
Investimento global recupera, mas concentra-se em poucos destinos; Emirados e Quénia batem recordes
Relatório da UNCTAD mostra que o investimento direto estrangeiro subiu 6% em 2025, mas o crescimento foi seletivo, favorecendo economias com vantagens tecnológicas e energéticas.
O investimento direto estrangeiro (IDE) global voltou a crescer em 2025, após três anos de declínio, mas a recuperação esconde uma transformação profunda na geografia e na composição dos fluxos. Dados do relatório World Investment Report 2026, da Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), mostram que o IDE mundial subiu 6%, para 1,6 biliões de dólares. Contudo, a expansão concentrou-se num número limitado de economias anfitriãs e em setores intensivos em capital e tecnologia, como infraestrutura digital, inteligência artificial e energias renováveis. A UNCTAD alerta que a aparente resiliência disfarça uma competição feroz por indústrias de alto valor, em detrimento da indústria transformadora tradicional.
Os Emirados Árabes Unidos ilustram essa dinâmica. O país atraiu 48,3 mil milhões de dólares em IDE em 2025, um recorde pelo quarto ano consecutivo, e subiu ao nono lugar entre os destinos globais. O stock total de investimento estrangeiro atingiu 318,9 mil milhões de dólares, equivalente a 58% do PIB. Projetos greenfield somaram 34,1 mil milhões de dólares em despesas de capital, com destaque para a indústria transformadora (30%) e as comunicações (29%), impulsionadas pelo Stargate UAE, o primeiro centro internacional de computação de IA da OpenAI, desenvolvido em Abu Dhabi. Observadores em Abu Dhabi sublinham que as reformas regulatórias — como a redução de taxas de licenciamento no mercado global de Abu Dhabi e a clarificação fiscal para fundos de investimento — consolidaram a confiança dos investidores. O país já cumpriu 74% da meta anual de IDE da Estratégia Nacional de Investimento 2031, que prevê entradas de 65 mil milhões de dólares por ano até ao final da década.
No leste de África, o Quénia registou igualmente um desempenho histórico, com entradas de 3,2 mil milhões de dólares, um salto de 37,7% face a 2024. O país capturou mais de metade do aumento do IDE na África Oriental e elevou a sua quota regional para 21,9%. A UNCTAD atribui este resultado a reformas fiscais — redução do imposto sobre sociedades e isenções de dividendos para empresas acreditadas no centro financeiro internacional de Nairobi — e à vantagem energética do país, cuja matriz elétrica é quase 90% renovável. Um pacote de mil milhões de dólares para um centro de dados alimentado a energia geotérmica simboliza a aposta na economia digital. Ainda assim, o relatório adverte que o Quénia enfrenta desafios de competitividade a longo prazo, numa região onde a Etiópia viu as entradas recuarem 4,7% e a Tanzânia cresceu apenas 3,7%.
A dinâmica regional no Médio Oriente foi igualmente contrastante. A Arábia Saudita registou um aumento de 52,9% nas entradas, para 32,6 mil milhões de dólares, enquanto o Qatar viu os fluxos dispararem 559%, embora a partir de uma base reduzida. No total, a Ásia Ocidental captou 110,6 mil milhões de dólares, um crescimento de 19,9%. A UNCTAD nota que o IDE global permaneceu resiliente, mas a concentração setorial e geográfica levanta interrogações sobre a sustentabilidade do modelo. O próximo marco a observar será a evolução das metas dos Emirados para 2031 e a avaliação do Fundo Monetário Internacional, que reviu com o Ministério das Finanças do país as perspetivas orçamentais e a gestão da dívida pública, num contexto de riscos globais emergentes.
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O Quênia se apresenta como um destino de investimento emergente e resiliente, capaz de atrair capital por meio de reformas internas e setores inovadores.
O bloco usa dados concretos e um tom factual para legitimar a narrativa de sucesso nacional, sem comparações com outros países.
O bloco omite o contexto global do recorde dos EAU, que teria diminuído a singularidade da conquista queniana.
Os EAU proclamam-se uma potência global de investimento, atribuindo o sucesso à liderança esclarecida e à estabilidade econômica.
O bloco usa declarações de altos funcionários e números impressionantes para criar uma narrativa de triunfo inevitável, sem mencionar críticas ou comparações com outros países em desenvolvimento.
O bloco omite o recorde do Quênia e de outros países, que mostrariam uma tendência global mais ampla e não exclusiva dos EAU.
Os EAU afirmam-se como o líder indiscutível de investimentos na Ásia Ocidental, usando a comparação com vizinhos para fortalecer sua posição.
O bloco adota uma estratégia de hierarquia regional, comparando os dados dos EAU com os da Arábia Saudita e Catar para demonstrar superioridade sistêmica.
O bloco omite o recorde do Quênia, que teria oferecido uma comparação com um país não do Golfo e mostrado uma concorrência mais ampla.
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