
Inglaterra enfrenta RD Congo em duelo de contrastes nos 16 avos do Mundial
Harry Kane lidera ingleses contra surpresa africana que já fez história; vencedor pega o México nas oitavas.
O Mercedes-Benz Stadium, em Atlanta, recebe nesta quarta-feira um confronto que opõe a tradição de uma campeã mundial à ousadia de uma seleção que escreve o capítulo mais glorioso da sua história. Inglaterra e República Democrática do Congo medem forças a partir das 13h (de Brasília) pelos 16 avos de final do Mundial de 2026, com a perspetiva de um duelo tático entre a posse de bola inglesa e a organização defensiva dos Leopardos. O vencedor terá como adversário nas oitavas o México, que eliminou o Equador por 2 a 0.
A campanha inglesa na fase de grupos deixou uma sensação de dever cumprido, mas sem brilho. Líder do Grupo L com sete pontos, a equipa de Thomas Tuchel estreou com um triunfo convincente sobre a Croácia (4-2), estagnou num empate sem golos frente a Gana e garantiu a classificação ao bater o Panamá por 2-0. Harry Kane, com três golos, tornou-se o maior artilheiro inglês em Copas, com 11 tentos, e carrega a esperança de um ataque que, na análise da imprensa europeia, ainda não encontrou fluidez. A expectativa é que jovens como Elliot Anderson e Jude Bellingham assumam a criação, enquanto a defesa, desfalcada de Reece James, terá de conter os contragolpes rápidos do adversário.
Do outro lado, a RD Congo já fez história ao superar pela primeira vez uma fase de grupos. Terceira colocada no Grupo K, a seleção africana empatou com Portugal (1-1), perdeu por 1-0 para a Colômbia e carimbou a vaga com uma vitória por 3-1 sobre o Uzbequistão. O feito ganha contornos especiais pelo facto de seis dos seus 26 convocados atuarem no futebol inglês — entre eles o lateral Aaron Wan-Bissaka (West Ham), o defensor Axel Tuanzebe (Burnley) e o atacante Yoane Wissa (Newcastle), autor de três dos quatro golos da equipa no torneio. Na imprensa africana, a campanha é celebrada como um marco, e a ausência de pressão é apontada como um trunfo para um grupo que se notabiliza pela solidez defensiva e pela fé nos rápidos contra-ataques.
Taticamente, o jogo promete um roteiro de ataque contra defesa. A Inglaterra deverá controlar a posse e pressionar em busca de espaços, enquanto a RD Congo, fiel ao plano do técnico Sébastien Desabre, tenderá a compactar as linhas e explorar a velocidade de Wissa e Cédric Bakambu nas transições. A disciplina tática congolesa — que não perde por mais de um golo de diferença em jogos oficiais desde março de 2022 — é vista por analistas como o principal obstáculo para os ingleses, que precisarão de paciência e criatividade para furar o bloqueio.
O desfecho deste duelo terá impacto direto no chaveamento: o vencedor enfrenta o México, que já garantiu lugar nas oitavas e aguarda em casa. A jornada desta quarta-feira reserva ainda os confrontos entre Bélgica e Senegal, em Seattle, e entre os anfitriões Estados Unidos e a Bósnia-Herzegovina, em Santa Clara, completando um dia que pode consolidar favoritos ou ampliar a lista de surpresas do primeiro Mundial com 48 seleções.
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