturbação no Golfo, constitui um fator de risco para as contas externas e para o custo dos combustíveis.
A declaração conjunta reafirma o compromisso dos dois países com a segurança marítima, a liberdade de navegação e a estabilidade regional, ao mesmo tempo que sublinha a soberania sobre as águas territoriais. Riade e Doha já manifestaram apoio ao memorando e ao processo negocial. O dossiê prossegue agora no quadro do grupo de trabalho, que deverá procurar um acordo sobre a administração do estreito e os custos dos serviços, em conformidade com as normas internacionais. As conversações técnicas entre os ministérios dos Negócios Estrangeiros iraniano e omanita terão lugar nas próximas semanas, enquanto decorre o período de 60 dias sem taxas, e serão complementadas por consultas com outros Estados do Golfo.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Após o entendimento com Washington, o Irão enviou o seu negociador-chefe a Mascate para discutir um novo quadro de governação do Estreito de Ormuz. As conversações com Omã visam assegurar uma navegação segura e gratuita num corredor vital para o comércio energético global. O desenvolvimento assinala uma nova fase na diplomacia marítima regional.
O Irão e Omã estão a construir em conjunto um novo modelo de governação para o Estreito de Ormuz, com base no recente entendimento com os Estados Unidos. A delegação iraniana, liderada pelo presidente do Parlamento, Ghalibaf, mantém conversações de alto nível para gerir a via navegável num espírito de boa vizinhança. Esta iniciativa diplomática sublinha o papel construtivo do Irão na estabilidade regional.
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