
Irã adverte EUA que 'era de acordos unilaterais acabou' e mantém fechado o Estreito de Ormuz
Presidente do Parlamento iraniano ameaça Washington com 'consequências' caso descumpra memorando de Islamabad, em meio a ataques mútuos e bloqueio de rota vital para o comércio global.
O presidente do Parlamento do Irã, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu neste domingo que o tempo de acordos unilaterais terminou e exigiu que os Estados Unidos cumpram os termos do Memorando de Entendimento firmado em Islamabad há menos de um mês. Em mensagem na rede social X, Ghalibaf partilhou o ponto 5 do documento — cláusula que atribui ao Irã a definição de «arranjos» para a passagem segura de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz, sem custos e por um período limitado — e declarou: «Mantenham a palavra ou paguem o preço». A nota surgiu horas depois de uma nova vaga de ataques aéreos norte-americanos contra posições iranianas e da subsequente retaliação de Teerã contra bases militares dos EUA na região.
Segundo o Comando Central norte-americano (CENTCOM), a terceira ronda de bombardeamentos desde o início da semana atingiu mais de 300 alvos no sul do Irã, com o objetivo de reduzir a capacidade de Teerã de controlar a via marítima. Do lado iraniano, a Guarda Revolucionária e o Exército coordenaram disparos de mísseis balísticos e ataques com drones contra infraestruturas militares na Jordânia, Catar, Omã, Kuwait e Bahrein. O Estreito de Ormuz, por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, permanece fechado por decisão iraniana até que, nas palavras de Teerã, cessem as «intervenções dos EUA na região».
O Memorando de Islamabad, assinado em 18 de junho após meses de contactos bilaterais, prevê o fim das hostilidades, o levantamento do bloqueio naval, a reabertura do estreito sob coordenação iraniana, além da emissão de licenças para exportação de petróleo iraniano e o descongelamento de ativos. Na leitura de Teerã, o acordo reconhece a sua autoridade sobre a gestão da passagem estratégica e deve ser aplicado na íntegra; em Washington, fontes oficiais indicam que os ataques prosseguem para garantir a liberdade de navegação comercial. O impasse reacende um quadro regional já agravado por trocas de fogo entre Israel e Irã em 2025, incursões israelitas no Líbano e o abandono, em 2018, do acordo nuclear com Teerã pela administração norte-americana.
Analistas em Lisboa e em Brasília observam que o agravamento da crise pressiona os preços do petróleo e pode gerar sobressaltos nas economias lusófonas dependentes do comércio de matérias-primas. Angola, exportador de crude, pode beneficiar de cotações mais altas no curto prazo, mas o encarecimento dos fretes e a possível retração da procura global representam riscos. O estado atual do dossiê aponta para uma negociação paralisada, com a diplomacia e a pressão militar a correrem em trilhos paralelos e sem data para a próxima ronda de conversações.
| Imprensa atlântica / anglosfera | −0.30 | critical |
|---|---|---|
| Imprensa iraniana e afins | +0.70 | aligned |
| Imprensa russa e CEI | +0.40 | aligned |
| Imprensa do Sudeste Asiático | 0.00 | neutral |
Ghalibaf's warning is a dangerous provocation that risks triggering conflict; Tehran must honor agreements, not threaten.
By linking the warning to US airstrikes, the bloc attributes escalation responsibility to Tehran, presenting the statement as a disproportionate reaction.
Atlantic outlets omit the specific reference to the Islamabad memorandum, which Iran uses to ground its demand for adherence to agreements.
The era of one-sided deals is over; the US has broken agreements and must now pay the price for its actions.
By citing the Islamabad memorandum, the bloc establishes a legal framework that legitimizes the Iranian warning, turning a threat into a demand for rule adherence.
Iranian outlets omit that the warning follows recent US airstrikes, presenting the statement as an autonomous initiative.
The United States has violated agreements and now Iran justly demands adherence; it is Washington that must pay the price for its unreliability.
By placing the news in a context of criticism of American unilateralism, the bloc strengthens solidarity with Iran and legitimizes its position.
Russian outlets omit mentioning the details of the Islamabad memorandum, focusing instead on American guilt.
Ghalibaf stated that the era of one-sided deals is over and warned the US; tensions in the Strait of Hormuz are rising.
By presenting the news without comment or contextualization that favors any side, the bloc preserves impartiality and leaves judgment to the reader.
Southeast Asian outlets omit the reference to the US airstrikes that preceded the warning, reducing the conflictual potential.
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