
Indonésia trava tarifas, Brasil aprova altas e Egito monta operação de emergência para o verão elétrico
Enquanto Jacarta congela reajustes apesar da pressão dos custos, São Paulo e Tocantins terão aumentos de até 15%; no Cairo, o governo nega alta residencial mas prepara a rede para pico recorde de demanda.
O governo da Indonésia decidiu manter inalteradas as tarifas de eletricidade para os 13 grupos de consumidores não subsidiados no terceiro trimestre de 2026, ignorando a fórmula de reajuste automático que apontava para uma alta. O anúncio do ministro da Energia, Bahlil Lahadalia, justifica a medida como forma de preservar o poder de compra e sustentar a estabilidade económica nacional. Os parâmetros macroeconómicos de referência — cotação do rupia a 16.959 por dólar, petróleo indonésio a 96,12 dólares o barril e inflação de 0,21% — teriam, pela regra em vigor, accionado um aumento, mas o executivo optou por absorver o impacto, mantendo também os subsídios para 24 categorias de clientes vulneráveis.
No Brasil, o cenário é oposto. A Agência Nacional de Energia Elétrica aprovou dois reajustes anuais com efeito a partir de 4 de julho. Na área de concessão da Enel São Paulo, que atende 8,3 milhões de unidades consumidoras na capital e região metropolitana, a alta média será de 10,2%, com os clientes residenciais de baixa tensão a enfrentarem 9,02% e os de alta tensão 15%. O regulador atribuiu o movimento sobretudo a componentes financeiros extraordinários, como compensações por custos de compra e transporte de energia não cobertos no ciclo anterior. No Tocantins, a Energisa aplicará um reajuste médio de 7,92%, chegando a 8,11% para os consumidores residenciais, num estado onde a tarifa já subira 12,31% em 2025. Observadores em Brasília notam que os aumentos ocorrem num momento em que a Enel São Paulo discute a renovação do contrato que expira em 2028, sob um processo de caducidade motivado por falhas na prestação do serviço.
O Egito desenha uma terceira via. O porta-voz do Ministério da Eletricidade negou cortes programados e rechaçou rumores de aumento das tarifas domésticas a 1 de julho, mas confirmou uma sobretaxa de 20% para atividades comerciais e de serviços de alto consumo durante as horas de ponta. A decisão insere-se numa operação de emergência conjunta dos ministérios da Eletricidade e do Petróleo para enfrentar um verão em que a procura deverá crescer 8% face ao recorde de 40.000 megawatts registado em 2025. A estratégia combina centrais flutuantes de regaseificação de gás natural liquefeito, a utilização do terminal de Damietta como armazenamento estratégico, a adição de 2.200 MW de renováveis e 1.300 MWh de baterias de armazenamento, e a redução do consumo de combustível para menos de 170 gramas por quilowatt-hora. A dependência de importações de gás é ilustrada pelos dados da JODI: em abril de 2025, a produção egípcia foi de 3.214 milhões de metros cúbicos, enquanto as importações atingiram 2.190 milhões.
Na perspetiva de Jacarta, o congelamento tarifário protege a procura interna mas adia o realinhamento de preços num contexto de rupia pressionada. No Cairo, a prioridade é evitar a repetição dos apagões de 2023 que prejudicaram cidadãos e indústria, recorrendo a financiamento externo e a uma gestão mais flexível dos ativos de gás. Em São Paulo e no Tocantins, o regulador transfere para o consumidor os custos acumulados de um sistema que ainda debate a qualidade do serviço. O próximo marco factual a observar é a entrada em vigor dos novos tarifários brasileiros a 4 de julho e o comportamento da rede egípcia durante o pico de verão, enquanto o programa de IPOs de empresas petrolíferas estatais egípcias, com títulos cotados em dólar, procura atrair capital estrangeiro para um setor sob pressão.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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O governo manteve as tarifas de eletricidade inalteradas para o terceiro trimestre de 2026, contrariando uma fórmula que indicaria aumento, para proteger o poder de compra das famílias e apoiar a economia. A decisão abrange 13 grupos de consumidores não subsidiados.
O Egito preparou um plano de emergência para um pico recorde de demanda de eletricidade no verão, que deve crescer 8% em relação aos 40.000 MW do ano passado. A estratégia combina reservas de GNL, 2.200 MW de nova capacidade renovável e 1.300 MW de armazenamento em baterias para evitar os apagões de 2023.
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