
Irão condiciona reabertura de Ormuz a ‘acordos iranianos’ e avisa EUA sobre retaliação
Após novos bombardeamentos mútuos, Teerão afirma que a via marítima vital só será libertada sob as suas condições, enquanto Trump declara o fim do cessar-fogo e ameaça escalada.
O presidente do Parlamento iraniano, Mohammad Bagher Ghalibaf, advertiu Washington de que o Estreito de Ormuz só será reaberto segundo «arranjos iranianos» e não sob ameaças americanas, ao mesmo tempo que prometeu uma resposta imediata a qualquer nova ação militar dos EUA. A declaração, difundida pelos meios estatais de Teerão, surgiu horas depois de os Estados Unidos terem realizado uma segunda vaga de ataques contra alvos iranianos e de a Guarda Revolucionária ter confirmado retaliações contra as bases americanas de Camp Arifjan e Ali Al Salem, no Kuwait, e Juffair e Sheikh Isa, no Bahrein. Segundo fontes oficiais iranianas, a operação foi uma resposta àquilo que Teerão descreve como a mais extensa ofensiva americana em território iraniano desde a assinatura do memorando de entendimento bilateral.
Do lado americano, o presidente Donald Trump declarou que o cessar-fogo acordado em junho «acabou» e autorizou novos bombardeamentos depois de acusar o Irão de atacar navios comerciais que transitavam no estreito. O Comando Central dos EUA (CENTCOM) justificou as operações como uma medida para degradar a capacidade de Teerão de ameaçar a liberdade de navegação, visando sistemas de defesa aérea, radares costeiros, infraestruturas de mísseis antinavio e dezenas de embarcações da Guarda Revolucionária. A bordo do Air Force One, Trump afirmou que o Irão «quer fazer um acordo desesperadamente», mas manifestou ceticismo, ao mesmo tempo que avisou que, a cada ataque iraniano, os EUA responderão com uma força vinte vezes superior.
A escalada tem consequências imediatas nos mercados globais de energia. O barril de Brent ultrapassou os 79 dólares, uma subida superior a 7%, e as principais bolsas europeias e asiáticas registaram perdas. Na perspetiva de Brasília, o impacto refletiu-se num recuo de quase 1% do índice Bovespa, enquanto analistas em Lisboa sublinham o risco de perturbação prolongada numa via por onde transita cerca de um quinto do petróleo mundial, com efeitos em cadeia para a economia europeia. Para os países africanos lusófonos produtores de crude, como Angola, a subida de preços pode gerar receitas adicionais de curto prazo, mas observadores em Luanda alertam para a volatilidade acrescida e para o perigo de contágio regional caso o conflito se alastre.
O agravamento da crise ocorre num momento de particular fragilidade interna no Irão, que realiza as cerimónias fúnebres do líder supremo, aiatola Ali Khamenei, cujo enterro foi adiado devido à grande afluência no Iraque. O memorando de entendimento que previa a reabertura do estreito, fechado por Teerão desde o início da guerra em fevereiro, está agora desfeito, e não há qualquer canal de negociação ativo. Fontes diplomáticas em Ancara, onde decorreu a cimeira da NATO, indicam que os aliados ocidentais acompanham a situação com preocupação, mas sem um plano imediato de mediação. O dossiê permanece em aberto, com o risco de novos confrontos a pairar sobre uma das rotas marítimas mais estratégicas do planeta.
| Imprensa árabe Levante-Magrebe | −0.20 | neutral |
|---|---|---|
| Imprensa indiana e sul-asiática | 0.00 | neutral |
| Imprensa latino-americana | −0.30 | critical |
O principal negociador iraniano emite um alerta severo aos EUA, declarando que o Estreito de Ormuz só será reaberto sob condições iranianas e que qualquer ataque dos EUA será seguido de retaliação imediata. O tom é desafiador, retratando o Irã como o controlador e os EUA como o agressor que sofrerá as consequências.
The Indian press adopts a neutral observer stance, reporting the statements of both Iran and the US without taking sides. The voice is that of a detached journalist.
By presenting both sides' quotes and focusing on the global implications, the press universalizes the conflict, making it a matter of international concern rather than a bilateral dispute.
O principal negociador iraniano fala como defensor da soberania nacional, rejeitando ameaças dos EUA e afirmando o controle. A voz é a do Irã, mas enquadrada como vítima da agressão americana.
Ao enfatizar a frase 'não com ameaças dos EUA' e destacar os ataques militares americanos, a imprensa constrói uma narrativa de vitimização, tornando a desafio iraniano aparentemente justificado.
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