
Inflação homóloga no Irão dispara para 88,6% e alimentos sobem 135% após guerra
Dados oficiais revelam agravamento recorde dos preços, com impacto desproporcional nas zonas rurais e nos agregados de menores rendimentos, enquanto o país enfrenta destruição de 270 mil milhões de dólares.
O Centro de Estatística do Irão reportou que a inflação homóloga (ponto a ponto) atingiu 88,6% no mês persa de Khordad (22 de maio a 21 de junho), o valor mais elevado desde que há registos. Os preços dos alimentos e bebidas registaram uma subida de 135% face ao mesmo mês do ano anterior, com produtos como carnes vermelhas e aves a dispararem 178,2% e lacticínios e ovos 151,9%. Nas zonas rurais, a inflação geral ultrapassou os 108%, enquanto nas urbanas se fixou em 89%, evidenciando um agravamento das desigualdades territoriais.
A aceleração inflacionista ocorre após três meses de guerra com os Estados Unidos e Israel, que, segundo estimativas de economistas citados pela imprensa internacional, causaram danos de 270 mil milhões de dólares — quase três quartos do PIB iraniano de 2025 — e mergulharam quatro milhões de pessoas na pobreza. A destruição de infraestruturas energéticas, siderúrgicas e portuárias, seguida de um bloqueio naval, estrangulou as exportações de petróleo, agravando uma economia já debilitada por sanções e hiperinflação crónica. A imprensa estatal iraniana sublinha que a liquidez cresceu mais de 53% no último ano, alimentada pela impressão de moeda sem lastro para cobrir défices orçamentais, num contexto em que as receitas petrolíferas não se concretizaram.
O impacto social é profundo. O jornal Donya-e Eqtesad noticiou que uma família de quatro pessoas chega a gastar 77% do rendimento apenas em alimentação, sem contar com os subsídios eletrónicos (kala-berg). O governo reconheceu a pressão e aumentou oficialmente o preço do pão a partir de 6 de tir (27 de junho), enquanto o ministro da Economia prometeu reforçar o valor do kala-berg para compensar a subida dos bens essenciais. Contudo, observadores em Teerão notam que o financiamento dessas medidas depende da venda de petróleo sem restrições, algo que permanece incerto apesar do cessar-fogo frágil e das negociações em curso na Suíça.
O Fundo Monetário Internacional projetara, há três meses, que o Irão teria a terceira inflação anual mais alta do mundo, próxima de 70%. Com a taxa anual já nos 62% e a mensal a acelerar para 5,9%, a trajetória supera as previsões. O próximo marco factual será a capacidade do governo de implementar o aumento do subsídio alimentar sem agravar o défice, enquanto o país aguarda um eventual alívio das sanções petrolíferas que permita estabilizar as finanças públicas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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A inflação ponto a ponto dos alimentos no Irão subiu para 135%, elevando a inflação geral para 88,6%. Apesar das promessas eleitorais, os preços continuam a subir, atingindo desproporcionalmente as áreas rurais.
A agência de estatísticas do Irão reporta inflação anual de 62% e ponto a ponto de 88,6%. O governo está a aumentar os vales eletrónicos de alimentação para os grupos de rendimentos mais baixos e a ajustar formalmente os preços do pão para gerir a situação.
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