
Indonésia: protesto contra alta de combustíveis e programa de refeições termina com 24 detidos em Surabaya
Manifestação em Surabaya contra o aumento dos combustíveis e o programa de refeições gratuitas do governo degenerou em confrontos, resultando em dezenas de detenções e reacendendo o debate sobre a política económica de Prabowo Subianto.
Pelo menos 24 manifestantes foram detidos na noite de sexta-feira (26) em Surabaya, na ilha de Java, durante um protesto contra o aumento de cerca de 30% nos preços dos combustíveis não subsidiados e o programa de refeições gratuitas do presidente Prabowo Subianto. A concentração, que reuniu cerca de uma centena de pessoas junto ao edifício governamental de Grahadi, degenerou em confrontos quando alguns participantes arremessaram pedras e engenhos pirotécnicos contra a polícia, que respondeu com a dispersão da multidão e detenções.
Segundo o coordenador da organização de direitos humanos KontraS Surabaya, Fatkul Khoir, os detidos foram interrogados até a madrugada de sábado, mas não foram formalmente acusados. O chefe da polícia local, Luthfie Sulistiawan, justificou as detenções como “ações firmes” necessárias após os manifestantes terem lançado projéteis. Já a rede de advogados de defesa dos direitos humanos denunciou que as capturas foram feitas de forma aleatória, inclusive por agentes à paisana, e exigiu a libertação imediata de todos os detidos. Os manifestantes, que se apresentaram sob a designação “Indonésia Agonizante”, exigiam a redução dos preços dos bens essenciais, a suspensão definitiva do programa de refeições gratuitas e a revogação de leis que ampliam o papel das forças armadas na vida civil.
A contestação insere-se numa vaga de protestos que percorre várias cidades indonésias desde que o governo de Prabowo aumentou os preços dos combustíveis, numa tentativa de aliviar a pressão orçamental agravada pela subida das cotações do petróleo devido à guerra no Médio Oriente. O programa de refeições gratuitas, bandeira da administração, tem sido alvo de críticas crescentes após casos de intoxicação alimentar em massa e suspeitas de corrupção, tendo sido parcialmente suspenso durante o período de férias escolares para poupar mais de 168 milhões de dólares. Na perspetiva de economistas citados por agências internacionais, as políticas intervencionistas e populistas do executivo estão a minar a confiança dos investidores, num contexto em que a rupia se desvalorizou acentuadamente e o mercado de ações recuou cerca de um terço desde o início do ano. O Banco Mundial advertiu que o crescimento económico poderá não ultrapassar os 5%, abaixo da meta governamental de 5,4%.
Analistas do Sudeste Asiático notam que a instabilidade social na maior economia da região pode ter repercussões nos mercados globais de matérias-primas, com impacto indireto em economias lusófonas exportadoras de commodities, como Brasil e Angola, que monitorizam a volatilidade da procura asiática. A contestação atual é a mais significativa desde os protestos de agosto e setembro de 2024, que resultaram em dez mortos e milhares de detenções, segundo organizações de direitos humanos. Até ao momento, as autoridades não formalizaram acusações contra os detidos em Surabaya, e o programa de refeições permanece suspenso até 13 de julho. A pressão da sociedade civil mantém-se, com novas manifestações previstas para as próximas semanas.
Como a mesma história é contada em outros lugares.
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Em Surabaya, um protesto contra o aumento dos preços dos combustíveis e o programa de refeições gratuitas tornou-se violento quando manifestantes atiraram pedras e atearam fogo. A polícia prendeu 24 pessoas, incluindo uma mulher, e as interrogou até altas horas da noite. O protesto fez parte de uma série de comícios antigovernamentais em toda a Indonésia.
Protestos eclodiram na Indonésia enquanto os cidadãos enfrentam uma grave crise econômica, impulsionada pelo aumento dos custos dos combustíveis e pela suspensão do programa de refeições gratuitas. A crise está ligada à guerra no Oriente Médio, que fez a rupia despencar e a bolsa de valores perder um terço de seu valor. Manifestantes entraram em confronto com a polícia, exigindo alívio para as condições de vida cada vez piores.
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